Produtor tem prazo até novembro para renegociar dívidas

Produtor tem prazo até novembro para renegociar dívidas

FAEP alerta que valor liberado pode se esgotar rapidamente diante de fila de agricultores endividados no Paraná

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Sistema FAEP alerta que valor de R$ 25,8 bilhões deve ser insuficiente para resolver crise de endividamento no campo.
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O Ministério da Fazenda publicou a Portaria 2.423, de 13 de agosto de 2026, que autoriza o pagamento de equalização de taxas de juros em operações de crédito rural para composição de dívidas do setor agropecuário. A norma destrava, um mês após a publicação da Medida Provisória 1.376/2026, o início efetivo das novas operações pelos bancos. O Sistema FAEP avalia que o valor total, de R$ 25,8 bilhões, deve ser insuficiente diante da crise de endividamento no meio rural.

O prazo para contratar as operações de composição de dívidas segue até 12 de novembro de 2026. Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o meio rural atravessa um momento crítico, com endividamento na casa dos R$ 200 bilhões. “Seguimos tratando o sintoma, não a doença”, afirma.

Crise soma R$ 197 bilhões em saldos problemáticos

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, com dados do Banco Central, mostra que o Brasil somava, em junho, R$ 197,2 bilhões em saldos problemáticos nos empréstimos rurais. Desse total, R$ 13,4 bilhões estavam concentrados no Paraná.

Somando os limites equalizáveis das dez instituições financeiras habilitadas, o valor disponível pela Portaria 2.423 é de R$ 25,8 bilhões, divididos entre agricultura empresarial (R$ 24,16 bilhões) e agricultura familiar (R$ 1,65 bilhão). “Ainda mais com esse prazo justo, vale o alerta de que há o risco de os valores disponíveis nos bancos esgotarem”, complementa Meneguette.

Como funcionam as faixas de renegociação

Cada instituição financeira recebeu um teto de saldo sobre o qual a União paga a diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada do produtor. As operações estão divididas em duas faixas:

  • Faixa 1: perdas em três ou mais safras, com redução mínima de 40% e juros de 5% a 11% ao ano.
  • Faixa 2: perdas em duas ou mais safras, com redução mínima de 30% na renda e juros de 6% a 12% ao ano, a depender da linha.

Entre as cooperativas mais usadas pelo produtor paranaense, o Sicoob concentra o maior volume, com R$ 4,79 bilhões, seguido do Sicredi, com R$ 3,69 bilhões. Já a Cresol, com forte presença em municípios menores do Paraná, tem menos de R$ 336 milhões disponíveis em todas as suas linhas somadas.

A Secretaria do Tesouro Nacional pode reduzir os limites ou suspender novas contratações a qualquer momento, em caso de insuficiência orçamentária, respeitando apenas o que já tiver sido contratado.

PL 5.122 segue parado na Câmara

Enquanto o governo aposta em uma solução parcelada, com Medida Provisória, resolução do CMN e portaria, o Projeto de Lei 5.122/2023 continua sem votação. Aprovado pelo Senado Federal em junho, o projeto cria uma linha especial de renegociação com prazo de pagamento de até dez anos, carência de até três anos e critérios de enquadramento mais amplos que os da MP, sem depender de um teto fechado a cada portaria.

O projeto prevê o uso de recursos já existentes, como saldos do Fundo Social do Pré-Sal e superávits dos Fundos Constitucionais (FCO, FNE e FNO), sem criação de novos tributos. Segundo o Sistema FAEP, isso significa que o PL 5.122 não ampliaria a dívida pública, ao contrário do que vem sendo alarmado pela equipe econômica, que projetou impacto fiscal entre R$ 140 bilhões e R$ 800 bilhões em dez anos. A entidade classifica essas cifras como distorcidas, já que tratam o total da carteira elegível como se fosse, integralmente, custo certo para o Tesouro.

Mesmo aprovado no Senado há mais de dois meses, o PL 5.122 segue parado na Câmara dos Deputados. O governo optou por negociar uma medida provisória alternativa em vez de pautar a votação do projeto em seu inteiro teor. Para o Sistema FAEP, essa escolha prioriza o controle orçamentário de curto prazo em detrimento de uma solução estrutural para um setor que amarga perdas sucessivas por eventos climáticos, queda de preços e cortes no orçamento do Seguro Rural, cuja área segurada com subvenção federal caiu 77% entre 2021 e 2025.

“O produtor não pode ficar refém de portarias que liberam um pouco de crédito a cada mês, com prazo apertado e limite curto. Um instrumento mais completo já foi aprovado no Senado. Falta vontade política para votar o PL 5.122 na Câmara, em seu inteiro teor”, cobra Meneguette.


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