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Greening avança e já atinge 164 municípios do Paraná

Doença transmitida pelo psilídeo-dos-citros exige retirada de plantas infectadas, monitoramento dos pomares e controle do inseto vetor.

greening

O greening, doença que afeta os cultivos de frutas cítricas, já foi registrado em 164 municípios do Paraná, segundo levantamento da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná até dezembro de 2025. Diante do avanço, produtores precisam intensificar o monitoramento, controlar o inseto transmissor e eliminar plantas contaminadas.

A doença é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp e transmitida pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri).

Os registros abrangem diferentes regiões paranaenses, entre elas Norte, Noroeste e Vale do Ribeira, áreas com presença da produção de frutas cítricas.

Doença provoca queda de produção

Nos pomares, o greening pode provocar amarelamento irregular das folhas, manchas nos frutos e redução da produtividade.

A infecção também pode levar à morte precoce das árvores.

A circulação do psilídeo entre propriedades amplia o risco para municípios vizinhos, já que o inseto pode transportar a bactéria de plantas infectadas para pomares saudáveis.

“A sanidade depende do compromisso de todos os elos da cadeia produtiva. Precisamos unir esforços para que a orientação chegue ao produtor e se traduza em ações no campo”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Segundo ele, o controle individual também interfere na situação sanitária das propriedades próximas.

“No combate ao greening, o cuidado em cada propriedade contribui para proteger os pomares de toda a região e do Paraná”, acrescentou.

Portaria estabelece novas obrigações

A Portaria 105/2026 da Adapar, publicada em março, estabeleceu medidas para prevenir novas infecções e controlar focos existentes.

A norma determina o cadastro das propriedades que mantêm produção comercial de citros com pelo menos 50 plantas.

Nos municípios com ocorrência de greening e nas cidades limítrofes, os produtores devem monitorar e controlar o psilídeo conforme a metodologia da Adapar.

Os pomares comerciais também precisam passar por vistorias trimestrais.

Os produtores devem apresentar dois relatórios anuais com os resultados das inspeções, com prazos até 15 de julho e 15 de janeiro.

Erradicação depende da idade das plantas

A norma também estabelece critérios para a retirada de árvores infectadas.

Em imóveis que realizam manejo eficiente do inseto, plantas com até oito anos ou com mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente.

Para plantas entre nove e 12 anos, o prazo para retirada é de quatro anos.

Árvores entre 13 e 15 anos podem permanecer por até três anos, contados a partir da publicação da portaria.

Ao final do período de quatro anos previsto pela norma, a retirada das plantas contaminadas passa a ser imediata, independentemente da idade.

Quando mais de 50% das plantas de um talhão apresentarem sintomas, todas as árvores da área devem ser eliminadas.

Áreas urbanas também entram na fiscalização

O combate ao greening não se limita aos pomares comerciais.

A fiscalização também alcança plantas cultivadas em quintais urbanos, áreas rurais não comerciais, viveiros e estabelecimentos que comercializam mudas.

Segundo o chefe de divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, Diego Juliani de Campos, essas plantas também podem contribuir para a manutenção da bactéria e do inseto transmissor.

“Essas áreas não comerciais e urbanas, apesar de terem menos plantas, contribuem para a disseminação da doença, para manter a bactéria e também a presença do psilídeo”, explicou.

Nos municípios onde a doença já ocorre, não é permitida a manutenção de plantas hospedeiras em áreas não comerciais localizadas em um raio de quatro quilômetros dos pomares comerciais.

Fora dessa distância, as plantas podem permanecer, desde que não apresentem sintomas.

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Mudas precisam permanecer protegidas

Produtores e comerciantes de mudas também devem estar cadastrados na Adapar e cumprir as exigências sanitárias.

Entre as medidas está a manutenção das mudas em ambientes protegidos por telas, evitando o contato com o psilídeo durante a produção e a comercialização.

Nos municípios onde o greening ainda não foi registrado, folhas de plantas com sintomas suspeitos são coletadas e encaminhadas ao laboratório da Adapar, em Curitiba.

A técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Elisangeles Baptista de Souza, reforça que o trabalho precisa envolver propriedades vizinhas.

“A prevenção exige atenção mesmo onde ainda não há sinais da doença. Uma propriedade pode manter o controle do próprio pomar e continuar exposta ao inseto vindo de áreas próximas”, afirmou.

Segundo ela, identificar plantas com sintomas, controlar o psilídeo e eliminar fontes de contaminação são medidas que dependem da participação conjunta dos produtores.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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