Insulina glargina no SUS: entenda por que é um avanço

insulina glargina

O Ministério da Saúde iniciou, em fevereiro de 2026, a transição da insulina humana NPH para a glargina no Sistema Único de Saúde. A mudança é considerada um avanço no tratamento do diabetes porque o novo medicamento mantém níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia e reduz o número de aplicações diárias, o que pode melhorar a adesão dos pacientes ao tratamento.

Como a insulina glargina age de forma diferente no organismo

A principal diferença entre os dois medicamentos está na duração da ação. A insulina humana NPH costuma agir por cerca de oito horas, exigindo reaplicações ao longo do dia. A glargina, por outro lado, foi desenvolvida para liberação lenta e contínua, com duração média de 18 a 24 horas.

“Ela foi desenvolvida para ter uma duração média de 18 a 24 horas no organismo. Isso faz com que permaneça mais tempo no corpo e facilite o uso por quem precisa aplicá-la”, explica o endocrinologista Gustavo Daher, do Einstein Hospital Israelita. Consequentemente, o medicamento pode ser administrado apenas uma vez ao dia.

Esse efeito prolongado é resultado de mudanças na estrutura da molécula. Após a aplicação, a glargina forma microcristais no tecido subcutâneo, o que faz com que a insulina seja liberada gradualmente na circulação. “Ela começa a agir dentro de uma ou duas horas e não é disponibilizada pelo organismo de uma só vez”, detalha Daher.

Ausência de picos reduz risco de hipoglicemia

A liberação sem picos de ação tem impacto direto na segurança do tratamento. Picos elevados de insulina podem provocar episódios de hipoglicemia, que ocorrem quando os níveis de açúcar no sangue caem em excesso. Neste sentido, a glargina oferece um controle glicêmico mais contínuo e seguro em comparação à insulina tradicional.

Os principais beneficiados são pacientes que dependem do uso contínuo de insulina. Isso inclui todas as pessoas com diabetes tipo 1, em que o organismo praticamente não produz o hormônio, e parte dos pacientes com diabetes tipo 2, que podem desenvolver deficiência progressiva na produção da substância. “Cerca de 30% a 40% das pessoas com diabetes acabam usando insulina em algum momento”, destaca o endocrinologista.

Projeto-piloto começa por quatro estados e Distrito Federal

A mudança começou por um projeto-piloto nos estados do Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal. Nessa primeira etapa, serão contemplados crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. O Ministério da Saúde estima que mais de 50 mil pessoas sejam atendidas inicialmente.

Profissionais da atenção primária estão recebendo treinamento para orientar pacientes sobre o uso correto do medicamento e das canetas aplicadoras. Após a avaliação do projeto-piloto, a expectativa é ampliar gradualmente o uso da nova insulina para outros estados.

Custo do medicamento varia entre R$ 70 e R$ 150 por caneta

A inclusão da glargina no SUS também tem relevância econômica para os pacientes. O custo médio da insulina glargina varia entre R$ 70 e R$ 150 por caneta, dependendo se é o medicamento de referência ou o genérico. Há pacientes que utilizam duas canetas por mês. “A inclusão no SUS traz benefícios palpáveis, como menos pacientes fora da meta de controle, menor risco de hipoglicemia e potencial aumento da adesão ao tratamento”, avalia Gustavo Daher.

Diabetes atinge entre 10% e 15% da população brasileira

No Brasil, o diabetes é um problema de saúde pública. Estimativas apontam que entre 10% e 15% da população convive com a doença. Além disso, o número real pode ser ainda maior. “Existe uma estimativa mundial de que cerca de 50% das pessoas com diabetes não têm diagnóstico, o que poderia praticamente dobrar esses números”, alerta o médico do Einstein Hospital Israelita.

Fonte: Agência Einstein