Saúde

7 razões que provam que o tratamento contra obesidade está obsoleto no Brasil

Assessoria

A obesidade é uma das doenças que mais cresce no Brasil e no mundo e suas consequências para a saúde estão envolvidas na incidência cada vez maior de diversas condições crônicas, como diabetes, problemas cardiovasculares, câncer e hipertensão, entre outras. A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, mostrou que 96 milhões de pessoas são obesas ou estão acima do peso no país, o que corresponde a seis em cada dez brasileiros. E quando considera-se apenas a população adulta, a incidência da obesidade mais do que dobrou entre 2002 e 2019, indo de 12,2% para 26,8%.

O último dia 4 de março foi marcado pelo Dia Mundial da Obesidade, data escolhida para lembrar os riscos do problema e debater formas de combatê-lo.

Conforme a nutricionista Sophie Deram, PhD em Nutrição e autora do best seller “O Peso das Dietas”, é preciso um novo olhar sobre a obesidade, e para isso reuniu especialistas conceituados no mercado em um manifesto, com o propósito de alertar que o tratamento voltado às pessoas que sofrem com esta condição é um fracasso e precisa ser repensado. Com base nas discussões trazidas pelos palestrantes durante o encontro, que foi realizado de forma inteiramente remota, Sophie levantou sete motivos para apoiar a iniciativa do manifesto. Confira quais são:

1 – A obesidade é um distúrbio sistêmico

O tratamento da obesidade é complexo. Intervenções como a cirurgia bariátrica pode gerar reganho de peso e remédios para emagrecer apresentam mais efeitos colaterais que benefícios. De acordo com o pesquisador e nutricionista Dennys Cintra, a obesidade é sistêmica, mas não apenas pelo aspecto molecular, e sim porque, além disso, o cuidado do paciente exige a atuação de muitos profissionais, ações e políticas públicas.

2 – A microbiota intestinal também pode participar no desenvolvimento da obesidade

Nos últimos tempos, muito tem se falado sobre a microbiota intestinal, e os estudos mostram que ela interfere na obesidade. Para a nutricionista e pesquisadora Maria Carolina Santos Mendes, a microbiota intestinal desempenha diversas funções e influência na capacidade de extrair energia dos alimentos. A poluição, aditivos alimentares, antibióticos, o abandono da alimentação tradicional e o consumo de alimentos ultraprocessados estão associados a uma menor diversidade da microbiota intestinal dos humanos, contribuindo para o desenvolvimento da obesidade.

3 – 95% das pessoas que fazem dieta voltam a engordar

Comer bem e ter uma alimentação saudável são peças fundamentais para o tratamento contra a obesidade. No entanto, é muito comum confundir comer melhor com comer menos e fazer dietas restritivas com o objetivo de perder peso. Na verdade, a restrição alimentar mais atrapalha do que ajuda. Privar-se de comida contribui para o efeito sanfona e também para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia nervosa e compulsão alimentar.

4 – Pessoas com obesidade apresentam problemas de saúde física e mental

A obesidade é um dos principais motivos de preocupação da saúde pública, justamente por trazer diversos riscos para a saúde física. Entretanto, o psiquiatra Táki Cordás ressalta que a obesidade também afeta a saúde mental podendo, inclusive, contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares e estar associada à depressão e ao transtorno bipolar.

5 – A obesidade não é apenas uma responsabilidade individual

Vivemos em um ambiente com uma grande oferta de alimentos e de inatividade física, o que alguns especialistas chamam de ambiente obesogênico. Além disso, existe uma trivialização da alimentação: ela está sempre presente, é barata e não tem significado. Por esse e outros motivos não podemos dizer que a obesidade é apenas uma responsabilidade individual, uma vez que é sensível ao ambiente social e cultural, variando entre as classes sociais e até mesmo entre os gêneros.

6 – O ser humano se alimenta de alimentos e sentimentos

De acordo com Sophie, não é possível controlar a comida o tempo todo, pois alimentação é razão, mas também emoção. E quanto mais se tenta controlá-la, mais difícil se torna. As pessoas comem quando estão felizes, quando querem celebrar algo, ou quando estão tristes e encontram na comida uma forma de conforto. Isso mostra que também comemos guiados pelas emoções. E quando isso acontece temos o comer emocional, que pode levar a distúrbios metabólicos e excesso de peso.

7 – A autonomia deve ser um objetivo do tratamento da obesidade

É comum para pessoas que sofrem com sobrepeso buscar orientações sobre o que, quanto e quando comer. Mas é preciso valorizar a autonomia. Para conquistá-la, a médica Paula Teixeira sugere o comer consciente, ou seja, estar presente no momento de se alimentar e com consciência da fome, das vontades e dos sentimentos. Estudos mostram que, quando a alimentação acontece de forma mais consciente, a pessoa se mostra mais disposta a fazer escolhas consideradas saudáveis, pode apresentar maior poder de escolha frente a alimentos apelativos e menos episódios de compulsão alimentar e depressão.

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