Saúde

Além da perda de memória: Doença de Alzheimer é um alerta à depressão

Diagnóstico impacta a qualidade de vida, mas também altera de forma profunda a rotina doméstica; evolução da doença pode levar pacientes e familiares ao desenvolvimento de transtornos de humor

Assessoria

Estima-se que hoje, no mundo, cerca de 50 milhões de pessoas sofrem com a doença, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Já no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 1,2 milhão de brasileiros lutam contra o Alzheimer, sendo prevalente na população com mais de 65 anos.

Por ser uma doença neurodegenerativa, não existe cura para o Alzheimer. O cenário ideal une o diagnóstico precoce ao uso de medicamentos para desacelerar a evolução do quadro e, consequentemente, fazer com que o paciente não atinja ou adie ao máximo a chegada à fase grave da doença – quando ocorre a perda acentuada de memória e a piora motora progressiva. Mas além das alterações físicas, o Alzheimer tem relação direta com o bem-estar psicológico da pessoa e de todas os que participam do cuidado. Muitas vezes, o diagnóstico vem acompanhado de outro problema crítico: a depressão.

Segundo a neurologista Ana Carolina Dalmônico, na fase moderada da Doença de Alzheimer é comum o surgimento de transtornos de humor, como depressão e ansiedade. “O que pode levar a um falso diagnóstico de demência. É muito importante que esses transtornos sejam identificados e tratados corretamente para não haver confusão diagnóstica”, enfatiza.

Justamente por isso, os médicos costumam associar à medicação própria para o Alzheimer alguns remédios auxiliares para melhora do humor e da qualidade do sono do paciente.

Impacto familiar

Mas não é apenas quem tem a doença que precisa de atenção. A confirmação também costuma ter um impacto significativo na rotina doméstica e na qualidade de vida dos acompanhantes. “É muito comum o surgimento de sintomas depressivos nos familiares e cuidadores de pacientes com Alzheimer devido à sobrecarga emocional e física”, completa a médica.

Ainda conforme a neurologista, é importante procurar auxílio, seja psiquiátrico ou psicoterapêutico, logo no início dos sintomas, para evitar agravamento de saúde e o surgimento de complicações ainda mais profundas para a situação familiar.

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Estágios da Doença de Alzheimer

  • Inicial: caracterizada por alterações de memória e desorientação em tempo e espaço;
  • Moderada: surgem as dificuldades para falar, coordenar alguns movimentos e realizar tarefas da vida diária, sendo que, nesta fase, também costumam ocorrer alterações do sono;
  • Grave: piora motora progressiva com acometimento de memória de maneira acentuada, levando o paciente à completa dependência para realização de atividades como alimentação e higiene.

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Diagnóstico precoce do Alzheimer pode evitar progressão rápida da doença

A doença não tem cura, porém, o diagnóstico precoce e a reabilitação neuropsicológica são fundamentais para diminuição da progressão da enfermidade e para proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes e seus familiares.

Segundo a OMS, o Alzheimer é causa de 70% dos casos de demência mundial. “É importante lembrar que o Alzheimer é uma doença crônica, porém estamos vivendo uma onda positiva em relação aos estudos e pesquisas de novas drogas para postergar os seus efeitos. A expectativa é que nos próximos cinco anos, os pacientes terão mais opções de tratamentos, que vão atuar diretamente em mecanismo de progressão”, explica o neurologista Diogo Haddad.

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento da doença. Para isso, a família tem um papel fundamental, pois são as pessoas próximas que costumam perceber os sintomas, como perda de memória recente, disfunção e alteração na linguagem e mudanças comportamentais. “Geralmente, o diagnóstico acontece acima dos 70 anos, mas os sinais já começam a aparecer 10 anos antes, de uma forma discreta, que ainda não afeta a vida da pessoa. O diagnóstico precoce vai ajudar a estimular a área afetada”, diz o neurologista.

Segundo o médico, o fator genético dificilmente é o responsável pelo Alzheimer, ou seja, familiares de pessoas com a doença não estão necessariamente predispostos a contraírem a patologia. Entre os fatores de risco estão a falta de atividade intelectual e física, tabagismo, obesidade e diabetes, situações que podem ser controladas ao longo da vida. Porém, o Alzheimer não tem uma causa apenas definida, a recomendação dos especialistas é que as pessoas mantenham os estímulos cerebrais ativos, realizando atividades intelectuais durante toda a vida.

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