Nasce o 57º filhote de harpia no Refúgio da Itaipu

O Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), mantido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR), celebrou o nascimento de seu 57º filhote de harpia (Harpia harpyja) na última terça-feira (25). O evento é considerado um marco, pois representa a retomada da reprodução da espécie na instituição após quase quatro anos de espera. Atualmente, outros cinco ovos estão sendo incubados por casais de harpias e devem eclodir entre abril e maio de 2024.

Expansão dos ninhos impulsionou a reprodução

Um dos fatores determinantes para o aumento da taxa de procriação foi a ampliação dos ninhos das aves. Durante visitas técnicas a centros de reprodução de águias na Espanha, a equipe da Itaipu observou que os ninhos eram significativamente maiores do que os utilizados no RBV. Com essa informação, a instituição reformulou a estrutura dos ninhos, tornando-os mais espaçosos. O resultado foi imediato: as harpias passaram a realizar novas posturas de ovos, retomando o ciclo reprodutivo.

Cuidados com o novo filhote

O filhote recém-nascido é o primeiro descendente de um casal de harpias que está junto há cerca de dez anos. Ele está sendo mantido sob cuidados especiais, em um ambiente com temperatura e umidade controladas, e recebe alimentação quatro vezes ao dia. Em apenas uma semana de vida, praticamente dobrou de peso, atingindo 170 gramas.

Importância da reprodução em cativeiro

“A reprodução em cativeiro é um forte indicativo da boa saúde dos animais”, explica Marcos Oliveira, bólogo responsável pelo programa de reprodução de harpias na Itaipu. Segundo ele, poucas instituições no mundo dominam a técnica de procriação dessa ave de rapina. “Nosso objetivo é, nos próximos anos, desenvolver parcerias para reintroduzir esses indivíduos na natureza, auxiliando na recuperação genética da espécie”, afirma.

Conservação da harpia e desafios

A harpia está classificada como uma espécie criticamente ameaçada em várias regiões da América do Sul e Central, tendo sido extinta em alguns locais devido à destruição de seu habitat e à caça ilegal. “A harpia não sobrevive sem a floresta. Ela precisa de grandes árvores para nidificação e de um ecossistema preservado para se alimentar”, ressalta Oliveira. Como a espécie tem uma taxa de reprodução baixa, com apenas dois filhotes a cada cinco anos, sua recuperação na natureza é um processo lento e desafiador.

A iniciativa da Itaipu Binacional reforça a importância dos programas de conservação e da reprodução assistida como estratégias essenciais para evitar a extinção dessa majestosa ave de rapina.

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