A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta terça-feira (12) que a estatal deverá realizar um reajuste no preço da gasolina vendida às distribuidoras nos próximos dias. A declaração foi feita durante conferência com analistas, em meio ao cenário de alta do petróleo provocado pelas tensões no Oriente Médio.
Segundo Chambriard, a decisão considera a oscilação do preço do etanol no mercado brasileiro, que influencia diretamente a competitividade da gasolina no país.
“Estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso market share e na evolução do mercado do etanol”, afirmou a presidente da Petrobras.
A última alteração no preço da gasolina ocorreu em janeiro de 2026, quando a Petrobras reduziu em 5,2% o valor do combustível vendido às distribuidoras. Na ocasião, o litro passou de R$ 2,71 para R$ 2,57.
Governo discute medidas para reduzir impactos
Além do reajuste, a Petrobras também participa de discussões com o Governo Federal para tentar minimizar os impactos da alta internacional do petróleo sobre os combustíveis no Brasil.
No início de abril, o governo lançou um pacote de medidas para conter reajustes, incluindo novas subvenções para diesel e gás de cozinha (GLP), isenção de tributos sobre biodiesel e querosene de aviação, além do endurecimento de punições para práticas consideradas abusivas.
A pressão sobre os preços aumentou após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetou o fornecimento global de petróleo e elevou as preocupações sobre o Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do tráfego mundial da commodity.
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Petrobras quer ampliar autossuficiência em combustíveis
Durante a conferência, Magda Chambriard também afirmou que a Petrobras revisa o plano de negócios de longo prazo para ampliar a capacidade de produção e aumentar a autossuficiência do Brasil em diesel e gasolina.
O plano atual da companhia prevê atender 85% da demanda nacional por diesel até 2030, mas a estatal já discute metas mais ambiciosas diante do cenário internacional.
“Com a guerra, com os resultados alcançados pela companhia e pela confiança que o mercado brasileiro tem na Petrobras, estamos tratando de forma segura e rentável a oportunidade de atingir a autossuficiência brasileira”, afirmou Chambriard.
Atualmente, o Brasil ainda importa entre 25% e 30% do diesel consumido no país. No caso da gasolina, cerca de 10% da demanda depende de compras externas.
Refinarias operam em nível recorde
A Petrobras também registrou aumento na utilização das refinarias. O fator de uso da capacidade instalada passou de 89%, em dezembro de 2025, para 97% no fim de março de 2026, considerado recorde pela companhia.
A produção comercial da estatal cresceu 16% na comparação anual, alcançando 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia. As exportações de petróleo avançaram mais de 61%, impulsionadas principalmente pelo pré-sal e pela demanda da China.
O Plano de Negócios da Petrobras prevê investimentos de US$ 109 bilhões nos próximos cinco anos, com foco em ampliação da produção, refino e fortalecimento da infraestrutura energética nacional.





