Cerca de 55 servidores da Defesa Civil Estadual do Paraná participaram na sexta-feira (30), em Tijucas do Sul, de uma capacitação para dirigir veículos 4×4 em terrenos com obstáculos, alagados e de grande inclinação. O treinamento prepara as equipes para chegar a áreas de risco e de desastre, onde o acesso costuma ser difícil.
A capacitação teve aulas teóricas e práticas sobre como trafegar em condições adversas, comuns em vistorias e no atendimento a ocorrências. Participaram equipes dos Núcleos de Atuação Regional (NAR), que atuam em diferentes regiões do estado, e servidores da sede da Defesa Civil, em Curitiba.
A Defesa Civil Estadual tem 175 funcionários. Metade é formada por militares, como bombeiros, policiais militares e integrantes do Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV).
Pista simula situações de campo
Segundo o tenente-coronel Daniel Lorenzetto, chefe da Divisão de Gestão de Riscos e Desastres (DGRID), o treinamento permitiu aos servidores civis conhecer detalhes de operação dos veículos em situações fora da rotina.
“São inúmeros os obstáculos que os nossos profissionais encontram em campo na vistoria de uma área afetada ou de risco. Nossas caminhonetes são todas 4×4 e essa pista simula as possibilidades que requerem conhecimento off-road, por isso organizamos esse dia de treinamento”, explicou.
“Dessa maneira, nossos operadores passam a conhecer as capacidades do veículo, qual mecanismo acionar e como sair de situações com desafios. Precisamos assegurar que sempre vamos conseguir ir até a ocorrência sem colocar a nossa equipe em risco ou prejudicar o atendimento”, acrescentou o tenente-coronel.
Chuva do El Niño dificulta acesso
Geólogos e engenheiros da Defesa Civil dividem o trabalho entre a sede, em Curitiba, e viagens frequentes para vistorias e acompanhamento de obras emergenciais. O engenheiro Daniel Sentone afirma que o volume de chuva tem dificultado a chegada aos locais.
“Especialmente com as ocorrências ligadas ao El Niño, o grande volume de chuva faz com que muitos lugares sejam difíceis de entrar pelas condições dos locais com deslizamentos e erosões associadas”, disse. “Essa preparação vai trazer maior segurança para todos nós acessarmos os locais, especialmente nessa época com grandes acumulados de chuva”, completou.
A geóloga Caroline Haluch, do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cegerd), viaja toda semana para fazer análises técnicas pedidas pelos municípios, que resultam em laudos com parecer do Estado. Muitas dessas áreas de risco são de difícil acesso.
“Quando estamos em campo não tem como prever o que vamos encontrar. Não podemos nos tornar mais uma vítima, estamos indo para prestar assistência, precisamos estar preparados e ajudar de maneira eficaz”, afirmou.
Primeira vez ao volante em terreno difícil
A contadora Solange de Carvalho dirigiu pela primeira vez um veículo nessas condições. “Tive que superar alguns medos, mas foi muito gratificante. Estou mais confiante para auxiliar em campo se um dia for requisitada”, disse.
Treinamento em comando de incidentes
Durante a semana, a equipe também participou de uma instrução de nivelamento com noções sobre o Sistema de Comando de Incidentes (SCI) e sobre atendimento pré-hospitalar a vítimas com ferimentos. Segundo a Defesa Civil, a preparação deve dar mais rapidez e precisão ao trabalho em campo e à organização das ocorrências.

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