ATeG do Sistema FAEP dobra lucro de produtores rurais

ATeG Sistema FAEP

As primeiras turmas da Assistência Técnica e Gerencial do Sistema FAEP, a ATeG, formaram 85 produtores rurais em quatro municípios do Paraná em 2025: Rio Branco do Sul, Cerro Azul, Mandirituba e São José dos Pinhais

Ao longo de dois anos de acompanhamento, o lucro médio das propriedades passou de R$ 492 mil para R$ 1,03 milhão, variação de 109% entre o primeiro e o segundo ciclo do programa.

Resultados expressivos em produtividade e renda

Além do lucro, outros indicadores registraram crescimento expressivo. A produtividade média subiu 59%, passando de 156,5 mil quilos no primeiro ciclo para 249,4 mil quilos no segundo. A renda bruta média cresceu 34% e a margem líquida média registrou alta de 92% no mesmo período.

“Os resultados demonstram como a assistência técnica e gerencial contribui para a organização da propriedade. Com acompanhamento contínuo, o produtor passa a ter mais clareza sobre custos, produção e planejamento”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Além disso, ele destacou que o programa vai transformar o meio rural do Paraná nos próximos anos.

Como o programa foi estruturado nas turmas-piloto

O projeto-piloto foi estruturado para testar e adaptar a metodologia à realidade paranaense, com visitas periódicas, diagnósticos técnicos e econômicos e definição de metas em conjunto com cada produtor. Os grupos eram compostos por produtores da olericultura, com cultivo de morango, mandioca e hortaliças como alface, tomate, cenoura e berinjela.

Consequentemente, os participantes passaram a adotar caderno de campo, controle de fluxo de caixa e monitoramento de indicadores produtivos e econômicos. Essas ferramentas auxiliam na tomada de decisão e no planejamento das próximas safras. Segundo a coordenadora da ATeG do Sistema FAEP, Vanessa Reinhart, os indicadores refletem o trabalho desenvolvido ao longo dos dois anos de acompanhamento sistemático.

Produtor de Rio Branco do Sul dobra resultado na segunda safra

Em Rio Branco do Sul, Diego Rausis integrou a turma-piloto e retomou o cultivo de mandioca após ingressar no programa. Com nove hectares, ele administra a propriedade ao lado do pai e tem o leite como principal atividade. Antes do acompanhamento técnico, a produtividade era de cerca de três quilos por pé de mandioca. Ao final do ciclo, a produção alcançou seis quilos por planta, com ajustes na adubação e no manejo do solo.

Na gestão, a primeira plantação de mandioca resultou em lucro médio de R$ 500 mensais. Já na segunda safra, o resultado dobrou, chegando a R$ 1 mil por mês. “Na primeira colheita já deu retorno, mas na segunda melhorou bastante. Quando a gente organiza e aplica o que foi orientado, o resultado aparece”, afirmou Rausis.

Entender custos transformou a gestão da propriedade

Para Rausis, a principal mudança foi na compreensão sobre a diferença entre custo e investimento. “A ATeG permite enxergar a propriedade como empresa. Antes eu produzia, mas não sabia exatamente quanto estava sobrando. Agora consigo ter o controle”, afirmou. Neste sentido, a mudança impactou não só a produção de mandioca, mas também a atividade leiteira da propriedade.

Família tira férias pela primeira vez após organizar a produção

Ebson Lucas Geffer, outro participante da turma-piloto em Rio Branco do Sul, conduz uma propriedade de 12 hectares com produção de mandioca, milho, abóbora, hortaliças e sistemas em agrofloresta. Durante o programa, a renda da propriedade cresceu aproximadamente 35%, resultado da organização dos custos com adubo, mudas, diárias, transporte e comercialização.

A mudança na gestão permitiu algo inédito para a família: tirar férias pela primeira vez. “Foi a primeira vez que eu consegui sair tranquilo. Deixei tudo organizado, sabia o que estava plantado, o que ia colher e quanto tinha para receber. Isso foi resultado do planejamento”, relatou Geffer. Além disso, ele passou a planejar a produção por área e por cultura, priorizando o que gera retorno mais rápido.

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Técnico de campo destaca o papel do produtor no processo

“O produtor precisa ter objetivo. Não dá para entrar na ATeG sem saber onde quer chegar. O técnico aponta os caminhos, orienta, mas quem faz acontecer é quem está no dia a dia”, afirmou Geffer. O técnico de campo Mateus Henrique de Souza reforçou essa visão. “Ao ingressar na ATeG, o produtor rural está investindo seu tempo em melhorias para a atividade, para a propriedade e para a família”, disse.

ATeG fecha 2025 com 109 turmas e 6.397 propriedades no Paraná

A experiência das turmas-piloto serviu de base para a expansão do programa em todo o estado. Em 2025, a ATeG no Paraná encerrou o ano com 109 turmas, envolvendo 6.397 propriedades em 253 municípios, que receberam 14.713 visitas técnicas ao longo do período. Consequentemente, o programa deixou de atender apenas a olericultura e passou a contemplar outras cadeias produtivas.

Entre as novas cadeias incluídas estão apicultura, bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, cafeicultura, fruticultura, grãos e cereais, ovinocultura de corte e piscicultura. Neste sentido, a ATeG do Sistema FAEP integra técnicas de manejo, organização financeira, avaliação de investimentos e planejamento de longo prazo na rotina das propriedades rurais paranaenses.