O Paraná registrou índice médio de 72% no esclarecimento de homicídios entre 2020 e 2023, superando a média nacional de 40%, segundo o Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, do Instituto Sou da Paz. O estudo destaca práticas adotadas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) para fortalecer as investigações.
O desempenho paranaense ficou 32 pontos percentuais acima da média brasileira. Conforme os critérios da pesquisa, o índice de 72% foi classificado como alto, patamar alcançado também pelo Distrito Federal e por Rondônia.
O Paraná também aparece como destaque entre os estados da região Sul pelas práticas adotadas na investigação de crimes contra a vida. O levantamento aponta iniciativas relacionadas à gestão por metas, especialização territorial, inteligência policial e integração entre investigação e perícia.
Paraná registra índice de 72% na investigação de homicídios
O diagnóstico do Instituto Sou da Paz analisou dados de esclarecimento de homicídios registrados entre 2020 e 2023 em diferentes estados brasileiros.
Segundo o levantamento, Paraná, Distrito Federal e Rondônia apresentaram índices médios de 72%, enquanto a média nacional ficou em 40%.
Além do desempenho quantitativo, o estudo inclui o Paraná entre os exemplos de adoção de boas práticas investigativas, ao lado de Rondônia, Paraíba, Mato Grosso e Minas Gerais.
Entre os fatores destacados estão a priorização institucional das investigações de homicídios, a definição de metas e a integração qualificada entre policiais e equipes de perícia.
Polícia Civil do Paraná realizou 975 operações em 2026
A Polícia Civil do Paraná também ampliou as operações de repressão qualificada contra estruturas criminosas.
Entre 2019 e 2026, o número de operações dessa natureza cresceu mais de 300%, conforme os dados apresentados pela instituição.
Somente entre janeiro e setembro de 2026, a PCPR deflagrou 975 operações de repressão qualificada em diferentes regiões do Estado.
As ações fazem parte de uma estratégia que prioriza planejamento, compartilhamento de informações e atuação especializada no enfrentamento de organizações criminosas.
O delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach, destacou a importância da inteligência policial na execução dessas operações.
“Nossas equipes estão nas ruas diariamente para executar um trabalho que tem como pilar a inteligência policial”, afirmou.
“Entendemos que o fortalecimento da atividade de inteligência é fundamental para o levantamento de informações, a coordenação estratégica de ações e a tomada de decisões concretas no combate ao crime organizado”, acrescentou Rockembach.
Inteligência policial auxilia investigações de homicídios
A Polícia Civil do Paraná utiliza atividades de inteligência para identificar relações entre homicídios, disputas territoriais e organizações ligadas ao tráfico de drogas.
O cruzamento de dados permite investigar possíveis conexões entre crimes que, inicialmente, aparentam ser casos isolados.
As equipes também utilizam o compartilhamento de informações entre unidades policiais para identificar lideranças criminosas, levantar motivações e direcionar diligências.
A estratégia busca ampliar a capacidade de investigação para além da identificação dos executores imediatos dos homicídios.
Com o trabalho de inteligência, os investigadores procuram identificar organizações, redes de atuação e possíveis responsáveis pela articulação dos crimes.
Nova Lei Orgânica fortalece especialização da PCPR
A nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Paraná, sancionada em maio de 2026, consolidou mudanças na estrutura da instituição.
A legislação estabeleceu uma organização voltada à especialização das equipes, à inteligência policial e à repressão qualificada.
Entre as principais mudanças estão a criação de três departamentos:
- Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO): voltado ao enfrentamento de organizações criminosas.
- Departamento de Operações Especiais (DOESP): responsável por atividades operacionais especializadas.
- Departamento de Inteligência Policial (DIP): destinado às atividades de inteligência e integração de informações.
A reorganização busca aprimorar a identificação de estruturas criminosas relacionadas aos homicídios e a outros delitos.
Paraná conta com cinco laboratórios contra lavagem de dinheiro
A investigação financeira também integra a estratégia da Polícia Civil do Paraná para combater organizações criminosas.
Atualmente, a instituição conta com cinco Laboratórios de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, vinculados diretamente ao Departamento de Inteligência Policial.
As unidades trabalham na identificação de movimentações financeiras e de recursos utilizados por organizações criminosas.
A estratégia de descapitalização busca interromper o fluxo de dinheiro que financia atividades ilegais e permite a manutenção ou expansão dessas estruturas.
Esse modelo complementa as investigações tradicionais, permitindo que a Polícia Civil avance na identificação de possíveis redes de financiamento relacionadas a crimes graves.
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Estudo destaca gestão por resultados e integração policial
O diagnóstico do Instituto Sou da Paz aponta que fatores institucionais e operacionais podem contribuir para melhorar o esclarecimento de homicídios, inclusive em contextos de elevada complexidade criminal.
Entre os aspectos analisados estão a especialização das equipes, a definição de prioridades, o acompanhamento de resultados e a integração entre diferentes setores responsáveis pelas investigações.
No Paraná, a PCPR informa que vem incorporando essas práticas nos últimos anos, com investimentos na organização das estruturas de inteligência e na repressão qualificada.
O índice médio de 72% registrado entre 2020 e 2023 coloca o Estado entre os destaques nacionais no esclarecimento de homicídios, conforme os critérios adotados pelo Instituto Sou da Paz.

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