O Ibovespa, principal índice da B3, e o dólar fecharam em queda nesta terça-feira (6). A bolsa recuou 0,52%, aos 205.835 pontos, em movimento de realização de lucros após o rali do primeiro turno. A moeda americana caiu 0,55%, a R$ 4,97, menor valor desde maio.
Segundo a agência Reuters, o índice caiu 0,52%, a 205.835,29 pontos, após marcar 204.725,23 na mínima e 209.522,60 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 58,06 bilhões.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,55%, a R$ 4,9745, a menor cotação de fechamento desde 12 de maio deste ano, quando atingiu R$ 4,8949.
Bolsa devolve parte do rali eleitoral
A queda desta terça ocorreu um dia após a disparada da segunda-feira (5). De acordo com a Reuters, o Ibovespa atingiu na véspera o maior nível intradiário, aos 209 mil pontos, e o recorde de fechamento, a 206.911,89 pontos.
Os recordes foram uma resposta ao resultado eleitoral de domingo, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Para Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, o recuo reflete a revisão de preços de ativos que subiram demais. “É relativamente normal termos um período de respiro em altas tão grandes”, disse.
Mesmo com o recuo, o índice segue acima dos 200 mil pontos. Conforme a Agência Brasil, em outubro, após quatro pregões, o Ibovespa acumula alta de 10,46%. No ano, o avanço chega a 27,75%.
Banco do Brasil lidera as quedas
Entre as ações, Banco do Brasil ON recuou 6,42%, liderando as quedas do Ibovespa. Pela manhã, o JP Morgan rebaixou a recomendação para o papel de “neutro” para “underweight”.
A Petrobras também pesou no índice. Petrobras PN recuou 2,78% e Petrobras ON perdeu 1,8%. Vale ON recuou 1,44%. No setor, Usiminas PNA recuou 1,88%, enquanto Gerdau PN teve declínio de 1,01%.
Do lado positivo, os bancos privados avançaram. Itaú Unibanco PN subiu 1,96%, Bradesco PN avançou 4,4%, Santander Brasil Unit subiu 3,23% e BTG Pactual recuou 2,81%.
Dólar soma queda de 9,37% em 2026
A moeda americana chegou a cair mais pela manhã. A Agência Brasil informou que a mínima foi de R$ 4,945, às 10h11, o que representou baixa de 1,14% no momento.
Com o resultado desta terça-feira, o dólar acumula queda de 9,37% em 2026. Nos dois últimos pregões, a baixa chega a 4,62%, considerando o tombo de 4,12% registrado na segunda-feira. A Reuters registrou que foi a maior queda diária em mais de 8 anos.
Segundo a agência, por trás do movimento está a perspectiva de que, com Flávio Bolsonaro no Planalto, crescem as chances de um ajuste das contas públicas, ainda que o candidato ainda não tenha apresentado propostas concretas para isso.
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, avaliou que o mercado começa a projetar a moeda abaixo de R$ 5 e que a entrada de capital estrangeiro, via títulos públicos ou bolsa, exige a troca de dólares por reais, o que pressiona a cotação.
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Cenário externo e petróleo
O ambiente internacional também contribuiu. O dólar recuou diante de outras moedas de países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e o peso chileno. Em Nova York, as bolsas subiram com a queda do petróleo e a retração de rendimentos dos Treasuries. O S&P 500 subiu 0,57%.
No mercado de commodities, o barril do tipo Brent, referência para as negociações internacionais, subiu 0,26% e terminou a sessão a US$ 100,58. O barril WTI, do Texas, avançou 0,01%, para US$ 89,44.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial em operação de rolagem do vencimento de 3 de novembro.
Projeção para o Ibovespa
Em relatório, o Itaú BBA indicou que o índice confirma a volta à tendência de alta, com alvo na região de 220 mil pontos no curto prazo e 245 mil pontos no médio prazo, desde que se mantenha acima do suporte de 181.500 pontos.

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