Município enfrenta dificuldades para suprir a demanda de atendimento de fonoaudiologia e neuropediatria

A Associação Iguais nas Diferenças relatou, em reportagem do Diário do Sudoeste publicada no sábado (20) e durante uma Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Pato Branco, de 3 de agosto de 2022, as dificuldades enfrentadas para manter projetos direcionados a pessoas com deficiências.

Entre os projetos, a presidente da associação destaca a equoterapia, um trabalho realizado em conjunto com o curso de fisioterapia da Unidep, além de também expor a dificuldade que essa parte da população tem enfrentado para obter acesso a especialidade médicas como neurologistas e outras terapias, o que inclui a fonoaudióloga.

Sem convênio com a Secretária de Saúde de Pato Branco, Associação Iguais nas Diferenças não recebe recursos e, dessa forma, utiliza de ações, parcerias e doações para manter os projetos.

No caso da equoterapia, a presidente da associação afirmou que busca auxílio do município. “Como foi aprovado o projeto da fisioterapia e equoterapia das pessoas com deficiência, que venha junto com a associação que já tem os cavalos, tem a parceria com a Unidep, para nos dar esse apoio”, afirmou Angélica.

Com uma parceria, Angélica aponta a possibilidade de atender uma demanda maior de crianças, aumentando de 9 atendimentos, para 40 por semana e possibilitando abranger outros municípios.

De acordo com a secretária de saúde de Pato Branco, Lilian Brandalise, há a Lei Municipal n° 5.897, onde institui o Programa de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Equoterapia para Pessoa com Deficiência – PCD, porém, até o momento, o município não conta com o serviço de equoterapia.

Atualmente, essa parte da população recebe a partir do município atendimentos médicos, de enfermagem e odontologia nas equipes de Atenção Primária (ESF) e na Atenção Secundária os serviços de reabilitação física, onde se encaixa a oferta de aparelho auditivo, óculos, órteses, próteses, meios locomotores auxiliares e terapia. De acordo com a secretária, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) oferta consultas de psiquiatria, psicologia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. O município também disponibiliza consultas especializadas, exames e procedimentos que incluem a fisioterapia.

Segundo Lilian, a Secretária de Saúde atende, em média, 6.133 sessões de fisioterapia por mês, sendo que cada ciclo por paciente é de 10 sessões, “não temos fila de espera.

Para a especialidade de fonoaudiologia, há uma média de 140 sessões por mês e, recentemente, “o município contratou mais uma profissional por meio de concurso público. Para esse serviço temos uma demanda represada que está sendo manejada para dar resolutividade”.

Com o objetivo de dar vazão para a fila de espera de psicologia, o município contratou, por meio de um chamamento público, uma empresa que presta serviço dessa especialidade. Atualmente, a secretária aponta 669 sessões realizadas por mês, em média. “Nessa área precisamos de concurso público, pois a demanda tem aumentado significativamente”, afirma.

Dificuldades

De acordo com a secretária, a ausência de Centro Especializado em Reabilitação (CER) com especialidades em áreas auditiva, visual, intelectual e física, dificulta a oferta de atendimento a todos que necessitam das especialidades. Os CERs são unidades voltadas para o atendimento especializado de pessoas com deficiência que necessitam de reabilitação, com o objetivo de desenvolver seu potencial físico e psicossocial. O diagnóstico, a avaliação, a orientação e a estimulação precoce dos usuários são responsabilidade da equipe multiprofissional, composta de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, médicos, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros.

Lilian explica que para proporcionar o acesso de pessoas cuja deficiência interfira em sua mobilidade e em sua acessibilidade aos meios de transporte convencionais, o serviço conta com veículos adaptados para o transporte dos usuários. Existem três categorias de CER – a II, a III e a IV, números que correspondem à quantidade de modalidades de reabilitação oferecidas (física, intelectual, visual e auditiva).

“Desde que a gestão assumiu essa preocupação existe, não apenas para esse serviço, mas em termos uma rede de cuidados para a pessoa com deficiência, pois não foi pensado ao longo de anos nessa rede”, destaca.

“O município, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, pleiteou junto ao Governo Federal e foi contemplado com o financiamento para a construção da estrutura física de um CER-IV, para atender pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual e física. O terreno já foi disponibilizado pela Prefeitura e o processo para a transferência de recursos federais para a obra já foi iniciado e tramita junto ao Ministério da Saúde e com essa estrutura poderemos ampliar as possibilidades para integrar o cuidado das pessoas com deficiência”, comenta.

Outro ponto citado pela secretária é a dificuldade relacionada a consultas de neuropediatria, “que é a especialidade mais solicitada”. Segundo Lilian, foi realizado um chamamento público, porém, apenas um profissional respondeu. “Ainda não é suficiente, com o ingresso no Conims, solicitamos acesso a mais consultas”.

“Quando o atendimento não pode ser contemplado no município, a Secretaria de Saúde encaminha o paciente para hospitais de referência na região, como o Pequeno Príncipe e Hospitais das Clínicas, em Curitiba”, destaca.

Caps-i

Para aumentar o atendimento especializado para crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes, Lilian afirma que o município está em fase de implantação do Serviço de Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps-i). O serviço será utilizado para atendimento “inclusive pelo uso de substâncias psicoativas, oferecendo tratamentos como: psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia, atendimento com enfermeiros e oficinas terapêuticas”, conclui.

Autismo

De acordo com Lilian, o município também está investindo em capacitação da equipe multiprofissionais para melhorar o atendimento ao autista e seus familiares. Serão três cursos disponibilizados pela Sesa-PR, por meio da Escola de Saúde Pública, abordando as áreas de: Capacitação em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) organizada pela Divisão de Saúde da Pessoa com Deficiência/Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde e Centro Formador de Recursos Humanos/Escola de Saúde Pública do Paraná – ESPP, da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná – Sesa, em parceria com The Scott Center for AutismTreatment/Florida Instituteof Technology.

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