A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 106 pessoas nesta quarta-feira, 14 de outubro, durante uma megaoperação contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. A ação, realizada com o Ministério Público do Paraná (MPPR), mobilizou mais de 500 policiais em três estados.
Entre os presos está uma advogada de Realeza, no Sudoeste do Paraná, identificada durante as investigações por supostos vínculos com a organização criminosa. A operação ocorreu em 23 municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, com o cumprimento de 92 mandados de prisão e 120 de busca e apreensão.
Durante as diligências, os policiais apreenderam drogas, armas, munições, celulares e documentos. Entre os materiais encontrados estavam 38 pés de maconha cultivados em uma estufa em Curitiba. As equipes também realizaram 14 prisões em flagrante por ilícitos identificados durante a operação.
Megaoperação da PCPR termina com 106 presos
O balanço divulgado pela Polícia Civil aponta a prisão de 106 pessoas e o cumprimento de 212 mandados judiciais, sendo 92 de prisão e 120 de busca e apreensão.
Megaoperação da PCPR: balanço
14 de outubro de 2026 | Paraná, Santa Catarina e São Paulo
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Prisões em flagrante | 14 |
| Maconha apreendida | 1 kg |
| Cocaína apreendida | Mais de 300 g |
| Pés de maconha | 38 |
| Armas de fogo | 3 |
| Outros materiais | Celulares, munições e documentos |
Fonte: Polícia Civil do Paraná (PCPR). Balanço divulgado em 14/10/2026. Os 106 presos incluem 92 prisões por mandados e 14 em flagrante.
Advogada de Realeza está entre os presos
Uma advogada de Realeza foi presa durante a operação. Segundo a PCPR, a profissional foi identificada no decorrer da investigação por manter vínculos com a organização criminosa.
A Polícia Civil não informou o nome da advogada nem detalhou, no balanço divulgado, quais condutas específicas são atribuídas a ela.
A investigação busca identificar a participação de diferentes integrantes na estrutura do grupo, incluindo pessoas responsáveis pela comunicação, distribuição de drogas e movimentação financeira.
Operação atinge 23 municípios de três estados
Os mandados foram cumpridos em 20 municípios do Paraná, uma cidade de Santa Catarina e duas de São Paulo.
No Paraná, as diligências ocorreram em Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Santa Izabel do Oeste, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Piraquara, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Capanema, Salto do Lontra, Santo Antônio do Sudoeste, Itaipulândia, Santa Helena, Barracão e Cruzeiro do Oeste.
Em Santa Catarina, a operação chegou a Abelardo Luz. Em São Paulo, os policiais cumpriram mandados em São Carlos e Cotia.
A investigação começou em Clevelândia, no Sudoeste paranaense, após a apuração de crimes violentos atribuídos ao grupo.
Investigação começou com casos de tortura em Clevelândia
A Polícia Civil iniciou as investigações em Clevelândia após identificar crimes violentos atribuídos à organização criminosa.
Segundo a PCPR, integrantes do grupo praticavam tortura e cárcere privado contra vítimas acusadas de “traição”. A organização também utilizava ameaças e intimidação para cobrar dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
Durante a apuração, os policiais identificaram uma rede de transporte e distribuição de entorpecentes entre diferentes cidades.
A investigação apontou que o grupo utilizava depósitos para armazenar drogas e controlava pontos de venda à distância.
As lideranças presas negociavam a compra e a distribuição de grandes quantidades de cocaína, crack e maconha para revenda em diferentes regiões, com preços tabelados.
Celulares clandestinos eram usados para transmitir ordens
Ao investigar a origem das determinações relacionadas aos crimes violentos, a PCPR identificou celulares clandestinos apreendidos em uma penitenciária do Sudoeste do Paraná.
A análise dos aparelhos ajudou a revelar a comunicação entre integrantes presos e pessoas que atuavam fora do sistema penitenciário.
“Com os dados obtidos foi possível revelar uma organização criminosa e as ordens chegavam às ruas de dezenas de cidades do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo”, explicou a delegada Alini Simadon.
De acordo com a investigação, os aparelhos eram utilizados para manter a comunicação e coordenar atividades criminosas em diferentes municípios.
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Organização movimentava dinheiro por PIX e empresa de fachada
A investigação também identificou mecanismos utilizados para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Segundo a PCPR, familiares de presos realizavam transferências por PIX para contas bancárias abertas em nome de terceiros sem ligação direta com os detentos.
“Eram realizadas transferências via PIX para contas abertas em nome de terceiros sem ligação com os detentos. Os depósitos eram fracionados e os saques, rápidos, para dificultar o rastreamento”, afirmou a delegada Alini Simadon.
Os investigadores também identificaram uma empresa de fachada do ramo de transportes que seria utilizada para receber pagamentos relacionados a cargas de drogas.
A movimentação financeira era registrada em planilhas de controle, utilizadas para acompanhar os valores recebidos e transferidos.
A Polícia Civil segue com a análise dos materiais apreendidos e dos dados bancários autorizados pela Justiça, dentro da investigação sobre a estrutura e as atividades da organização criminosa.

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