AGORA

Moro diz que transição começou e promete menos secretarias

Governador eleito confirma conversas com Ratinho Junior e Alexandre Curi e pretende chegar a janeiro com a nova estrutura administrativa definida

moro

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), afirmou nesta sexta-feira, 9 de outubro, que a transição de governo já começou e que o secretariado será definido de forma gradual. Em entrevista à CBN Curitiba, ele prometeu reduzir o número de secretarias e chegar a janeiro com a nova estrutura planejada.

“Tudo a seu tempo. Nada se define na semana seguinte às eleições”, declarou Moro. Segundo ele, o objetivo é ter as principais mudanças planejadas até janeiro para acelerar a implementação do plano de governo.

Moro confirmou que já conversou com o governador Ratinho Junior (PSD) e com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Rep). As conversas incluem o acesso a informações sobre a situação financeira do Estado, os programas em andamento e a possibilidade de ajustes no orçamento de 2027.

Equipe de transição já atua

De acordo com Moro, Ratinho Junior se colocou à disposição para colaborar com a transição. O governador eleito disse que já tem uma equipe discutindo o tema, mas não revelou nomes.

“Da mesma forma, o governador Ratinho Junior me ligou, se colocou à disposição, vamos começar a construir a transição. A gente já tem uma equipe discutindo transição. Agora vamos colocar em contato com a equipe a ser definida pelo governador para que possamos ir recebendo as informações”, afirmou.

Com Alexandre Curi, a intenção é avaliar eventuais adequações na proposta orçamentária do próximo ano. “Já conversei com o presidente da Assembleia, Alexandre Curi, um estadista nessa transição, e vamos trabalhar para que tenhamos os ajustes que forem eventualmente necessários no orçamento, pensando no nosso futuro governo”, declarou.

Moro disse que pretende manter uma relação institucional com os atuais governantes e parlamentares, independentemente das disputas eleitorais. “As eleições passaram, durante as eleições os ânimos evidentemente se exaltam. Da nossa parte, nós fizemos uma campanha muito limpa e sem ataques, sofremos até ataques, mas vamos olhar para frente. Não vamos fazer um governo de vingança”, disse.

Menos secretarias e nomes técnicos

Questionado sobre a expectativa de aliados em relação aos nomes do secretariado, Moro afirmou que a prioridade é conhecer a situação administrativa do Paraná e planejar a reorganização do governo.

O governador eleito reiterou a promessa de reduzir o número de secretarias, mas ainda não definiu quantas pastas serão extintas ou incorporadas. Segundo ele, a mudança pretende diminuir a burocracia, melhorar a eficiência administrativa e reduzir despesas.

“Queremos, sim, enxugar a máquina para reduzir a burocracia, ter uma gestão mais dinâmica e também mais econômica, porque cada centavo economizado é dinheiro que a gente vai aplicar na ponta, em favor do cidadão”, afirmou.

Moro também disse que, como prometeu na campanha, vai escolher nomes técnicos para as diferentes áreas. “Claro que a gente já tem alguns nomes em vista, mas eu entendo que tudo tem que ser feito ao seu tempo. Não tem necessidade de fazer anúncios prematuros”, declarou.

Base de apoio na Assembleia Legislativa

Moro afirmou que já recebeu contatos de deputados estaduais de diferentes partidos interessados em conversar sobre a formação de uma base de apoio. A coligação do governador eleito elegeu 20 deputados estaduais, e ele pretende ampliar o diálogo para viabilizar a aprovação de projetos.

“Se nós conseguimos consenso em princípios, em valores relacionados à pauta do governo, eu não vejo dificuldades em fazer uma composição”, afirmou.

Entre as propostas que pretende apresentar aos parlamentares, Moro citou a defesa da liberdade econômica, de um Estado menor e da redução futura da carga tributária, condicionada ao equilíbrio das contas públicas.

“É um trabalho de respeito institucional, com respeito à autonomia da Assembleia, um poder separado, mas que tem que trabalhar em harmonia com o governo”, disse.

