Produtores rurais do Paraná ganharam mais tempo para participar da pesquisa nacional que busca identificar a presença de javalis e javaporcos nas propriedades rurais brasileiras. O levantamento “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)” teve o prazo prorrogado até 30 de junho devido à baixa adesão registrada no Estado.
A iniciativa é conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio do Sistema FAEP, e tem como objetivo reunir informações sobre a ocorrência desses animais, os prejuízos causados às propriedades rurais e os impactos ambientais, sanitários e econômicos relacionados à espécie. Além disso, os dados servirão de base para a elaboração de estratégias mais eficientes de controle e manejo.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a participação dos produtores é fundamental para fortalecer o diagnóstico da situação e subsidiar futuras ações governamentais.
“É importante que os nossos produtores rurais participem respondendo ao questionário, para que possamos, posteriormente, cobrar políticas públicas de controle eficiente. A participação é essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico”, afirma.
Levantamento busca ampliar diagnóstico sobre javalis
A prorrogação do prazo pretende aumentar o número de participantes, especialmente entre produtores que convivem com a presença dos animais ou já registraram prejuízos em suas propriedades. Neste sentido, o questionário permite identificar a ocorrência tanto de javalis quanto de javaporcos, que resultam do cruzamento entre javalis e suínos domésticos.
A rápida expansão dessas espécies em diversas regiões do país preocupa especialistas e produtores rurais. Isso ocorre porque os animais apresentam elevada capacidade reprodutiva e praticamente não possuem predadores naturais, favorecendo sua disseminação.
Consequentemente, o levantamento deverá fornecer um panorama mais preciso sobre a dimensão do problema. A expectativa é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano.
Prejuízos afetam produção e meio ambiente
No Paraná, a preocupação com os impactos causados pelos suínos asselvajados não é recente. A mobilização sobre o tema teve início na Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, que passou a reunir diferentes instituições para discutir alternativas de enfrentamento.
Como resultado desse trabalho, foi criado em 2020 o Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná. O grupo reúne representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Exército Brasileiro, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e entidades ligadas ao setor produtivo.
Os danos causados pelos javalis e javaporcos vão além das perdas econômicas nas propriedades rurais. Os animais provocam destruição de lavouras, ataques a rebanhos, degradação da vegetação nativa e danos a nascentes e áreas de preservação ambiental.
Além disso, há preocupação crescente com os riscos sanitários. Os suínos asselvajados podem atuar como vetores de doenças que ameaçam a produção pecuária, como a Peste Suína Africana (PSA), a Peste Suína Clássica (PSC) e a Febre Maculosa.
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Resultados devem orientar políticas públicas
Os dados coletados pela pesquisa deverão contribuir para a formulação de políticas públicas voltadas ao controle dessas populações e à mitigação dos impactos provocados pelos animais.
Além do levantamento nacional, o Sistema FAEP disponibiliza uma cartilha informativa com orientações técnicas sobre os riscos associados aos javalis e javaporcos, bem como medidas de prevenção e manejo recomendadas para os produtores rurais.
A expectativa das entidades envolvidas é que o aumento da participação dos produtores permita construir um diagnóstico mais completo da situação no Paraná e no Brasil, fortalecendo as ações de enfrentamento e proteção da agropecuária nacional.





