Cultura

Qualidade de vida na terceira idade está fazendo população viver mais

O perfil da população brasileira vem se modificando ao longo dos anos e essas mudanças têm a ver com as melhorias das condições de vida no país. Uma pesquisa divulgada na última segunda-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou mudanças na expectativa de vida do brasileiro, cujo índice aumentou. 
No intervalo de apenas um ano, os brasileiros ganharam, em média, quase quatro meses a mais de expectativa de vida. Segundo dados do IBGE, a esperança de vida ao nascer da população do país atingiu 74,9 anos em 2013, 3 meses e 15 dias a mais do que em 2012.
Para a população masculina, o aumento foi de 3 meses e 29 dias. Os homens, porém, têm uma expectativa menor: ela passou de 71 anos em 2012 para 71,3 anos em 2013. Já para as mulheres, o ganho foi um pouco menor (3 meses e 14 dias), subindo de 78,3 anos para 78,6 anos.
O IBGE revelou ainda que a taxa de mortalidade infantil (até 1 ano de idade) em 2013 ficou em 15 para cada mil nascidos vivos e a taxa de mortalidade na infância (até 5 anos de idade) ficou em 17,4 por mil.
As informações estão nas Tábuas Completas de Mortalidade do Brasil de 2013, que apresenta as expectativas de vida às idades exatas até os 80 anos e são usadas pelo Ministério da Previdência Social como um dos parâmetros para determinar o fator previdenciário, no cálculo das aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social.

Qualidade
Porém a grande questão é se vale a pena ter uma expectativa de vida maior se não se pode usufruir de qualidade de vida durante a velhice. Por esse motivo é tão importante estar preparado para lidar com uma população maior de idosos. 
Em Pato Branco existe há mais de dois anos um trabalho para idosos realizado no Centro Unificado (CEU) das Artes e do Esporte, que atende a mais de 150 pessoas com idade acima de 50 anos, moradores nos bairros da zona Sul. 
Segundo o coordenador do CEU, Natan Bertol, nas quartas e sextas-feiras, das 8h às 10h, os idosos se reúnem para cantar, dançar e fazer atividades físicas promovidas pelo Centro, para melhorar a qualidade de vida dos participantes. Os exercícios são propostos de acordo com a necessidade e disponibilidade de cada faixa etária. 
Nas segundas-feiras, explicou Natan, também são realizadas palestras socioeducativas promovidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Sudoeste, no CEU, que fazem parte do projeto de qualidade de vida para a população da terceira idade do município.
Natan disse ainda que os idosos que participam das atividades, alguns com mais de 80 anos, comentam que tiveram uma melhora significativa na saúde e na relação social. Muitos, inclusive, melhoraram quadros de depressão e se sentem mais felizes fazendo amizades e participando das atividades, voltando a ter uma vida social mais ativa.
Na próxima sexta-feira (14), contou Natan, o CEU vai realizar o encerramento das atividades de 2014 com um evento para os idosos na Associação dos Moradores do Bairro Cristo Rei, localizada na rua Antônio Ascari. Os idosos devem participar de atividades e de momentos de confraternização. 
Segundo o IBGE, a população brasileira vem envelhecendo rapidamente, em função do declínio da mortalidade. Isso tem influência direta no aumento da longevidade dos brasileiros. Em 1980, de cada mil pessoas que atingiam os 60 anos, 656 não chegariam aos 80 anos. Em 2013, de mil pessoas com 60 anos, 427 não completariam os 80 anos, representando 229 óbitos a menos.
A expectativa de vida aos 60 anos, que era de 16,4 anos em 1980, passou para 21,8 anos em 2013, acréscimo 33%. Ou seja, em 2013, um brasileiro com 60 anos de idade viveria, em média, até os 81,8 anos, sendo 79,9 anos a média para os homens e 83,5 anos para mulheres.

Mortalidade
Dados relativos à mortalidade também foram divulgados pelo IBGE nesta segunda, apontando relação com o aumento da expetativa de vida. 
No país, o estado com a maior taxa de mortalidade infantil (considerada em crianças com menos de 1 ano de vida) foi o Maranhão (24,7 por mil nascidos vivos), e com a menor foi Santa Catarina (10,1 por mil). 
A mortalidade na infância também é maior no Maranhão (28,2 por mil) e menor em Santa Catarina (11,8 por mil). Entre 2012 e 2013, foram observados aumentos na expectativa de vida em todas as idades, principalmente nas faixas iniciais da distribuição, com ênfase nos menores de 1 ano e com maior intensidade na população masculina. 
A fase adulta (15 a 59 anos) também foi beneficiada com o declínio dos níveis de mortalidade. 
Em 2012, de mil pessoas que atingiriam os 15 anos, cerca de 848 completariam os 60 anos. Já em 2013, de mil pessoas com 15 anos, 852 atingiriam os 60 anos, isto é, foram poupadas quatro vidas para cada mil pessoas neste intervalo de idade.
Segundo dados da 7ª Regional de Saúde, na microrregião de Pato Branco o índice de mortalidade infantil tem reduzido nos últimos anos. Em 2012, foram 56 óbitos de crianças menores de 1 ano de vida; em 2013, foram 53; e este ano, até 1º de dezembro, foram registrados 51 óbitos nesta faixa etária. 

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