A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma megaoperação para cumprir 215 mandados judiciais contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A ação mobiliza mais de 500 policiais em 23 municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público do Paraná (MPPR) e prevê o cumprimento de 95 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário de contas utilizadas pelo grupo e o acesso aos dados de aparelhos eletrônicos apreendidos.
As diligências atingem cidades do Sudoeste do Paraná, incluindo Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas e Dois Vizinhos. A investigação começou em Clevelândia, após a apuração de crimes violentos atribuídos à organização, entre eles tortura e cárcere privado.
| Megaoperação da PCPR: números da ação | |
|---|---|
| Indicador | Quantidade |
| Mandados judiciais | 215 |
| Mandados de prisão | 95 |
| Mandados de busca e apreensão | 120 |
| Policiais mobilizados | Mais de 500 |
| Municípios atingidos | 23 |
| Municípios do Paraná | 20 |
| Municípios de Santa Catarina | 1 |
| Municípios de São Paulo | 2 |
| Estados envolvidos | 3 |
| Data da operação | 14/10/2026 |
Fonte: Polícia Civil do Paraná (PCPR). Os números se referem aos mandados expedidos, não a prisões efetivadas.
As equipes da PCPR recebem apoio da Polícia Militar do Paraná, Polícia Penal do Paraná, Polícia Civil de Santa Catarina e Polícia Militar de São Paulo.
Cães de faro também participam das buscas. A mobilização envolve unidades especializadas e equipes policiais dos municípios alcançados pela investigação.
Confira as 23 cidades com mandados da operação
A operação ocorre em 20 municípios paranaenses, uma cidade de Santa Catarina e duas de São Paulo.
Paraná: 20 municípios
Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste.
Santa Catarina: um município
Abelardo Luz.
São Paulo: dois municípios
São Carlos e Cotia.
Investigação começou em Clevelândia após crimes violentos
As investigações tiveram início em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, após a Polícia Civil identificar crimes violentos atribuídos à organização criminosa.
Segundo a PCPR, integrantes do grupo praticavam tortura e cárcere privado contra pessoas acusadas de descumprir regras internas ou cometer atos considerados de “traição”.
A organização também utilizava ameaças e intimidações para cobrar dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
Ao aprofundar a investigação, os policiais identificaram uma estrutura criminosa com atuação em diferentes municípios e comunicação direta com lideranças que estavam presas.
Facção transmitia ordens de dentro de penitenciária
A investigação apontou que parte das ordens para a prática dos crimes era transmitida de dentro de uma penitenciária do Sudoeste do Paraná.
Os policiais chegaram a celulares clandestinos apreendidos na unidade prisional e analisaram dados que permitiram identificar a atuação da organização em diferentes estados.
“Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa estruturada e sem fronteiras, pois o comando partia de dentro do sistema prisional e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo”, explicou a delegada da PCPR Alini Simadon.
De acordo com a investigação, a organização mantinha uma estrutura de comando dentro dos presídios, com funções distribuídas entre seus integrantes.
Um dos setores fiscalizava o cumprimento de regras internas, avaliava condutas de presos considerados infratores e determinava castigos físicos.
Outros integrantes eram responsáveis por esconder, recarregar e movimentar celulares e roteadores entre as celas, mantendo a comunicação com pessoas que estavam fora do sistema prisional.
Grupo controlava distribuição de cocaína, crack e maconha
A PCPR identificou uma rede de transporte, armazenamento e distribuição de entorpecentes entre diferentes cidades.
Conforme a investigação, integrantes da organização utilizavam depósitos para guardar drogas e controlavam pontos de venda à distância.
As lideranças presas negociavam a compra e a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha, destinadas à revenda em diversas regiões.
O grupo também adotava preços tabelados para os entorpecentes, segundo a Polícia Civil.
Fora das penitenciárias, a organização contava com apoio de familiares e colaboradores. A investigação aponta que algumas dessas pessoas transportavam drogas escondidas no corpo durante visitas aos presos.
Lavagem de dinheiro envolvia PIX e empresa de fachada
A investigação também identificou mecanismos utilizados pela organização para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a PCPR, familiares de integrantes presos realizavam transferências bancárias e movimentações por meio de contas abertas em nome de terceiros.
“Eram realizadas transferências via PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, rápidos, para dificultar o rastreamento”, explicou a delegada Alini Simadon.
Além das transferências, os policiais identificaram uma empresa de fachada que seria utilizada para receber pagamentos relacionados a cargas de drogas.
A movimentação financeira também era registrada em planilhas utilizadas para controlar os valores recebidos e movimentados pelo grupo.
A Justiça autorizou a quebra do sigilo bancário das contas investigadas e o acesso aos dados dos aparelhos eletrônicos apreendidos.
Feriado tem 98 acidentes e quatro mortes nas BRs do Paraná
Polícia Civil busca identificar toda a estrutura criminosa
A operação desta quarta-feira integra as investigações conduzidas pela PCPR e pelo Ministério Público do Paraná para identificar os integrantes e a estrutura financeira e operacional do grupo.
O cumprimento dos mandados busca localizar investigados, reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais relacionados aos crimes apurados.
Até a divulgação das informações iniciais, não havia balanço consolidado sobre a quantidade de prisões efetivamente realizadas ou os materiais apreendidos durante a operação.

Deixe um comentário