Profissionais da saúde participam de capacitação sobre chikungunya

Um evento de capacitação sobre a chikungunya voltado para profissionais da área da saúde foi realizado no anfiteatro do Centro Universitário de Pato Branco (Unidep) na quinta-feira (2). Promovido pelas 7ª e 8ª Regional de Saúde do Paraná, em parceria com o Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o evento reuniu 430 participantes entre os períodos da manhã e tarde e também receberá, nesta sexta-feira (3) 180 acadêmicos dos cursos de Saúde da Unidep.

A capacitação teve como propósito o combate ao vírus da chikungunya, preparando os profissionais sobre os aspectos epidemiológicos, diagnóstico, manejo clínico e tratamento da doença, com a presença da médica infectologista Melissa Barreto Falcão e da enfermeira Camila Ribeiro, profissional que atua como consultora técnica da Coordenação Geral de Vigilância faz Arboviroses na Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em Brasília.

“A ideia é poder qualificar, melhorar a capacidade de diagnóstico e, principalmente, dos diagnósticos diferenciais de como realizar o tratamento da chikungunya”, comenta a diretora da 7ª Regional de Saúde, Márcia Fernandes de Carvalho, ao destacar que ainda não há uma epidemia, mas com a situação epidemiológica agravante do Paraguai, que passa atualmente por um surto de chikungunya, “é muito rápido para se tornar uma epidemia, então estamos preparando os profissionais para compreender a diferença entre dengue e chikungunya para poder tratar melhor os pacientes e evitar os sintomas prolongados”.

Márcia destaca que a chikungunya traz como sequela a dor articular bastante intensa e que as gestantes, idosos, crianças, imunossuprimidos e pessoas com comorbidades podem, inclusive, evoluir para óbito em caso de contaminação pela doença.

“Estamos orientando os profissionais para quando essa população chega na UBS, para oferecer o melhor atendimento possível”, afirma.

Segundo a diretora da 7ª Regional de Saúde, também é importante que a população faça a prevenção em suas casas, “esse fator faz a diferença e, aqueles que circulam bastante no Paraguai e na região de fronteira, é essencial o uso de repelente e evitar o contato com pessoas sintomáticas”.

Márcia apontou que assim como é o caso da dengue, a chikungunya também deverá poderá agir em anos cíclicos e, caso não haja um cuidado para evitar os criadouros do Aedes Aegypti, poderá acontecer uma explosão de casos de ambas as doenças no próximo ano epidemiológico.

“Ano passado tivemos uma explosão de casos da dengue. Nesse ano epidemiológico estamos com um número de casos menores, o que não quer dizer que podemos relaxar, porque agora nós entramos num ano muito chuvoso e quente, logo, no próximo ano epidemiológico que começa em junho, quando chegar o verão, teremos novamente explosão de casos de dengue e a possibilidade de muitos casos de chikungunya”.

Nove casos autóctones de chikungunya foram registrados no Paraná                                                           

Segundo a médica veterinária e chefe da divisão de doenças transmitidas por vetores da Sesa, Emanuelle Gemin Pouzato, há uma atenção especial voltada para a chikungunya no Paraná devido aos casos da doença que foram registrados no estado, nos municípios de Céu Azul (1), Curitiba (4), Foz do Iguaçu (7), Guaíra (1), Ibiporã (1), Itaipulândia (1), Jacarezinho (1), Matelândia (2), Mercedes (1) Paranavaí (1), Pato Branco (2), Santo Antônio do Caiuá (1), São José dos Pinhais (1) e São Miguel do Iguaçu (3). Do total de casos registrados, 13 são importados e nove são autóctones.

De acordo com o boletim epidemiológico publicado na terça-feira (28) pela Sesa, os casos de chikungunya no Paraná quase dobraram em relação à semana passada – passaram de 14 para 27, um salto de 92,3%.

“Há um fluxo intenso de pessoas que vem da região da fronteira no Paraguai, principalmente para a região Oeste e Sudoeste do estado e, como temos aqui o vetor de transmissão, o mesmo que transmite a dengue, e as pessoas vem contaminadas para cá, ocasionou a entrada do vírus da chikungunya”, afirma Emanuelle.  

A médica veterinária destaca a importância de realizar ações para prevenir o aumento dos casos enquanto ainda há pouca circulação do vírus. “É muito importante que nesse início da circulação no Paraná, tomar ações para que a gente possa ter todo o corpo clínico, médicos e enfermeiros capacitados”.

De acordo com Emanuelle, a sociedade precisa se engajar na remoção dos criadouros, evitando os focos que contém o mosquito para que não haja a proliferação da doença, impedindo o aumento explosivo no número de casos, evitando surtos que possam se tornar uma epidemia no Paraná.                                                             

“Até o momento, estamos em um período inicial de avaliação epidemiológica em relação a chikungunya, acho precoce a gente falar sobre uma explosão de casos ou não da doença, como tivemos com a dengue. Mas precisamos continuar avaliando e monitorando os dados epidemiológicos para poder sinalizar isso no futuro”.

Sintomas

Os primeiros sintomas da chikungunya são semelhantes aos sintomas da dengue, com febre e dores no corpo, porém, a chikungunya possui uma característica importante que são as dores fortes nas articulações que podem durar mais de seis meses. Por isso, Emanuelle aponta que, em caso de dores musculares, febre, dor no fundo dos olhos, dores nas articulações e outros sintomas, é necessário que o indivíduo busque atendimento médico.

Cuidados

Os criadouros mais comuns do mosquito da dengue são pneus, calhas, vasos, pratos de vasos, garrafas, caixas d’água sem tampa ou com a tampa quebrada, latas, lonas ou plásticos, ralos, bromélias, piscinas sem tratamento, banheiros em desuso, cisternas sem vedação adequada e recipientes que possam acumular água.

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