O Instituto Nacional de Meteorologia projetou, para o mês de junho de 2026, temperaturas acima da média histórica em grande parte do território brasileiro, com desvios que podem chegar a 1,5°C em áreas do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul do país. Ao mesmo tempo, o instituto aponta risco de eventos isolados de geada na fronteira com o Uruguai e nas serras de maior altitude do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. O cenário combina, portanto, calor fora do padrão para a época com episódios pontuais de frio intenso na mesma estação.
Temperaturas acima da média em quase todo o país
De acordo com o boletim climático do instituto, os termômetros devem registrar desvios positivos em praticamente todas as regiões ao longo do mês. Na porção central do território, que abrange o Centro-Oeste, o norte de Minas Gerais e o interior do Nordeste, a tendência é de dias muito quentes, com temperaturas médias acima da climatologia histórica de junho. Além disso, o norte do Paraná e o extremo oeste de Santa Catarina figuram entre as áreas com maior possibilidade de desvio, podendo alcançar 1,5°C acima da média para o mês.
No Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média em todos os estados. Em áreas como o norte de Minas Gerais e o oeste de São Paulo, os aumentos projetados também chegam a 1,5°C em relação à climatologia de junho. Por outro lado, regiões como o estado do Rio de Janeiro, a Zona da Mata Mineira e o sul de Minas, além de grande parte de São Paulo e do centro-sul do Mato Grosso do Sul, devem apresentar temperaturas dentro da média ou levemente abaixo, influenciadas pela combinação entre ar frio polar e excesso de nebulosidade.
Norte e Nordeste com calor e chuva acima do esperado
Na Região Norte, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê desvios positivos de temperatura de aproximadamente 1°C na maior parte do território. Consequentemente, as condições tendem a favorecer a manutenção da umidade do solo, especialmente nas áreas com maior volume de chuva, como o Pará, o Amapá e partes do Amazonas e de Roraima. No Nordeste, a previsão também aponta temperaturas acima da média em grande parte dos estados, com destaque para o interior da região, onde o calor se intensifica em função da baixa cobertura de nuvens e da redução das chuvas.
Geada e frio no Sul: o que a previsão indica
Apesar do padrão geral de calor acima da média, o Sul do Brasil deve registrar episódios pontuais de frio intenso ao longo do mês. O Instituto Nacional de Meteorologia aponta que eventos isolados de geada podem ocorrer na fronteira com o Uruguai e nas áreas mais elevadas das serras do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Neste sentido, a chance de uma geada de maior abrangência no Sul aumenta especialmente no fim do mês, quando a passagem de massas de ar polar tende a ser mais intensa.
A Climatempo reforça o alerta para dois episódios de queda acentuada de temperatura durante junho no Rio Grande do Sul. O primeiro deve atingir o estado entre o final da primeira quinzena e o início da segunda metade do mês. Além disso, o instituto catarinense de meteorologia e climatologia, a Epagri/Ciram, aponta que algumas massas de ar frio poderão provocar frio mais abrangente em Santa Catarina, com formação de geada nas serras catarinenses. Em casos em que o frio for acompanhado de umidade elevada, não se descarta a possibilidade de neve no Planalto Sul do estado.
A previsão do Simepar para junho de 2026 no Paraná indica temperaturas abaixo da média histórica e a ocorrência de massas de ar polar, favorecendo formação de geadas pontuais na segunda quinzena de junho.
Impacto sobre lavouras e produtores rurais
As oscilações entre o calor acima da média e as ondas de frio apresentam riscos diretos para a agricultura do Sul e do Centro-Sul do Brasil. Episódios de geada atingem com mais intensidade culturas de trigo, cevada, milho em fase de enchimento de grãos e hortaliças, que sofrem danos imediatos quando os termômetros caem abaixo de zero. Por outro lado, o calor excessivo combinado à falta de chuva no Centro-Oeste e em partes do Sudeste pressiona pastagens e lavouras de segunda safra que ainda se encontram em desenvolvimento.
