A Educação Infantil desenvolve habilidades que servirão de base para a alfabetização muito antes de a criança escrever as primeiras palavras, segundo especialistas em educação. Ouvir histórias, cantar, inventar personagens e observar ilustrações ampliam o vocabulário e a capacidade de comunicação nos primeiros anos de vida.
Como primeira etapa da educação básica, a Educação Infantil compreende a creche, para crianças de até três anos, e a pré-escola, para crianças de quatro e cinco anos.
No Brasil, a matrícula é obrigatória a partir dos quatro anos. Antes disso, o acesso à educação é um direito da criança e pode oferecer um ambiente planejado para favorecer o desenvolvimento.
Brincar também é aprender
A analista de pareceres pedagógicos da Aprende Brasil Educação Wellem Offmann afirma que essa fase envolve diferentes dimensões da formação infantil.
“Cada momento de afeto, brincadeira, interação e descoberta contribui para a construção de bases importantes para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. A Educação Infantil, portanto, ocupa um lugar importante nesse processo, principalmente quando consideramos que muitos bebês e crianças passam grande parte do dia nesses espaços”, disse.
Segundo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e estudos sobre a infância, é preciso respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem e garantir vivências baseadas na interação, nas brincadeiras e no afeto.
Linguagem vem antes das letras
“A alfabetização não se constrói apenas no encontro com as letras. Ela também se alimenta das experiências, das relações, dos conhecimentos, das perguntas, das palavras e das imagens que a criança vai construindo sobre o mundo”, afirmou a pedagoga Hannyni Mesquita, gerente pedagógica da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Centro de Inovação Pedagógica, Pesquisa e Desenvolvimento dos colégios da Rede Positivo (CIPP).
Para ela, natureza, arte, literatura e brincadeira fazem parte desse processo. “Elas oferecem matéria para a linguagem: ampliam vocabulário, oralidade, imaginação, conhecimento de mundo, repertório cultural e possibilidades de expressão”, disse Hannyni.
Creche não é preparação para o ensino fundamental
Frequentar a Educação Infantil antes dos quatro anos não significa antecipar conteúdos nem transformar a creche em preparação formal para o ensino fundamental. Na primeira infância, aprender envolve conversar, ouvir, movimentar-se, imaginar, conviver, perguntar, observar e brincar.
“É nas brincadeiras, nas interações com outras crianças e adultos, nos cuidados, nas histórias, nas descobertas e nas diferentes formas de explorar o ambiente que bebês e crianças ampliam seu repertório e seu conhecimento de mundo. Progressivamente, aprimoram a linguagem, a comunicação, o raciocínio lógico-matemático, a autonomia e a compreensão de si e do outro, além de construírem vínculos”, afirmou Wellem.
Escola e família
Na escola, educadores acompanham o desenvolvimento da criança e planejam propostas adequadas à faixa etária. O trabalho conjunto com a família permite acompanhar as conquistas e as necessidades de cada criança.
A criança leva para a escola vínculos e referências de casa, e o ambiente escolar oferece novas possibilidades de convivência e investigação.
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Sem pressa para aprender
O impacto dos primeiros anos no desenvolvimento não significa que seja necessário acelerar a aprendizagem. A Educação Infantil deve respeitar os diferentes percursos de cada criança e reconhecer as atividades lúdicas como parte do processo.
Por isso, além de garantir o acesso, é importante observar o que acontece nesses espaços. Ambientes acolhedores, profissionais em formação constante e propostas que combinem o livre brincar com atividades planejadas fazem parte dessa etapa.

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