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Da França a Cantagalo, Tia Nena cria queijo premiado

Tia Nena desenvolveu o Aroma do Campo após missão técnica à França e conquistou o terceiro Super Ouro em 2025

queijaria tia nena

A Queijaria Tia Nena, de Cantagalo, no Centro-Sul do Paraná, ampliou mercados e criou um queijo autoral após conquistar dois selos Super Ouro em 2023. O reconhecimento no Prêmio Queijos do Paraná motivou novos investimentos e inspirou o Aroma do Campo, também premiado em 2025.

Instalada em uma propriedade de seis hectares, a queijaria recebeu as primeiras premiações com os queijos Colonial Ao Vinho e Temperado. Depois disso, participou de uma missão técnica à França, organizada pelo Sistema FAEP, que promove o concurso.

A viagem apresentou novas referências à proprietária, Solange Liller. Ao conhecer queijos decorados com flores e ervas, ela decidiu desenvolver um produto ligado à identidade da família, sem reproduzir as receitas francesas.

Aroma do Campo nasceu após missão à França

“Na volta, começamos uma conversa em família sobre criar algo inspirado nisso, mas sem copiar. Queríamos fazer um queijo da Tia Nena, com a nossa identidade”, relata Solange.

O desenvolvimento envolveu testes, erros e ajustes até chegar ao Aroma do Campo. Em 2025, o produto conquistou o selo Super Ouro na segunda edição do Prêmio Queijos do Paraná.

Para a proprietária, o reconhecimento mudou a forma como a família conduzia o negócio. A produção, antes comercializada sem maior valorização, passou a atrair consumidores interessados na origem e na história dos queijos.

“Antes, a queijaria estava patinando, vendendo queijo sem valor agregado. Depois do prêmio, as pessoas passaram a procurar um queijo premiado, conhecer a história da queijaria. Isso mudou completamente a nossa motivação. Passamos a trabalhar mais animados, com vontade de crescer, inovar e investir”, afirma.

Queijaria Tia Nena conquistou novos mercados

Segundo Solange, as vendas cresceram logo após a primeira premiação, em 2023. A procura superou a disponibilidade de produtos naquele momento.

“O aumento das vendas foi automático, na mesma semana. O pessoal queria conhecer, queria saber qual era o queijo premiado. Tanto que faltou produto”, relembra.

Até então, a família vendia na propriedade e no comércio de Cantagalo, município com cerca de sete mil habitantes. Posteriormente, a queijaria conquistou a certificação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), permitindo a comercialização em todo o Paraná.

“Hoje temos clientes em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e em outras regiões do Estado. Já temos contatos de pessoas de fora, que conheceram nossa queijaria por causa do prêmio”, afirma a proprietária.

Além da expansão geográfica, o negócio passou a atender públicos como empórios, hotéis e restaurantes. Os queijos frescos começaram a dividir espaço com produtos voltados a consumidores que valorizam a produção artesanal.

As medalhas nos rótulos também se tornaram uma ferramenta de divulgação. De acordo com Solange, elas despertam perguntas sobre a premiação e ajudam a iniciar negociações.

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Família amplia estrutura e planeja turismo rural

A propriedade, antes dedicada apenas à produção de leite, encontrou na fabricação de queijos uma alternativa para agregar valor à matéria-prima. Com os prêmios e o crescimento da demanda, a família ampliou a estrutura.

Agora, os planos incluem novos investimentos, inclusive no turismo rural, motivados pela visibilidade conquistada no concurso.

“Quando começamos a transformar o leite em queijo, melhorou. Mas, quando vieram os prêmios, o queijo deixou de ser só um alimento e passou a ser um produto artesanal reconhecido”, afirma Solange.

Na avaliação da produtora, a premiação também estimula a busca por conhecimento, cursos e melhorias na produção artesanal paranaense.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, relaciona esses resultados aos objetivos da iniciativa.

“O prêmio nasceu para valorizar o produtor rural, incentivar a qualidade e ajudar a construir uma identidade queijeira para o Paraná. Quando vemos uma pequena propriedade ampliar mercado, agregar valor ao produto e gerar renda, temos a certeza de que estamos no caminho certo”, afirma.

Terceira edição recebe inscrições

A terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná está com inscrições abertas. A organização espera reunir cerca de 600 queijos, além de aproximadamente 100 produtos no inédito Concurso Queijo Colonial do Paraná.

O lançamento ocorreu em junho, com a abertura das inscrições para as duas iniciativas. Os interessados podem consultar os regulamentos e acessar o formulário na página do Prêmio Queijos do Paraná.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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