Dez militares e dois cães participaram de 90 intervenções e da recuperação de 23 vítimas
Os dez bombeiros militares do Paraná que participaram da missão humanitária após os terremotos na Venezuela foram homenageados nesta segunda-feira (13), no Palácio Iguaçu. A equipe atuou em 90 intervenções, recuperou 23 vítimas e contou com o apoio dos cães de busca Meghan e Ayra.
A cerimônia foi conduzida pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, que entregou aos militares a Medalha de Honra Presidente Carlos Cavalcanti de Albuquerque.
A honraria reconhece contribuições relevantes ao Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e leva o nome do governador que criou a corporação no Estado, em 1912.
Governador destaca preparo da equipe
Ratinho Junior afirmou que a participação na missão demonstra o nível de preparação dos bombeiros paranaenses.
“É motivo de muito orgulho ver esses profissionais que, de forma voluntária, levantaram a mão para poder ir até a Venezuela salvar vidas. O Paraná hoje faz parte de uma elite de bombeiros do mundo”, afirmou.
O Paraná integra a força-tarefa brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas, a BRA-01.
O grupo reúne bombeiros do Paraná, de Minas Gerais e de São Paulo e está em processo de certificação internacional pelo Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate Urbano, ligado à Organização das Nações Unidas.
“Fomos selecionados pela boa formação dos nossos bombeiros, pelos equipamentos que temos e, obviamente, pelo histórico, pela qualificação de treinamentos rígidos que são implantados aqui”, acrescentou o governador.
Equipe foi mobilizada após os terremotos
Os dois terremotos atingiram a Venezuela em 24 de junho. A equipe paranaense foi mobilizada no dia seguinte e iniciou os trabalhos de campo na manhã de 27 de junho.
O grupo levou cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados. Os bombeiros do Paraná foram os primeiros integrantes da delegação brasileira a atuar em território venezuelano.
O secretário estadual da Segurança Pública, Saulo de Tarso Sanson Silva, destacou a rapidez da mobilização. “A resposta do nosso Corpo de Bombeiros foi muito rápida. Em desastres, as primeiras 72 horas são muito importantes”, afirmou.
Missão teve 90 intervenções
Durante aproximadamente duas semanas, os bombeiros paranaenses participaram de 90 intervenções em campo. As equipes atuaram em La Guaira, Caraballeda, Catia La Mar, Playa Grande, Nagaita e El Tigrillo, na região de Vargas.
O trabalho incluiu reconhecimento das áreas atingidas, avaliação da estabilidade dos imóveis, busca técnica, marcação de estruturas e recuperação de vítimas em locais colapsados.
Ao todo, 23 vítimas em óbito foram recuperadas durante a atuação da equipe.
Réplicas aumentaram risco da operação
O cenário encontrado incluía prédios de até 15 pavimentos destruídos e tremores secundários que ameaçavam provocar novos colapsos. As condições exigiram escoramentos rigorosos para proteger os bombeiros durante a entrada nas estruturas.
O comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, relatou a preocupação com a segurança da equipe. “A gente teve durante o evento lá várias réplicas de terremoto, e eu acho que na minha carreira eu nunca me preocupei tanto de alguém morrer em serviço como agora”, afirmou.
“O incêndio é perigoso, a água é perigosa, mas terremoto é uma situação que você não tem muito controle. Ficamos bastante preocupados com a equipe, então é muito bom estarmos todos bem”, acrescentou.
Cães ajudaram a localizar áreas de busca
As cadelas Meghan e Ayra participaram diretamente das operações.
Os cães foram empregados para indicar locais com maior possibilidade de vítimas presas, direcionando o trabalho das equipes responsáveis pelo corte e pela entrada nas estruturas.
O cabo Rodrigo Oliveira Santos, condutor de Meghan, descreveu o impacto do cenário encontrado.
“É uma ocorrência que não existe como reproduzir, você querer treinar para isso. A quantidade de edifícios que caiu, as vítimas, gente presa já sem vida e nós tendo que ignorar aquilo para procurar pessoas com vida”, contou.
Para o soldado Bruno Daniel da Silva Zacharias, condutor de Ayra, a missão foi a primeira operação de grande porte. “Foi bem impactante, vou lembrar o resto da vida. Muito triste pela situação do país, a devastação”, afirmou.
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Calor e falta de combustível dificultaram trabalho
Além das estruturas instáveis, as equipes enfrentaram altas temperaturas, que exigiram rodízio constante entre os profissionais. O bloqueio de vias por escombros, a falta de energia elétrica e a restrição no abastecimento de combustível aumentaram as dificuldades logísticas.
A missão brasileira foi coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores. A operação também contou com profissionais das áreas de saúde, telecomunicações e apoio técnico.
No conjunto das operações internacionais coordenadas pelo grupo vinculado à ONU, as equipes estrangeiras resgataram 14 pessoas com vida em situação crítica. A equipe brasileira participou desse trabalho em integração com representantes de outros países e autoridades venezuelanas.
Corporação destaca investimentos em capacitação
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, afirmou que a homenagem reconhece o trabalho de preparação da corporação. “Comprova que todo o esforço realizado na preparação desses profissionais vale a pena”, declarou.
Segundo ele, a capacitação é desenvolvida por meio da Força-tarefa de Resposta a Desastres, com aquisição de equipamentos, treinamentos anuais e qualificação dos militares. Os dez bombeiros e os dois cães retornaram ao Paraná no sábado (11), após a conclusão da missão na Venezuela.
Fonte: diariodosudoeste.com.br
Fonte: diariodosudoeste.com.br


