ICMS e substituição tributária

Na área econômica, Moro afirmou que pretende discutir com o setor produtivo medidas para recuperar a competitividade do Paraná. Ele citou a alíquota geral do ICMS, que, segundo declarou, está em 19,5%, e defendeu uma redução gradual da carga tributária, desde que haja equilíbrio fiscal.

“Com o equilíbrio das contas públicas, com a redução de gastos e com a prevenção dos desvios de dinheiro, nós queremos, com o tempo, reduzir essa alíquota para nos tornarmos ainda mais competitivos”, afirmou.

O governador eleito também mencionou as reclamações de empresários sobre a substituição tributária, mecanismo que antecipa o recolhimento do imposto em determinadas operações. Para ele, o tema exige análise cuidadosa. Embora ajude a combater a sonegação e facilite a arrecadação, o mecanismo pode elevar os preços ao consumidor e antecipar pagamentos de empresas.

“Temos que tomar o cuidado para que o remédio não mate o paciente”, disse. Moro afirmou ainda que pretende manter diálogo permanente com o G7, grupo que reúne entidades representativas do setor produtivo paranaense, além de outras organizações empresariais.

Copel é “ponto de honra”

Questionado sobre as reclamações de produtores rurais e empresários a respeito das quedas de energia, Moro afirmou que pretende cobrar providências da Copel. “Resolver a questão da Copel, da má qualidade dos serviços hoje prestados, é para nós um ponto de honra”, declarou.

Segundo ele, o governo buscará um plano de investimentos e alternativas para melhorar o atendimento a empresas e consumidores residenciais.

“Vamos começar trabalhando duro nisso, exigindo primeiro um plano de investimento e buscando alternativas para que a gente possa deixar a ligação da Copel com os serviços ao cidadão paranaense, seja empresas ou ao cidadão comum, mais imune a quedas de energia constantes”, afirmou. Moro relacionou a melhoria dos serviços públicos ao desenvolvimento econômico e à capacidade do Estado de atrair investimentos.

Corrupção e segurança pública

Moro reafirmou que pretende retomar políticas de prevenção e combate à corrupção no Paraná. Ele citou a experiência da Operação Lava Jato e disse que vai instituir um Código de Ética da Alta Administração, formar um governo com perfil técnico e garantir autonomia aos órgãos de fiscalização.

“Não que a finalidade do governo seja prevenir e combater a corrupção, mas esse é um meio para a gente ter mais educação, mais saúde, mais infraestrutura no Estado”, afirmou. O governador eleito também reiterou que a segurança pública seguirá entre as prioridades da gestão.

Flávio lidera Lula em três pesquisas de 2º turno
Flávio tem campanha reforçada com Moro, Zucco e Jorginho

Eleição presidencial

Apesar dos trabalhos de transição, Moro afirmou que sua principal prioridade política neste momento é a eleição presidencial. Nesta semana, ele esteve em Brasília e participou de um ato de apoio ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

“A prioridade agora máxima é a derrota do Lula, a eleição do Flávio Bolsonaro, que vai ser importante também para o Estado do Paraná, para a gente ter um aliado no Palácio do Planalto”, afirmou.

Moro disse que pretende atuar para ampliar a votação de Flávio no Paraná e avaliou que o resultado do primeiro turno demonstrou uma demanda por mudanças. Na análise dele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta insatisfação em razão da economia, do endividamento das famílias e da segurança pública.

“O Brasil não aguenta mais o governo do PT, das famílias endividadas, da inflação de alimentos, do supermercado alto, das empresas quebrando e do desespero das pessoas com o crime avançando, com a falta de projeto para o país”, declarou. Ele ponderou, porém, que a disputa ainda exige cautela. “Está bem encaminhado, mas a gente tem que ter pé no chão e humildade de saber que a eleição se ganha no dia da apuração”, afirmou.

Agradecimento aos eleitores

Ao agradecer aos paranaenses pela vitória no primeiro turno, Moro disse que pretende transformar as propostas da campanha em ações de governo. “Minha promessa principal é que nós vamos honrar cada um dos votos, da confiança depositada na gente, no governo que começaremos ali em janeiro”, declarou.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no WhatsApp

Entrar no grupo agora

Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *