A montagem da rede de supercomputadores inédita no Brasil, que vai atender as universidades estaduais do Paraná, será realizada em Pato Branco, no Sudoeste do Estado, na sede da Hi-Mix. A empresa paranaense venceu a licitação para a instalação dos equipamentos e, nesta semana, uma equipe está na Índia para definir os detalhes técnicos da linha de montagem, em parceria com o Centre for Development of Advanced Computing (C-DAC), instituição de pesquisa ligada ao governo indiano.
A iniciativa é fruto de parceria do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária, com o C-DAC. “O principal objetivo desta viagem é definir os detalhes da linha de montagem que será implantada na Hi-Mix, além de avançarmos na transferência de conhecimento entre as equipes”, explicou Celso Saito, diretor da empresa.
Produção começa após adequações na fábrica de Pato Branco
Segundo Saito, a volta da equipe ao Brasil marca o início das adequações necessárias na fábrica de Pato Branco. “Na volta ao Brasil, iniciaremos as adequações necessárias na fábrica e, em seguida, receberemos especialistas da VVDN, nossa parceira no desenvolvimento dos HPCs, que acompanharão a homologação da linha e o início da produção dos equipamentos”, complementou o diretor.
A Hi-Mix também está trabalhando em conjunto com as universidades nos requisitos necessários para a instalação dos equipamentos. “A infraestrutura dos data centers das universidades faz parte de outro escopo do projeto, mas a Hi-Mix está prestando apoio técnico para que essa integração aconteça da melhor forma”, disse Saito.
A montagem dos equipamentos deve ocorrer de forma gradual, conforme a disponibilidade de componentes junto aos fornecedores indianos. “Um dos motivos da nossa visita à Índia é acompanhar de perto a disponibilidade desses componentes junto aos fornecedores, para alinhar o cronograma e preparar todas as etapas para que a produção aconteça no Brasil da forma mais eficiente possível”, afirmou o diretor da Hi-Mix.
Rede terá oito supercomputadores em universidades paranaenses
A Rede Estadual de Computação de Alto Desempenho prevê a instalação de oito supercomputadores, também chamados de HPC, que ficarão nas universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), do Paraná (Unespar), do Oeste do Paraná (Unioeste), do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e do Norte do Paraná (UENP), além de uma máquina otimizada para inteligência artificial no Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Londrina.
Após a etapa na Índia, uma equipe da Hi-Mix deve retornar ao país asiático para acompanhar os últimos detalhes e trazer especialistas indianos ao Brasil, garantindo a transferência completa de tecnologia. A capacitação vai permitir que a equipe de Pato Branco realize a montagem dos equipamentos e, posteriormente, compartilhe esse conhecimento com a Fundação Araucária.
Depois da montagem e dos testes na Hi-Mix, os equipamentos serão enviados para instalação nos data centers das universidades. A última etapa do projeto inclui a instalação de softwares e aplicativos, além de workshops e treinamentos para pesquisadores e equipes técnicas.
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Projeto nasceu de acordo com a Índia em 2024
A iniciativa é resultado de um Memorando de Entendimento assinado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior com o C-DAC durante missão oficial à Índia em 2024. O centro indiano é referência mundial em supercomputação e vai garantir a transferência de tecnologia e a capacitação de pesquisadores paranaenses.
O objetivo é que a Rede Estadual de Computação de Alto Desempenho fortaleça a pesquisa acadêmica, estimule a indústria nacional de tecnologia e forme profissionais qualificados. A expectativa é impulsionar avanços em áreas como inteligência artificial, pesquisa genômica e produção de medicamentos para o combate ao câncer.
O HPC possibilita o processamento de grandes volumes de dados e a execução de cálculos complexos de forma rápida, com aplicações em física, química, biologia, meteorologia e engenharia. Na indústria, a tecnologia viabiliza desde a prospecção de petróleo e gás até o desenvolvimento de novos fármacos e a simulação de testes de colisão. Na agricultura, contribui para a análise de dados de sensoriamento remoto e a previsão de safras.


















