Convocação Copa 2026: os 26 de Ancelotti antes do anúncio

O Brasil para na segunda-feira (18 de maio). No Museu do Amanhã, no centro do Rio de Janeiro, Carlo Ancelotti sobe ao palco às 17h para revelar os 26 nomes que vão representar o país na Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México. A estreia é em 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Embora a base do elenco esteja praticamente desenhada, o treinador chega aos últimos dias de observação com dúvidas que passam por condição física, encaixe tático e concorrência pesada em determinados setores. Ainda assim, cerca de 18 nomes já podem começar a fazer as malas. Com base nas convocações do ciclo, nas declarações do próprio Ancelotti e nas apurações da imprensa esportiva, este é o raio-x mais completo de quem deve ou não estar na lista.

Os desfalques confirmados: três baixas que doem

Antes de falar em quem vai, é preciso registrar quem definitivamente não vai. Três nomes que fariam parte do grupo principal foram eliminados por lesões graves.

Rodrygo (Real Madrid) é a maior perda. O atacante sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco lateral do joelho direito em março. O tempo estimado de recuperação é de seis a sete meses, inviabilizando sua presença no Mundial. Rodrygo era um dos pilares do ataque e vivia a melhor fase da carreira antes do acidente.

Éder Militão (Real Madrid) também está fora. O zagueiro precisou passar por cirurgia após lesão muscular no bíceps femoral da coxa esquerda, com tempo de recuperação estimado em cinco meses. Militão acumulava versatilidade rara — jogava tanto na zaga quanto na lateral direita.

Estêvão (Chelsea) era o artilheiro da era Ancelotti com cinco gols e estava praticamente garantido, mas sofreu ruptura no músculo posterior da coxa direita em partida contra o Manchester United pela Premier League, em abril, e optou por não fazer tratamento conservador pensando em poupar o corpo para o futuro. Com a saída de Estêvão, Endrick, do Lyon, desponta como o primeiro da fila para ocupar a vaga aberta no ataque.

Os praticamente certos: ~18 nomes sem volta

De acordo com o planejamento da comissão técnica, cerca de 18 atletas já estão com o passaporte praticamente carimbado para o Mundial, desde que não sofram lesões de última hora.

Goleiros (3)

Alisson (Liverpool) é o titular incontestável, mesmo tendo se recuperado de uma contusão muscular recentemente. Ederson (Fenerbahçe) e Bento (Al-Nassr) completam o trio de arqueiros. Os três estiveram presentes nas convocações recentes e não há disputa real nesse setor.

Defensores (5 a 6)

Marquinhos (PSG) assume a liderança da zaga com a ausência de Militão e é nome certo há anos. Gabriel Magalhães (Arsenal) vive grande temporada na Premier League e está confirmado ao lado do capitão. Na lateral direita, Danilo e Wesley disputam espaço, sendo que Wesley ganhou força nas últimas convocações. Wesley é presença praticamente garantida, mas Vanderson também aparece fortalecido na direita pelo apoio ofensivo. À esquerda, Alex Sandro e Caio Henrique são as opções.

Meios-campistas (5 a 6)

Casemiro (Manchester United) e Bruno Guimarães (Newcastle) formam a dupla de volantes que Ancelotti conhece como a palma da mão — Casemiro foi peça central em seu Real Madrid bicampeão da Champions. Andrey Santos (Chelsea) ganhou espaço definitivo no ciclo pela versatilidade e entrega. Completam esse setor Andreas Pereira (Palmeiras), especialista em bolas paradas, e provavelmente mais um nome a ser definido entre os disponíveis.

Atacantes (7 a 8)

Vinícius Júnior (Real Madrid) é o protagonista absoluto e a grande esperança de gols. Raphinha (Barcelona) é fundamental pelo trabalho ofensivo e pela amplitude tática. Matheus Cunha (Manchester United) e Luiz Henrique (Zenit) somam experiência e velocidade. Gabriel Martinelli (Arsenal) e João Pedro (Chelsea) também figuram no grupo de confiança do técnico.

