O Ibovespa fechou em queda de 1,15% nesta quinta-feira (22), aos 204.120,12 pontos, com cautela antes do segundo turno da eleição presidencial, alta do petróleo e queda das bolsas de tecnologia nos Estados Unidos. O dólar comercial subiu 0,22% e terminou cotado a R$ 5,038.
O principal índice da B3 perdeu 2.375,11 pontos no dia. A máxima foi de 206.493,11 pontos e a mínima, de 203.051,87 pontos. O volume financeiro somou R$ 39,5 bilhões.
No câmbio, o dólar oscilou entre R$ 5,022 e R$ 5,056 e teve a segunda alta seguida. A Ptax, taxa de referência do Banco Central, fechou em R$ 5,0377 na compra e R$ 5,0383 na venda.
Vale e siderúrgicas lideram as quedas
As maiores baixas do Ibovespa foram de CSN (CSNA3), com recuo de 5,43%, Usiminas (USIM5), com 4,81%, Embraer (EMBJ3), com 4,66%, Vale (VALE3), com 3,97%, e Gerdau (GGBR4), com 3,92%, de acordo com a B3.
A Vale fechou a R$ 61,49 e acumula queda de quase 12% em outubro. O minério de ferro recuou 1,62% em Dalian, na China, para 669 iuanes por tonelada,. As siderúrgicas também foram pressionadas pela queda de 7,2% nas vendas de aço plano pelos distribuidores em setembro, na comparação anual.
Entre as maiores altas ficaram BB Seguridade (BBSE3), com 2,05%, PRIO (PRIO3), com 1,85%, Vivo (VIVT3), com 1,65%, Marcopolo (POMO4), com 1,50%, e Ambev (ABEV3), com 1,26%.
Bancos em queda e Petrobras estável
Os grandes bancos fecharam no vermelho. Itaú (ITUB4) caiu 1,84%, Bradesco (BBDC4) recuou 2,08% e Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 0,75%. O Bradesco divulga o balanço do terceiro trimestre após o fechamento do mercado.
Na contramão, a Petrobras (PETR4) subiu 0,14%, apoiada na alta do petróleo.
Eleição e exterior pesaram
O mercado operou à espera da pesquisa Datafolha do segundo turno, prevista para as 19h. A Quaest mostrou Flávio Bolsonaro (PL) com 45% e Lula (PT) com 44%, empate técnico. A eleição será no domingo (25), e o último debate na TV está marcado para sexta-feira (23).
Segundo dados da B3 citados pelo InfoMoney, a procura por opções de venda (puts), usadas como proteção contra quedas, cresceu mais de 90% entre 5 e 20 de outubro.
Lá fora, a Nasdaq caiu 2,60%, aos 26.008,86 pontos, e o S&P 500 recuou 1,21%, aos 7.663,39 pontos. O Dow Jones subiu 0,02%, aos 52.866,85 pontos. As ações de tecnologia foram pressionadas pelas dúvidas sobre os gastos com inteligência artificial, após a Meta projetar investimentos de US$ 135 bilhões a US$ 145 bilhões no ano.
O petróleo Brent subiu 4% e fechou a US$ 113,17 o barril, com novas tensões no Oriente Médio.
Juros futuros avançam
Os contratos de juros futuros fecharam em alta. O DI para janeiro de 2027 foi a 13,501%, e o de janeiro de 2029, a 12,710%, alta de 0,15 ponto percentual.
No campo fiscal, a Receita Federal informou que a arrecadação federal de setembro cresceu 5,62% em termos reais, recorde para o mês.
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O que dizem os analistas
“O mercado acompanha o exterior e também há um pouco de cautela em relação às últimas pesquisas eleitorais”, afirmou Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Segundo ele, a menor distância entre os candidatos nas pesquisas aumentou a cautela.
Para Josias Bento, sócio da GT Capital, a queda combinou a tensão eleitoral com a aversão ao risco no exterior. Ele também apontou preocupação fiscal: “os candidatos até agora não mostraram ou falaram de um plano de contingência para controlar as contas públicas”, disse ao InfoMoney.
O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, destacou o peso do cenário internacional. “Lá fora, o clima mais pesado reduz a disposição para assumir risco”, afirmou.
O que esperar
Na sexta-feira (23), o mercado repercute o balanço do Bradesco, a pesquisa Datafolha e a prévia da inflação de outubro, o IPCA-15. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve decide os juros em 28 de outubro. Segundo a ferramenta CME FedWatch, a chance de manutenção da taxa é de 87%.

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