Além disso, o Instituto Nacional de Meteorologia registra que dias com umidade relativa do ar abaixo de 30% nas horas mais quentes do dia são comuns na maior parte do interior do Brasil em junho. Esse nível de umidade exige atenção especial à saúde respiratória de crianças, idosos e trabalhadores rurais expostos ao sol durante a tarde. Neste sentido, a Defesa Civil e os órgãos estaduais de saúde recomendam hidratação frequente e redução das atividades físicas ao ar livre nos horários de pico do calor.
Friagem na Amazônia no fim de junho
Para a Amazônia Ocidental, a previsão aponta maior possibilidade de friagem em Rondônia, no Acre e no sul do Amazonas no fim de junho. O fenômeno ocorre quando massas de ar frio de origem polar continental avançam pelo corredor entre a Argentina e o Centro-Oeste, chegando ao interior da floresta. Consequentemente, as temperaturas noturnas podem cair para padrões incomuns para a região equatorial, causando desconforto e representando risco para cultivos mais sensíveis ao frio.
De acordo com a análise da Climatempo, o El Niño segue em desenvolvimento no Oceano Pacífico Equatorial e pode ser confirmado ainda durante junho de 2026. No entanto, por ainda estar em estágio inicial, o fenômeno não deve provocar impactos significativos no padrão climático brasileiro durante este mês. Os efeitos mais expressivos do El Niño sobre a distribuição das chuvas e das temperaturas no Brasil tendem a ser sentidos a partir do segundo semestre, quando o fenômeno ganha força.
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Nordeste: chuvas regulares no litoral, seca no interior
No Nordeste, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas acima da média no norte do Maranhão, no Piauí e na faixa litorânea entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. Por outro lado, o interior da região, especialmente o sertão, o oeste da Bahia e o Agreste, deve enfrentar volumes de chuva abaixo do esperado para o mês, com predomínio de tempo seco. Além disso, a manutenção da umidade do solo na faixa litorânea tende a beneficiar cultivos de frutas e de milho de terceira safra em áreas como o Sealba, que reúne partes de Sergipe, Alagoas e Bahia.
Centro-Oeste e Pantanal: calor seco e chuva excepcional
O Centro-Oeste deve enfrentar temperaturas médias até 1°C acima da climatologia do mês, em todos os estados. A tendência é de clima seco na maior parte da região, com volumes de chuva abaixo do normal em Goiás, no Tocantins, no centro e no sul do Mato Grosso e em áreas do Mato Grosso do Sul. Neste sentido, a redução da umidade no solo exige atenção de produtores com lavouras de segunda safra ainda em desenvolvimento, pois o déficit hídrico pode comprometer o enchimento de grãos e reduzir a produtividade.
Uma exceção no Centro-Oeste é o Pantanal, que deve ser beneficiado com volumes de chuva acima da média histórica para o mês de junho. Consequentemente, a maior disponibilidade de água favorece a recarga dos solos úmidos e o equilíbrio hídrico da planície alagável. Além disso, o regime hídrico superior à média para junho representa condição favorável para a fauna e a flora da região, que dependem da alternância de ciclos de seca e de cheia para manter os processos ecológicos típicos do bioma.
Região Sul: menos chuva que em 2025 e fim de mês mais frio
Em relação às chuvas, o Instituto Nacional de Meteorologia reforça que o Sul do Brasil não deve repetir em 2026 o volume de precipitação registrado em junho de 2025, quando grande parte da região acumulou o dobro a quase o triplo do volume normal para o mês. A previsão para este ano aponta volumes próximos ou ligeiramente abaixo da média no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina, com eventos de chuva mais dependentes da passagem de frentes frias. Além disso, a Climatempo alerta que o episódio de frio mais intenso do mês deve se concentrar no fim do período, com a segunda entrada de ar polar prevista para as últimas semanas do mês, elevando o risco de geada ampla no Sul.





