De conselhos a piadas, Mari Paraíba e Jaque são inseparáveis no Pan

MARCEL MERGUIZO, ENVIADO ESPECIAL
TORONTO, CANADÁ (FOLHAPRESS) – No treino, na Vila ou após um jogo, é praticamente impossível ver Mari Paraíba e Jaqueline separadas.
Uma é nascida em Recife (PE); a outra, em Campina Grande (PB). Mas não foi só essa ligação nordestina que as aproximou. Afinal, foi apenas no time do Minas, na temporada passada, que elas se tornaram grandes amigas.
Hoje, mesmo após momentos tensos, como a vitória por 3 a 2 sobre Porto Rico, na semifinal do Pan, elas se divertem uma com a outra.
“A Mari diz que tem 29, mas ela tem uns 20 só, olha”, brinca Jaque, 31. “Mentira, ela é quase ‘véia’ igual a mim”, completa a bicampeã olímpica sobre uma das novatas da seleção.
As duas continuam rindo uma da outra quando Jaque praticamente se declara para a amiga. “Ela está me dando muita força aqui. Sou a única mãe do time, e ela está me ajudando no que eu precisar. Ela é uma palhaça”, afirma, arrancando risos da companheira.
“Não pareço, né? Mas não paro de falar besteira”, concorda Mari. “Aqui é muito tenso, o ambiente de jogo é tenso. Até para esquecer um pouco disso tento brincar”, completa a ponteira que, novamente, precisou substituir Jaqueline no jogo.
A bicampeã olímpica ainda sente dores na lombar e não consegue executar todos os movimentos em quadra. No último jogo da primeira fase ela foi poupada pelo técnico José Roberto Guimarães. Mari entrou e foi muito bem. Nesta quinta (23), Jaque iniciou a partida contra as porto-riquenhas, mas deu lugar a Mari de novo, uma das jogadoras mais importantes na espetacular virada do Brasil, que perdia por 2 a 0.
“Foi um jogo de superação. Ainda estou sentindo muita dor. Tomei anti-inflamatório, joguei com uma cinta, mas sentia muito uma contratura, uma dor no cóccix. Na final, nem que seja no banco, vou estar lá e vamos ganhar de qualquer jeito”, afirma Jaque.
Mari também está empolgada para sua primeira final com a seleção brasileira, no sábado, às 21h30 (de Brasília). E a inspiração é a própria Jaque.
“Sempre a admirei muito, atacando, passando. A Jaque tem uma história muito parecida com a minha. Temos o mesmo jeito, é um ‘feeling’ bom”, diz Mari.
A proximidade vai além das quadras, segundo Mari. “Ela é casada, eu estou solteira. Então ela me dá umas dicas. Se falo de alguém ela diz para investir ou não. Não é daquelas amigas que falam para sair pegando qualquer um”, diz.
Contudo, reserva ou titular, casada ou solteira, seja nos conselhos amorosos seja nas dicas para ajudar a seleção brasileira no Pan, a amizade de Jaque e Mari em Toronto já rendeu medalha de ouro em diversão para as duas.

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