O Dia Mundial da Saúde Digestiva e o Dia do Médico Gastroenterologista, celebrados em 29 de maio, reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da promoção da qualidade de vida. No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) aproveitou a data para alertar sobre o aumento das projeções de cânceres do aparelho digestivo, especialmente os de cólon, reto e estômago.
Segundo dados da Organização Mundial de Gastroenterologia, cerca de 20% da população mundial convive com algum problema intestinal. No entanto, aproximadamente 90% dessas pessoas não procuram orientação médica de forma precoce.
No Estado, as ações desenvolvidas pela Sesa buscam ampliar o acesso aos serviços de saúde, fortalecer a prevenção e garantir diagnóstico mais rápido para a população.
Câncer de cólon e reto pode crescer mais de 40% no Paraná
As novas projeções divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam crescimento significativo nos casos de câncer do aparelho digestivo em 2026.
Atualmente, os tumores mais frequentes desse grupo são os de estômago, que representam 5,4% dos casos em homens e 3,3% em mulheres, além dos cânceres de cólon e reto, que correspondem a 10,3% dos casos em homens e 10,5% em mulheres entre os 781 mil novos diagnósticos de câncer previstos para o Brasil.
No Paraná, os números chamam atenção. As estimativas para câncer de cólon e reto, que permaneceram em cerca de 2.560 novos casos anuais em 2024 e 2025, saltaram para 3.620 ocorrências previstas em 2026.
Já os casos de câncer de estômago passaram de uma projeção de 1.080 diagnósticos anuais para 1.550 novos casos neste ano.
Secretário da Saúde reforça importância da prevenção
Para o secretário estadual da Saúde, César Neves, os números representam um importante alerta para a população.
Com formação em cirurgia, gastroenterologia, endoscopia digestiva, medicina do trabalho, gestão pública e auditoria, o secretário destacou que muitos pacientes ainda chegam aos serviços especializados com a doença em estágio avançado.
“A saúde de todo o corpo começa por uma digestão adequada. Esses números do INCA não são apenas estatísticas frias; são um chamado de alerta para todos nós”, afirmou.
Segundo ele, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento e nas chances de recuperação.
“Como gestor e como médico da área, meu recado é um só: não normalize a dor. Exames preventivos e de rastreio salvam vidas diariamente e mudam totalmente o rumo do tratamento”, ressaltou.
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Sintomas exigem atenção da população
A Sesa orienta que a população fique atenta aos sinais que podem indicar problemas no sistema digestivo.
Entre os sintomas mais comuns estão náuseas frequentes, sensação constante de empanzinamento, azia, refluxo, diarreia, constipação intestinal e dores abdominais persistentes.
Além disso, alguns sinais aparentemente não relacionados ao sistema digestivo também podem ter origem gastrointestinal.
Tosse seca, dor no peito, sinusite recorrente, asma, dores de cabeça, déficit de atenção e até lesões na pele podem estar associados a doenças digestivas.
Diante de sintomas persistentes, a recomendação é procurar avaliação médica e evitar a automedicação.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Diante da tendência de aumento dos casos, a rede estadual de saúde intensificou as ações voltadas à promoção de hábitos saudáveis.
As orientações incluem manter o peso adequado, praticar atividades físicas regularmente e evitar o consumo de produtos derivados do tabaco, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados.
Além disso, a Secretaria de Estado da Saúde tem ampliado o acesso regionalizado a exames de alta complexidade, como endoscopias e colonoscopias, fundamentais para a identificação precoce de diversas doenças digestivas.
Atenção Primária é a porta de entrada para o diagnóstico
A Sesa reforça que a Atenção Primária à Saúde é o primeiro passo para a prevenção e o acompanhamento clínico das doenças digestivas.
É nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que os profissionais conseguem identificar os primeiros sinais da doença e encaminhar os pacientes para exames e consultas especializadas quando necessário.
Segundo a secretaria, sintomas como desconforto persistente, perda de peso sem explicação aparente e presença de sangue nas fezes exigem avaliação médica imediata.
Após o atendimento inicial na UBS, os pacientes são encaminhados aos ambulatórios especializados da rede estadual, onde realizam exames complementares e recebem acompanhamento integral de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).





