Novo remédio para enxaqueca é aprovado pela Anvisa

nurtec odt

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Nurtec ODT, novo medicamento indicado para o tratamento e a prevenção da enxaqueca em adultos. A decisão representa a chegada de uma nova opção terapêutica para milhões de brasileiros que convivem com a doença.

Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda não está disponível para compra. Segundo a Pfizer Brasil, fabricante do produto, a expectativa é iniciar a comercialização no primeiro semestre de 2027, após a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

O medicamento utiliza a molécula rimegepanto e poderá ser usado tanto para aliviar crises quanto para prevenir novos episódios de enxaqueca.

Vai precisar de receita médica?

Sim. O Nurtec ODT foi aprovado pela Anvisa como medicamento de tarja vermelha, o que exige apresentação de receita médica para a compra.

No entanto, a agência informou que não haverá retenção da prescrição na farmácia.

O modelo é semelhante ao adotado para diversos medicamentos de uso contínuo disponíveis atualmente no mercado brasileiro, nos quais o paciente apresenta a receita apenas para comprovar a indicação médica.

Quando o medicamento chegará às farmácias?

Ainda não existe uma data oficial para o início das vendas.

De acordo com a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro, a previsão é que o medicamento esteja disponível no país durante o primeiro semestre de 2027.

Antes disso, o produto precisa passar pelo processo de definição de preço junto à CMED, órgão responsável por estabelecer os valores máximos para comercialização de medicamentos no Brasil.

A Anvisa destaca que não possui mecanismos para obrigar uma empresa a lançar um produto já registrado, cabendo à fabricante decidir quando iniciará a distribuição.

Quanto vai custar?

O preço do Nurtec ODT ainda não foi divulgado.

Segundo a Pfizer, o valor será definido após análise da CMED, que considera critérios regulatórios e referências internacionais baseadas nos preços praticados em outros países onde o medicamento já é comercializado.

Somente após a conclusão dessa etapa será possível conhecer o custo do tratamento para os pacientes brasileiros.

Quem poderá utilizar o novo tratamento?

A aprovação da Anvisa contempla o uso do medicamento em adultos diagnosticados com enxaqueca.

O registro permite tanto o tratamento das crises quanto a utilização preventiva para reduzir a frequência dos episódios. A indicação, porém, dependerá da avaliação médica individual de cada paciente.

Segundo o Ministério da Saúde, a enxaqueca afeta cerca de 30 milhões de brasileiros. Além da dor de cabeça intensa, a condição pode causar náuseas, vômitos e sensibilidade à luz, sons e odores.

Como o Nurtec ODT funciona?

O medicamento utiliza o rimegepanto, substância pertencente à classe dos chamados gepantes.

Esses fármacos atuam bloqueando a ação do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), proteína envolvida nos mecanismos responsáveis pelo surgimento e pela manutenção da dor durante as crises de enxaqueca.

Segundo a neurologista Sara Casagrande, integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, uma das principais vantagens do medicamento é sua dupla finalidade.

De acordo com a especialista, o remédio pode ser utilizado tanto para interromper uma crise em andamento quanto como estratégia preventiva para reduzir a frequência dos episódios.

Diferença em relação aos tratamentos atuais

Outro diferencial apontado pela neurologista é a forma de administração do medicamento.

Atualmente, grande parte dos tratamentos que atuam contra o CGRP disponíveis no Brasil é aplicada por meio de injeções. O Nurtec ODT, por sua vez, é administrado por via oral.

Além disso, o rimegepanto não provoca vasoconstrição, mecanismo presente em alguns tratamentos tradicionais para enxaqueca que promovem o estreitamento dos vasos sanguíneos.

Quais apresentações foram aprovadas?

O registro concedido pela Anvisa contempla a concentração de 75 mg em embalagens com duas, oito e dezesseis unidades.

O produto é apresentado na forma de liofilizado orodispersível, uma formulação que se dissolve rapidamente na boca, sem necessidade de água.

A Pfizer informou que pretende lançar inicialmente no mercado brasileiro as versões com dois e oito comprimidos.

Até o início da comercialização, o medicamento seguirá as etapas regulatórias relacionadas à definição do preço e à preparação para o lançamento no país.