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Apostas online

Paranaenses gastavam R$ 3,6 bilhões por ano com bets

Levantamento do Ipardes projeta acréscimo de R$ 2,3 bilhões no PIB estadual com a proibição das apostas, que ainda depende do Congresso

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Os moradores do Paraná destinavam cerca de R$ 3,6 bilhões por ano às bets, plataformas de apostas online, segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Com a proibição das apostas, o instituto estima que o valor volte à economia e some R$ 2,3 bilhões ao PIB estadual.

A projeção considera os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. O texto proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, esportivas e de jogos online, em todo o território nacional.

Para o Ipardes, a maior parte do dinheiro que ia para as apostas deve ser gasta no comércio. “Nós podemos esperar que esses R$ 3,6 bilhões serão canalizados preponderantemente, mas não somente, na atividade comercial, como o ramo varejista e atacadista, elevando o PIB do estado”, afirmou o diretor de pesquisa do instituto, Julio Suzuki.

Supermercados registram alta nas vendas

Os primeiros números do varejo alimentar vêm da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Segundo a entidade, as vendas cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com as mesmas semanas de 2025.

A alta foi puxada por itens da cesta básica, como arroz, óleo, macarrão e café. A Abras afirma que o crescimento ocorreu em supermercados, hipermercados, atacarejos e lojas de bairro, com destaque para os canais frequentados pelas classes C, D e E.

A entidade também cita dados do Banco Central. De acordo com a Abras, o número de transações por Pix caiu 10% logo após a proibição e segue 7% abaixo do patamar anterior.

“Nossa expectativa é que as bets continuem sendo proibidas. Por essas duas semanas de levantamento, demonstra-se que o aumento do consumo está em grande parte relacionado à proibição das bets que ocorreu no mesmo período”, disse o vice-presidente da Abras, Márcio Milan.

Os dados apresentados até agora ainda não permitem atribuir todo o crescimento das vendas exclusivamente ao fim das apostas. O próprio levantamento da Abras registrou alta de 7,9% na semana de 14 a 20 de setembro, quando as plataformas ainda funcionavam.

Setor de apostas contesta impacto

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa empresas do setor, argumenta que o peso das bets no orçamento das famílias é pequeno. Segundo o Ministério da Fazenda, o gasto líquido dos apostadores nas empresas autorizadas, ou seja, o total apostado menos os prêmios pagos, somou cerca de R$ 37 bilhões em 2025.

Pelas estimativas do Banco Central, as apostas online movimentavam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês no Brasil antes da proibição.

Medida ainda depende do Congresso e do STF

A MP entrou em vigor na data da publicação. Desde então, estão proibidos novos depósitos em contas de apostas. Os sites e aplicativos tiveram de sair do ar até 6 de outubro, e as autorizações federais, estaduais e distritais foram extintas em 25 de outubro. A regra atinge também as operadoras credenciadas pela Lottopar, a loteria estadual do Paraná.

Para continuar valendo, a medida precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. O Congresso Nacional tem até março de 2027 para votar o texto.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux, relator do caso, realizou na terça-feira (3) uma audiência pública para instruir o julgamento de oito ações sobre o tema.

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Apostas eram legalizadas desde 2018

As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em 2018 e regulamentadas no fim de 2023. Ao editar a MP, o governo federal avaliou que o endividamento das famílias, o comprometimento da renda e os prejuízos à saúde mental superavam a arrecadação de impostos com o setor.

Na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado estadual Romanelli (PSD) citou o estudo da Abras ao defender o fim das apostas. “O dinheiro faz falta no supermercado, no pagamento do aluguel, na compra de um medicamento”, disse.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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