Protocolo de biossegurança e a volta às aulas presenciais: novo desafio das escolas

Dirceu Ruaro

Amigos leitores, no último texto, falei sobre uma das visões que temos sobre nossa realidade, que é a de que, certamente, pós-pandemia, “nada será exatamente como antes”.

Estamos vivendo momentos de grandes dificuldades para as escolas, para os pais, para o os professores, ou melhor, dizendo para a nossa sociedade de modo geral.

A ansiedade e a incerteza povoam nossas mentes e nossas conversas sobre muitas questões e, especialmente, sobre a questão da volta às aulas presenciais.

E essa realidade permeia desde a educação infantil aos cursos de pós-graduação. Não é pouca coisa o que vem pela frente.

Órgãos da saúde, federal, estadual e municipal é que dirão quando, em que momento, será possível estabelecer uma data para o retorno das aulas presenciais.

Nesse sentido, quero fazer uma ressalva: muitos dizem “retorno às aulas”,  permito-me discordar de que seja assim. Não se trata, na minha concepção de “retorno às aulas”, uma vez que, desde a educação infantil à superior, tivemos, e estamos tendo, algum tipo de aulas remotas, on line, videoaulas, entre tantas formas encontradas pelas instituições escolares para preencher o vazio da “presencialidade” e de alguma forma manter o aluno estudando.

Entendo que estamos falando de “volta às aulas presenciais”, e não, simplesmente volta às aulas. Entendo assim porque nesse ínterim houve muita aula, muito aprendizado de alunos, professores e escolas.

Aprendemos, para alguns à duras penas, que a educação online já é uma realidade que corre em paralelo, mas não substitui ainda o modelo convencional, e isso está ocorrendo porque de uma hora para outra, as escolas precisaram repensar seus modelos pedagógicos de forma a não impactar drasticamente, na aprendizagem e construção e conhecimentos pelos alunos. Novas metodologias, novas formas de ação, de comunicação, de ensinar e aprender precisaram ser inventadas ou adotadas.

Nesse momento, a discussão sobre um “protocolo de biossegurança” para as atividades pedagógicas presenciais, desencadeia imensa discussão desde o Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, Conselhos Estaduais, Sistemas de Educação, Redes Públicas e Privadas e, finalmente escolas, com a necessária interveniência dos órgãos de saúde.

É, sem dúvida, um momento de ebulição. De muitas propostas, de muitas orientações, e infelizmente, de muita burocratização.

Penso particularmente que, é necessário se ter uma estrutura federal, estadual e municipal, que organize a elaboração dos protocolos, mas no meu ponto de vista, as escolas precisam levar em conta seus contextos específicos.

Assim, imagino que não possa haver uma “receita” e não se pode cobrar as mesmas questões de todas as escolas. Há situações diferenciadas.

Quesitos mínimos devem ser exigidos para a volta às aulas presenciais com segurança, como totens de álcool gel, tapetes sanitizantes, materiais de limpeza de desinfecção, máscaras de tecido lavável e protetor fácil, se necessário.

Naturalmente que o protocolo de biossegurança para a volta às aulas presenciais deverá estabelecer medidas de segurança como as que são já recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), Ministério da Saúde, Ministério da Educação, órgãos estaduais de saúde e educação.

São medidas que precisam ser mantidas em sala de aula e nas dependências de uso comum, o distanciamento social. Será necessário o  cancelamento das atividades em grupo sejam esportivas, artísticas ou de outra natureza pedagógicas.

Será necessário reorganizar as rotinas de revezamento dos horários de entrada, saída, recreação, alimentação e demais deslocamentos coletivos dos estudantes no ambiente escolar.

É importante também o Controle de temperatura de estudantes e servidores bem como a existência de plano de atendimento e acomodação das pessoas que apresentarem algum tipo de sintoma e desconforto.

Além, evidentemente de toda uma rotina de higiene pessoal e ambiental.

Enfim, é mais um momento de complexidade que se aproxima. E queira Deus que seja rápido. De alguma forma, parece haver uma sinalização para o mês de setembro, mas nada é concreto ainda.

Tenho a convicção de que os órgãos dos sistemas de ensino possam construir um “guia” para a elaboração do protocolo, ao mesmo tempo simples, compreensível e prático, capaz de dar conta das diversas situações, pois, além de tudo, na rede pública, em especial no Paraná, temos a questão do transporte escolar.

Com toda a conturbação que tivemos e que ainda teremos, mesmo assim, acredito que aprendemos muito, todos nós, na verdade, “reaprendemos” muitas coisas, e uma das mais importantes agora será a dos relacionamentos interpessoais pós-pandemia, nas nossas escolas, questão que não será fácil, nós e nossos alunos somos “movidos a abraços”, pois como canta Lulu Santos: “Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/ Tudo passa, tudo sempre passará”, pensem nisso enquanto lhes desejo muita esperança/resiliência e uma ótima semana.

Dirceu Ruaro é Assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei e membro do CEE/PR

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