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Magnífica Humanidade (6)

humanidade

rosel beraldo e anor sganzerla

          Chegamos agora ao último e belo capítulo da primeira Encíclica do Papa Leão XIV, qual seja, Magnífica Humanidade, capítulo denso, forte e contundente da realidade atual na qual estamos imersos, seu título é: “A cultura do poder e a civilização do amor”, aqui percebemos uma aplicação profunda da inteligência artificial, seus mandos e desmandos, responsabilidades, omissões, seu uso responsável e principalmente seu uso de forma descontrolada, irresponsável, sem culpa, sem remorsos e muito menos sabermos a serviço de quem ela está atuando; nesse furacão gigantesco estamos nós seres humanos, na maioria das vezes como meros expectadores, consumindo essa oferta “milagrosa” sem nos darmos conta do que ela pode impactar de fato em nossas vidas, tanto hoje, quanto amanhã, a inteligência artificial pode inclusive vir a desencadear uma pandemia digital.

          A inteligência artificial vem ganhando muito destaque nas guerras atuais, Rússia e Ucrânia, judeus e palestinos e principalmente entre Estados Unidos e Irã, esses e tantos outros conflitos monstruosos vem ganhando espaço pela sua crueldade e carnificinas totalmente inúteis, o paradoxo da espécie humana, construir aparelhos para salvar vidas num instante e logo em seguida serem aplicados para matarem, uma dinâmica absurda, onde o critério máximo é destruir o outro só porque ele é o outro, apenas isso, um estorvo, um incômodo, um empecilho, as guerras atuais estão se tornando banais, o que víamos antes nas telas de cinema, estão hoje ao vivo e a cores em nossos aparelhos telefônicos e outras quinquilharias eletrônicas; claramente estamos a cada dia que passa perdendo mais e mais a nossa capacidade de indignação, somos cada vez mais coniventes e desumanos.

           Nossa época vive do imediato, em especial de um pragmatismo vil, que olha apenas para uma direção, isto é, ele está voltado para o não ter limites, não importando onde a inteligência artificial possa ir, ela tem de ir avançando, aqui entra um elemento pouco explorado, que se chama mercado das armas, um motor altamente possante que movimenta bilhões e bilhões de dólares, essa empresa vive às custas da morte de inocentes, à custa da destruição de cidades e do meio ambiente, já não interessa aos “governos mandantes” enviarem seus soldados em forma humana, basta ordenar a um robô e ele automaticamente cumpre as ordens, a técnica nesse sentido está ao lado de alguém bem definido, porém oculto, a técnica jamais será neutra, ela apenas cumpre sua tarefa, o robô assassino apenas vê dados diante de si e não homens, mulheres e crianças.

          Com as guerras cada vez mais expansivas, vemos deteriorar-se as instituições que um dia foram criadas para defender os povos, tornaram-se apenas uma sombra do que um dia foi seu projeto inicial, a Organização das Nações Unidas, é hoje uma anã em termos diplomáticos, suas reuniões de emergência e seus discursos vazios e inofensivos, caíram num poço sem fundo de descrédito, segundo a nova visão a paz não constrói nada, só a força, o poder e a vingança devem ser colocadas a disposição para se construir uma nova ordem mundial, o famigerado mercado, em outros tempos elevado a status de semideus, hoje não aparece em lugar algum, sua covardia alcançou níveis estratosféricos, escondeu-se sob o manto da invisibilidade, cinismo exacerbado, rasteiro e pífio, somente analisando as diversas situações de modo vago, impreciso, principalmente a sua renda a curto prazo.

          Bioeticamente, o nosso tempo é permeado por belezas e contradições sem fim, um planeta majestoso, onde todos podem viver em paz em harmonia, a maioria esmagadora dos povos não quer nenhum tipo de guerra ou mortes sem necessidade, a inteligência artificial, segundo seus criadores anônimos, vem para simplificar a vida em sua inteireza, porém essa simplificação pode nos trazer consequências devastadoras, o  simples também pode confundir, pode alterar e pode construir uma realidade muito mais difícil do que a de antes, a inteligência artificial trata as pessoas e meio ambiente como números, tudo sujeito a cálculos frios e sem nenhuma interação com a nossa vida interior, social e comunitária; a inteligência artificial tenta se impor como sendo livre de preconceitos, aberta ao público, de ter as melhores intenções, mas bem sabemos o quanto isso já nos enganou e nos tapeou. Rosel Antonio Beraldo, mora em Verê-PR, Mestre em Bioética, Especialista em Filosofia, ambos pela PUCPR; Anor Sganzerla, de Curitiba-PR, Doutor e Mestre em Filosofia, professor titular do programa de Bioética pela PUCPR. Emails: ber2007@hotmail.com

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Rosel Beraldo e Anor Sganzerla

Rosel Antonio Beraldo, mora em Verê-PR, é Mestre em Bioética, Especialista em Filosofia pela PUC-PR; Anor Sganzerla, de Curitiba-PR, é Doutor e Mestre em Filosofia, é professor titular de Bioética na PUCPR. Emails: ber2007@hotmail.com e anor.sganzerla@gmail.com

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