O Paraná voltou a ganhar destaque na produção e exportação de carne de peru. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostram que o Estado exportou 4,7 mil toneladas da proteína no primeiro quadrimestre de 2026, crescimento de 6,9% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Além do aumento no volume embarcado, o faturamento apresentou avanço ainda mais expressivo. A receita cambial alcançou US$ 22,6 milhões, alta de 113,1% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025.
Atualmente, o Paraná ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores de carne de peru do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os principais estados produtores, foi o que registrou o maior crescimento proporcional nas exportações.
Os principais destinos da carne de peru paranaense foram o México, que adquiriu 2,4 mil toneladas, seguido pelo Chile, com mil toneladas, e pelo Peru, com 415 toneladas.
Retomada após anos de retração
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destaca que os números representam uma recuperação importante para uma cadeia produtiva que sofreu forte retração nos últimos anos.
“O Paraná já chegou a ser o maior produtor nacional de perus e referência na exportação desta proteína. Essa retomada é importante para o Estado, pois movimenta uma cadeia produtiva relevante, gerando renda e emprego”, afirma.
A atividade foi impactada pelo fechamento de frigoríficos especializados. Em 2010, a planta de Carambeí encerrou as operações. Já em 2018, o fechamento da unidade da BRF em Francisco Beltrão provocou forte impacto sobre a produção estadual.
A retomada começou em 2021, após a habilitação de uma planta frigorífica para exportação ao México, atualmente o principal comprador da proteína produzida no Paraná.
Crescimento ainda não chegou ao produtor
Apesar dos resultados positivos nas exportações, produtores relatam que o crescimento do setor ainda não se refletiu na rentabilidade dentro das propriedades.
O produtor de perus Ivan da Silva, de Francisco Beltrão, afirma que os custos de produção continuam elevados e comprometem a renda da atividade.
“Os custos de produção são mais altos que o rendimento. As despesas seguem elevadas, com manutenção, energia e outros insumos. Até o momento, esse aumento não é perceptível para o produtor. A situação está complicada”, relata.
Segundo ele, os avanços registrados nas exportações ainda não chegaram às famílias que dependem da atividade no campo.
“Esperamos melhores remunerações e um olhar mais atento do governo na parte de juros e incentivo”, acrescenta.
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Sistema FAEP oferece suporte aos produtores
Diante dos desafios enfrentados pelos produtores integrados, o Sistema FAEP orienta os avicultores a buscarem apoio técnico, econômico e jurídico junto à entidade.
A técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da FAEP, Caroline Pereira da Costa, explica que as demandas relacionadas à atividade podem ser encaminhadas por meio da Comissão Técnica de Avicultura.
“É fundamental que o produtor procure o Sistema FAEP para que possamos acompanhar de perto a realidade no campo e oferecer apoio técnico diante dos desafios enfrentados”, destaca.
A entidade também auxilia na análise de contratos, relatórios de produção integrada, custos de produção e eventuais conflitos entre produtores e empresas integradoras.
Cadecs fortalecem diálogo na integração
Entre os mecanismos previstos para melhorar a relação entre produtores e integradoras estão as Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), instituídas pela Lei da Integração (Lei 13.288/2016).
As Cadecs funcionam como espaços de diálogo entre produtores e empresas, permitindo a discussão de temas como remuneração, transparência contratual e condições de produção.
Para o setor, a consolidação da retomada da cadeia do peru dependerá não apenas do crescimento das exportações, mas também da melhoria das condições econômicas para quem permanece produzindo no campo.





