Bebidas açucaradas aumentam risco de demência, aponta estudo

refrigerante

Um estudo publicado no periódico The Journal of Nutrition, Health and Aging indica que o consumo excessivo de bebidas açucaradas pode aumentar o risco de demência.

Pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, analisaram dados de mais de 118 mil adultos coletados ao longo de 13 anos por meio do UK Biobank, levantamento britânico que avalia condições de saúde de meio milhão de pessoas. Por outro lado, o consumo regular de café e chá-verde aparece associado à neuroproteção.

O que o estudo revelou sobre refrigerantes e saúde cerebral

Entre os participantes que consumiam mais de um copo de bebidas açucaradas por dia, os pesquisadores observaram maior tendência a desenvolver demências, incluindo doenças como o Alzheimer. Além disso, incluir café e chá no cotidiano esteve associado à proteção do sistema nervoso.

Vale destacar, porém, que se trata de um estudo observacional. Consequentemente, ele não estabelece uma relação direta de causa e efeito. As informações sobre o consumo das bebidas partem de questionários respondidos pelos próprios participantes, o que pode tornar os resultados menos precisos.

Mecanismos que ligam o açúcar ao declínio cognitivo

“Sobre os possíveis mecanismos envolvidos, há evidências de que o excesso dessas bebidas contribua para uma sobrecarga no sistema metabólico”, afirma o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein. Além do ganho de peso, o consumo exagerado favorece a resistência à insulina, ou seja, um desajuste no metabolismo da glicose.

Neste sentido, também se eleva o risco para o acúmulo de gordura abdominal. Essa gordura fica entremeada nos órgãos e contribui para a produção de substâncias pró-inflamatórias. O artigo ainda menciona evidências de que o excesso de açúcar pode interferir em estruturas cerebrais, favorecendo o declínio cognitivo.

Bebidas açucaradas podem fazer parte da dieta?

A nutrição não proíbe nenhum alimento, mas a moderação é fundamental quando o assunto são bebidas ricas em açúcar. “A recomendação é incluir ocasionalmente e em pouca quantidade”, orienta a nutricionista Lara Natacci, pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Além disso, Natacci faz um alerta importante: essas bebidas não devem ser usadas como estratégia de hidratação. “Para essa finalidade, só vale a água mesmo”, ressalta a especialista. Por outro lado, a atenção não deve se restringir apenas aos refrigerantes. Néctares, refrescos, energéticos, chás prontos e bebidas fermentadas também merecem cuidado em relação ao teor de açúcar.

Rótulos ajudam a identificar excesso de açúcar

A dica dos especialistas é ler atentamente as informações nas embalagens. Com a nova norma para rótulos, que traz a lupa com o aviso de “alto em açúcar adicionado”, essa tarefa ficou mais fácil para o consumidor.

Café e chá-verde: aliados contra a demência

Café e chá-verde aparecem no estudo sul-coreano como aliados na redução do risco de demência. “Ambos oferecem antioxidantes”, diz Celso Cukier. Esses compostos se destacam pela capacidade de atenuar inflamações e proteger o cérebro. “Vale salientar, entretanto, que são necessários mais estudos para avaliar a quantidade e a frequência necessárias para garantir os efeitos”, afirma o médico.

Além da cafeína, o café contém fitoquímicos do grupo dos polifenóis, como ácido clorogênico, ácido gálico, ácido ferúlico e ácido cafeico. Ele também apresenta enterodiol e enterolactona, substâncias que atuam na modulação dos níveis de glicose no sangue.

Chá-verde concentra antioxidante de ação anti-inflamatória

O chá-verde, produzido a partir da erva Camellia sinensis, concentra cafeína e fenólicos. O principal deles é a epigalocatequina galato, conhecida como EGCG, um potente antioxidante de comprovada ação anti-inflamatória.

O ideal é consumir tanto o chá-verde quanto o café sem açúcar, ou com o mínimo possível. Além disso, os benefícios dessas bebidas estão diretamente atrelados ao estilo de vida. Consequentemente, incluí-las na dieta tem pouco efeito quando o cotidiano é marcado por sedentarismo, má alimentação, poucas horas de sono e muito estresse.

Fonte: Agência Einstein