Reunião esclarece dúvidas sobre confiabilidade de lombadas eletrônicas

No intuito de dissipar dúvidas e promover maior transparência com ralação às lombadas eletrônicas, o Departamento de Trânsito de Pato Branco – Depatran realizou na manhã desta terça-feira (20) uma entrevista coletiva, na qual foram apresentados dados dos primeiros dias de operação dos instrumentos. A reunião, que contou com a presença de autoridades e representantes de órgãos relacionados à segurança viária, buscou demonstrar a idoneidade e confiabilidade das lombadas eletrônicas instaladas recentemente, diante de alguns questionamentos que têm surgido e desfazer suspeitas de indústria da multa.

O diretor do Depatran, Robertinho Dolenga, explicou que no período de 15 de janeiro a 15 de fevereiro, foram registradas pouco menos de 3 milhões de passagens de veículos pelas 12 lombadas eletrônicas instaladas. Essa média equivale a aproximadamente 90 mil veículos que transitam diariamente pelos locais equipados com as lombadas.

Processo de autuação em lombadas

Desse montante, observou-se o registro de excesso de velocidade em cerca de 7 mil veículos. No entanto, de acordo com Dolenga, é importante esclarecer o processo de autuação desses registros. Aproximadamente 3,5 mil desses registros se transformaram efetivamente em autuações por excesso de velocidade.

A disparidade entre o número de registros e o de autuações ocorre devido à análise minuciosa realizada pelo órgão de trânsito. Em casos nos quais haja qualquer dúvida em relação à placa, identificação do veículo na imagem registrada ou inconsistência nos dados do sistema do Detran, o registro de excesso de velocidade é descartado. Cerca de 50% dos registros de excesso de velocidade foram descartados nesse processo.

Além disso, continua Dolenga, é importante ressaltar que o próprio sistema ocasionalmente descarta registros de excesso de velocidade quando detecta inconsistências. “Um exemplo, amplamente divulgado nas redes sociais, refere-se a um caso de velocidade registrada como 120 km/h na rua Piacentini. Nesse caso específico, o equipamento apresentava um curto-circuito, e o número 1, conforme evidenciado na imagem e vídeo, já estava sendo exibido, indicando claramente a velocidade de 20 km/h. A discrepância entre o que foi registrado e o que o display indicava foi prontamente identificada, e o registro descartado devido à inconsistência evidente”, enfatizou o coordenador.

Outra situação exemplificada por Dolenga, refere-se à velocidade registrada por um veículo apresentando velocidades nos dois marcadores e distintas no display. O coordenador do Depatran esclareceu que em cada faixa existem laços indutores no pavimento informando a velocidade. “Neste caso, o veículo transitou pelo centro da via, abrangendo ambas as faixas. Devido às aferições distintas dos laços presentes nas faixas, duas velocidades diferentes foram registradas. Esse registro, considerando a inconsistência evidente, foi prontamente descartado durante o processo de análise do sistema”, disse.

O equipamento da avenida Tupi, próximo ao Comprão, é o que apresenta o maior número de passagens de veículos. Em 30 dias, registrou a passagem de 547.660 veículos por esse local. O local com a maior incidência de excesso de velocidade é na rua Itacolomi, com 1.259 registros de excesso de velocidade, enquanto o menor número ocorre na rua Pedro Ramires de Melo. A média de velocidade nesses locais hoje é de 34 km/h, enquanto antes era de 58 km/h, acima do permitido na via.

“Isso significa que temos um aumento real na prevenção de acidentes, já que quanto menor a velocidade, maior é a prevenção de acidentes. Prova disso é que não tivemos nenhum registro de acidentes nos 12 locais onde estão instaladas as lombadas eletrônicas. Esse é o objetivo principal das lombadas”, afirmou.

Conforme Dolenga, em relação às falhas no sistema, a empresa responsável pelos equipamentos foi prontamente comunicada e identificou o problema da placa em curto-circuito. Além disso, está sendo realizada a implantação de tachões, dispositivos de sinalização em blocos para a divisão das vias, a fim de inibir o tráfego no centro da pista.

“É importante destacar que, se constatado esse deslocamento, a passagem sobre os tachões configura outra infração para o condutor. No entanto, esse não é o objetivo. O objetivo é que se diminua a velocidade. Transitar sobre divisores de pista é uma infração de trânsito gravíssima”, lembrou Dolenga, reafirmando que a ideia de autuar e arrecadar como uma indústria de multas não faz sentido. “Trata-se de um posicionamento equivocado. O objetivo principal é a redução de acidentes. Pato Branco não está na contramão das campanhas e das orientações dos órgãos que tratam o Brasil como um dos países com o trânsito mais violento do mundo”, complementou.

Samu

A coordenadora geral do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná Ciruspar, que administra o Samu 192, Kelly Cristine Custódio, avaliou que, apesar do curto período de operação das lombadas, já é possível observar uma redução nos acidentes pelo Samu. Ela destacou que a questão do respeito à velocidade permitida emerge como um dos maiores aliados e fatores primordiais na prevenção de acidentes de trânsito, influenciando diretamente a gravidade das ocorrências.

Segundo ela, no período entre 15 de janeiro a 15 de fevereiro deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior, o Samu observou uma redução nos acionamentos. Em 2023, foram registrados 70 acionamentos em trinta dias, enquanto em 2024 esse número diminuiu para cinquenta e dois.

Quando analisada a gravidade das vítimas atendidas pelo SAMU, houve uma variação significativa. Em 2023, ocorreram 17 vítimas classificadas como quadro grave durante esse período; neste ano, foram 6. Quanto às vítimas classificadas como urgentes, em 2023 foram registradas 29, enquanto em 2024 houve 20.

“Podemos observar que, nos endereços onde os dispositivos eletrônicos estão instalados, não aconteceram acidentes. Além disso, a conscientização gerada pela campanha sobre a redução de velocidade já apresenta resultados. Há um consenso entre os órgãos de segurança pública e saúde, bem como nos serviços de atendimento pré-hospitalar, que apoiam totalmente a questão da redução da velocidade. Com o aumento da frota e do tráfego de veículos na cidade, os dispositivos de lombadas eletrônicas desempenham um papel crucial nesse contexto”, alertou Kelly.

Corpo de Bombeiros e Polícia Militar

O Major do Corpo de Bombeiros, Alexander Dornelas, destacou a importância das lombadas eletrônicas como alternativa às lombadas físicas no pavimento. Ele explicou que o atendimento das forças de segurança, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, assim como o SAMU, é comprometido com as lombadas físicas no pavimento. As viaturas precisam reduzir a velocidade para ultrapassá-las, enquanto o mesmo não ocorre com as lombadas eletrônicas.

O capitão da Polícia Militar, Guido Benjamin, reafirmou a necessidade de redutores de velocidade como um instrumento de apoio e controle sobre acidentes, especialmente diante do crescimento da cidade e dos problemas que eventualmente possam surgir com esse desenvolvimento. Ele alertou que outras ações ainda serão necessárias diante do aumento da frota, para promover maior segurança viária na cidade.

Para demonstrar a importância de se olhar com cuidado para a segurança no trânsito, o capitão comparou a incidência de vítimas por homicídio e no trânsito em Pato Branco. “Vejam, homicídios foram responsáveis por 9 ocorrências em Pato Branco no ano passado, enquanto vítimas de acidentes na região foram mais de 70 mortes. Pessoas produtivas, cidadãos de bem, que tiveram suas vidas ceifadas, e simplesmente achamos que isso é um dado normal. E não pode ser normal. São vidas que estão sendo ceifadas da nossa sociedade”, finalizou o capitão.

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