Em Santa Izabel do Oeste, município do Sudoeste do Paraná, a fé e a história se entrelaçam de forma profundamente tocante. O Santuário Diocesano de Nossa Senhora Aparecida é fruto de um milagre que marcou a vida de uma família e transformou toda uma comunidade. Desde seu início, o Santuário foi erguido pelas mãos generosas e devotas de homens e mulheres que acreditaram na presença viva da Mãe Aparecida em meio ao seu povo.
Tudo começou em 1975, quando o menino Milton Brusamarello, então com 11 anos, adoeceu gravemente. Submetido a uma cirurgia de emergência e após longos períodos de internação, seu quadro piorava a cada dia. Sem esperanças de cura, os médicos orientaram que ele fosse levado para casa. Diante da dor, seus pais, Constantino e Olímpia Brusamarello, recorreram à fé. Devotos de Nossa Senhora Aparecida, rezaram com fervor, pedindo pela vida do filho. Dona Olímpia, segurando o terço, olhou para a imagem de Jesus e suplicou à Mãe Aparecida: “Interceda junto a Jesus para que Ele conceda a saúde do meu filho. Se ele se curar, prometo ofertar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida à Igreja Matriz de Santa Izabel do Oeste, e que esta imagem venha do próprio Santuário Nacional”.
Seu Constantino também fez uma promessa: se o menino fosse curado, levaria o filho até o Santuário Nacional, em Aparecida, para agradecer pessoalmente à Mãe do Céu. Três dias depois, o impossível aconteceu. As feridas cicatrizaram e Milton se recuperou completamente. Era o milagre! Em 1976, as promessas foram cumpridas. O menino entregou a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao pároco Monsenhor Cestilio José Miotto, diante de uma multidão comovida. O sacerdote, emocionado, declarou: “Este menino é prova viva de um milagre. Que esta imagem permaneça para sempre exposta, para que todos saibam o que a fé é capaz de realizar”.
A primeira peregrinação da imagem e o despertar de um sonho
Dona Olímpia já era, desde 1967, representante do Clube dos Sócios da Rádio Aparecida, e manteve este serviço por mais de 40 anos. Em 1974, venceu um concurso nacional e recebeu a visita do querido Pe. Vítor Coelho de Almeida, o grande missionário da Mãe Aparecida. Com o passar dos anos, o 12 de outubro tornou-se um marco para Santa Izabel do Oeste. As celebrações cresciam, atraindo romeiros de várias regiões. A fé fervorosa do povo inspirou Monsenhor Cestilio a sonhar com algo maior: a construção de um Santuário dedicado à Mãe Aparecida, capaz de acolher os fiéis e perpetuar o milagre que deu origem a tudo.
Em 1979, ao passar por uma pequena mata próxima à cidade, Monsenhor Cestilio viu árvores sendo derrubadas e sentiu no coração o desejo de preservar aquele espaço, transformando-o em um recanto de oração. Procurou o proprietário, Simão Bloott, e propôs erguer ali uma pequena igreja. Tocando-se pelo pedido e também devoto de Nossa Senhora, Simão concordou em doar parte do terreno, com a condição de que o local fosse dedicado à Padroeira do Brasil. Logo, a comunidade se uniu em mutirões para limpar o terreno, abrir trilhas e erguer os primeiros sinais de fé. Em janeiro de 1980, foi celebrada a primeira missa no bosque, o germe do futuro Santuário.
Em 1980, a construção foi iniciada, e pouco tempo depois o local passou a receber romarias e peregrinações. O espaço foi se tornando cada vez mais querido pelos devotos, sendo chamado de “Templo Santo de Nossa Senhora Aparecida”. No dia 12 de outubro de 1982, realizou-se a Primeira Romaria ao Santuário. Mesmo sob forte chuva na madrugada, milhares de fiéis compareceram – cerca de 12 mil pessoas participaram da missa campal. A fé superou qualquer obstáculo e, desde então, todos os anos o local se transforma em um mar de gente, oração e esperança. Desde 1982, todo dia 12 de outubro, Santa Izabel do Oeste se torna o coração da fé mariana do Sudoeste. Milhares de romeiros chegam de todas as partes, a pé, de bicicleta, carros e ônibus, em caravanas. Nossa Senhora Aparecida: Intercedei por nós!
Dom Edgar Xavier Ertl – Diocese de Palmas-Francisco Beltrão

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