Conselho de Ética da Alep mantém punições a Renato Freitas

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O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) confirmou nesta terça-feira (26) a aplicação de duas medidas disciplinares contra o deputado estadual Renato Freitas (PT). As decisões preveem a suspensão das prerrogativas regimentais do parlamentar por 30 dias.

As medidas foram ratificadas após o colegiado rejeitar os pedidos de reconsideração apresentados pela defesa do deputado. O Conselho de Ética é presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL).

As representações analisadas envolvem a participação de Renato Freitas em um protesto realizado em um supermercado de Curitiba e o envolvimento do parlamentar em uma confusão registrada durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep.

Suspensão atinge prerrogativas regimentais

As punições mantidas pelo Conselho de Ética suspendem prerrogativas previstas no artigo 276 do Regimento Interno da Alep, vigente à época dos fatos apurados.

Entre as restrições estão o uso da palavra durante sessões no pequeno e no grande expediente, a candidatura ou exercício de cargos na Mesa Diretora e em comissões, além da impossibilidade de atuar como relator de proposições.

Segundo o presidente do Conselho de Ética, Renato Freitas ainda poderá recorrer das decisões junto à Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia.

Protesto em supermercado motivou uma das representações

Uma das denúncias analisadas pelo colegiado refere-se à atuação de Renato Freitas em um protesto realizado em uma unidade do supermercado Super Muffato, em Curitiba, em junho do ano passado.

A representação foi apresentada pelos deputados Tito Barichello (PL) e Ricardo Arruda (PL), além dos vereadores curitibanos Guilherme Kilter e Bruno Secco.

Durante a tramitação do processo, cinco testemunhas prestaram depoimento e o parlamentar apresentou defesa pessoal.

O relator do caso, deputado Artagão Júnior (PSD), entendeu que houve quebra de decoro parlamentar e inicialmente sugeriu suspensão do mandato. No entanto, prevaleceu o parecer divergente da deputada Secretária Márcia (PSD), que defendeu a suspensão das prerrogativas regimentais por 30 dias.

Briga na CCJ também gerou punição

Outro processo analisado pelo Conselho de Ética trata de uma briga registrada em fevereiro de 2025 durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Alep.

A confusão envolveu Renato Freitas, o deputado Márcio Pacheco (Republicanos) e o assessor parlamentar Kenny Niedzwiedz, ligado ao gabinete de Pacheco.

A defesa de Renato Freitas sustentou que o parlamentar apenas criticou a postura do assessor e que não houve aproximação física.

Mesmo assim, o colegiado manteve o parecer do relator, deputado Dr. Leônidas (PP), favorável à suspensão das prerrogativas regimentais.

Defesa alegou cerceamento e imunidade parlamentar

Durante a sessão desta terça-feira, o advogado Edson Vieira Abdala afirmou que os processos apresentam irregularidades regimentais.

Segundo a defesa, não houve admissibilidade prévia das denúncias pela Comissão Executiva da Alep, o que, na avaliação do advogado, comprometeria a validade dos processos.

Abdala também alegou cerceamento de defesa e afirmou que as manifestações de Renato Freitas estariam protegidas pela imunidade parlamentar e pela liberdade de expressão.

Além disso, questionou o fato de Artagão Júnior atuar simultaneamente como relator do caso e corregedor do Conselho de Ética.

Conselho aprova censura escrita em terceiro processo

O Conselho de Ética também aprovou relatório que prevê aplicação de censura escrita contra Renato Freitas em um terceiro processo.

A denúncia envolve declarações feitas pelo parlamentar na Tribuna da Alep contra a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná (Deppen), Ananda Chalegre dos Santos.

As falas ocorreram nas sessões dos dias 24 de março e 7 de abril de 2025, quando Freitas questionou mudanças na direção do Deppen após a morte de um preso transferido entre unidades prisionais.

Na ocasião, o parlamentar afirmou que Ananda Chalegre teria sido nomeada por ser “amiga íntima” do secretário de Segurança Pública, coronel Hudson.

A relatora do caso, deputada Secretária Márcia, entendeu que houve personalização da crítica e apontou que a fala se enquadra como ofensa moral prevista no Regimento Interno da Alep.

O deputado Doutor Antenor (PT) apresentou voto contrário ao relatório, defendendo o arquivamento da denúncia sob argumento de vencimento dos prazos regimentais. O posicionamento, porém, foi rejeitado pelo colegiado.

A decisão ainda pode ser alvo de pedido de reconsideração dentro do próprio Conselho de Ética.