O Paraná confirmou dois casos de hantavírus e investiga outros 11 registros suspeitos da doença em diferentes municípios do Estado. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os pacientes não tiveram transmissão de pessoa para pessoa e os casos não possuem relação com o surto registrado em um cruzeiro que saiu da Argentina.
O alerta ganhou repercussão internacional após a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgar mortes relacionadas ao hantavírus durante uma viagem marítima entre a Argentina e Cabo Verde. Pelo menos três pessoas morreram durante o trajeto.
Transmissão ocorreu por contato com roedores silvestres
De acordo com a Sesa, os casos registrados no Paraná envolvem transmissão por contato com animais silvestres contaminados. O vírus identificado no Estado também não corresponde à mesma cepa encontrada nos casos do cruzeiro internacional.
O hantavírus é uma zoonose viral transmitida principalmente por roedores silvestres infectados. A contaminação geralmente acontece pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva dos animais.
Locais fechados e pouco ventilados, como galpões, paióis, silos e cabanas, apresentam maior risco de exposição, segundo a OMS.
Caso próximo da fronteira preocupa autoridades
Um dos casos confirmados ocorreu em Pérola d’Oeste, município localizado próximo à fronteira com a Argentina, país que enfrenta aumento significativo nos registros da doença.
Segundo o Ministério da Saúde argentino, foram confirmados 101 casos de hantavírus desde junho de 2025, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Em Ponta Grossa, um caso segue em investigação. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente teria sido contaminado em outro município.
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Sintomas podem evoluir para insuficiência respiratória
Na fase inicial, os sintomas costumam se parecer com uma gripe forte. Entre os principais sinais estão febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar e sintomas gastrointestinais.
Nos quadros mais graves, os pacientes podem apresentar falta de ar, tosse seca, queda de pressão e insuficiência respiratória.
A infectologista Gabriela Gehring explicou que nem todos os casos evoluem para formas graves da doença.
“Assim como outros vírus, nem todos os casos evoluem para formas graves. Algumas pessoas apresentam sintomas inespecíficos, enquanto outras podem desenvolver insuficiência respiratória”, afirmou.
Doença não possui tratamento específico
Segundo a Sesa, não existe medicamento específico contra o hantavírus. O tratamento é feito com suporte médico e acompanhamento hospitalar.
Por isso, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente ao surgirem os primeiros sintomas, principalmente após contato com ambientes onde possa haver presença de roedores.
Prevenção envolve limpeza e cuidados em ambientes fechados
As autoridades de saúde orientam a população a manter terrenos limpos, armazenar alimentos em recipientes fechados, retirar entulhos próximos às residências e utilizar luvas e calçados fechados durante limpezas.
Outra recomendação importante é evitar varrer locais fechados e empoeirados. A Sesa orienta que a limpeza de galpões, silos e paióis seja feita de forma úmida, evitando que partículas contaminadas fiquem suspensas no ar.