As três grandes dúvidas que o Brasil inteiro quer saber

Neymar (Santos) — A questão do século. Em entrevista à agência Reuters nesta terça-feira (12), Ancelotti afirmou que a possível convocação de Neymar será baseada exclusivamente em critérios técnicos e físicos, sem influência do peso histórico do atacante ou da pressão externa. “Quando você precisa escolher, precisa levar muitos fatores em consideração. Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre demonstrou. Mas ele teve problemas, está se recuperando e trabalhando duro para voltar”, afirmou o treinador.

O atacante está incluído na pré-lista de 55 nomes enviada à Fifa, e o próprio filho de Ancelotti sinalizou a presença do camisa 10 entre os pré-selecionados. Do lado positivo, Neymar atuou por mais de 80 minutos em 12 das 13 partidas disputadas na temporada — uma consistência que não era vista há muito tempo. Ainda assim, Ancelotti ponderou: “Para mim, é uma decisão não tão simples. Tenho que avaliar bem os prós e os contras.”

Lucas Paquetá (Flamengo) — Retornou ao Rubro-Negro em janeiro após passagem pelo West Ham e acumula 16 partidas pelo clube. O meia vive uma corrida contra o relógio para se recuperar de uma lesão e entrar em campo antes do anúncio oficial. Mesmo que não jogue antes do dia 18, suas chances de ir ao Mundial permanecem intactas, já que os convocados se apresentam apenas no dia 27 na Granja Comary. Paquetá declarou: “Sempre vai ser meu sonho. Primeiro fazendo meu trabalho no clube para que eu possa chegar à Seleção.”

Richarlison (Tottenham) — O camisa 9 titular no Catar em 2022 perdeu espaço no ciclo atual, mas não desistiu. Em entrevista à ESPN, o atacante declarou: “Abri mão de muita coisa por aquela camisa. Estou fazendo meu trabalho aqui no Tottenham, estou fazendo meus gols. Acho que vou estar na expectativa na TV. Estou confiante, creio que posso estar dentro.” O problema é a concorrência feroz no setor — João Pedro, Endrick, Igor Thiago, Igor Jesus e Pedro disputam as mesmas vagas.

O provável grupo de 26 posição a posição

Com base em tudo que foi apurado ao longo do ciclo, este é o cenário mais provável antes do anúncio oficial:

Goleiros: Alisson, Ederson, Bento

Defensores: Marquinhos, Gabriel Magalhães, Danilo, Wesley, Alex Sandro, Caio Henrique

Meios-campistas: Casemiro, Bruno Guimarães, Andrey Santos, Andreas Pereira, Gerson ou Paquetá

Atacantes: Vinícius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Luiz Henrique, Gabriel Martinelli, João Pedro, Endrick, Igor Thiago ou Igor Jesus, + 1 ou 2 vagas em aberto (Neymar? Rayan? Richarlison?)

As últimas vagas — especialmente no ataque — são as que ainda mantêm o suspense para a segunda-feira.

O que Ancelotti disse sobre a montagem do grupo

O treinador demonstrou confiança na própria avaliação ao defender que possui mais informações sobre os jogadores brasileiros do que qualquer outra pessoa envolvida no debate. “Posso montar uma equipe perfeita? Impossível. Mas posso montar uma equipe com menos erros do que outros fariam.”

Sobre a pressão externa em relação a Neymar, Ancelotti foi diplomático: “Neymar é muito amado. Não só pelo povo, mas também pelos jogadores. Se você chamar o Neymar, você não vai botar uma bomba no vestiário, porque é muito querido. Acho normal cada um dar sua opinião. Agradeço a todos que me deram conselhos.”

O que está em jogo para o Brasil

O hexacampeonato não vem desde 2002. A Seleção carrega um jejum de 24 anos sem título mundial. Agora, com Vinícius Júnior no seu melhor momento, com Raphinha consolidado como protagonista e com a promessa de jovens como Endrick e Andrey Santos, a esperança voltou a ganhar força.

O Brasil está no Grupo C da Copa do Mundo, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia é no dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Antes, a Seleção faz dois amistosos de preparação: contra Panamá, em 31 de maio, no Maracanã, e contra Egito, em 6 de junho, em Cleveland.

Faltam cinco dias para o país inteiro saber o nome dos escolhidos. O anúncio de Ancelotti começa às 17h da segunda-feira (18), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo nos canais esportivos e nas redes da CBF.