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Soja entra no seguro rural do Paraná com R$ 7,6 milhões

Inclusão atende demanda do Sistema FAEP, que pede ampliação dos recursos para proteger produtores contra perdas de safra.

lavoura

A soja passou a integrar o Programa de Subvenção Econômica ao Prêmio do Seguro Rural Estadual do Paraná em 2026, com quase R$ 7,6 milhões destinados à cultura. A inclusão atendeu a uma demanda do Sistema FAEP e ocorreu por meio da Resolução 114, publicada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento.

Os recursos destinados à oleaginosa foram esgotados em agosto, após a contratação de quase 3,1 mil apólices. No total, o programa estadual disponibilizou R$ 22 milhões para diferentes atividades agropecuárias neste ano.

O Sistema FAEP avalia que a inclusão representa um avanço, mas defende a ampliação dos recursos a partir de 2027.

Soja representa quase 20% do valor da produção

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a entidade vinha defendendo a entrada da soja no programa desde o início do ano.

“Desde o início do ano vínhamos reforçando a importância de incluir a soja no programa. Afinal, a cultura representa quase 20% do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Paraná, ou seja, quase R$ 42 bilhões”, afirmou.

Meneguette também citou os impactos de eventos climáticos, riscos fitossanitários e desafios relacionados ao manejo do solo.

“Esperamos que o próximo governador e secretário de agricultura trabalhem para elevar esse montante, a fim de atender ainda mais produtores rurais”, acrescentou.

A proposta de inclusão da soja também faz parte do Plano Diretor do Agronegócio Paranaense 2027/30, elaborado pelo Sistema FAEP e pelos sindicatos rurais.

O documento foi entregue em agosto aos candidatos ao Governo do Paraná.

Seguro busca reduzir risco de endividamento

Para o diretor do Departamento de Economia Rural, Marcelo Garrido, a inclusão da soja amplia a proteção dos produtores. “A inclusão da soja no programa de seguro rural paranaense contou com a atuação decisiva do Sistema FAEP”, afirmou.

Segundo Garrido, a medida ajuda a proteger o produtor contra quebras de safra e pode reduzir o risco de endividamento. A subvenção também diminui o custo pago pelo produtor na contratação da apólice e pode facilitar o acesso ao crédito agrícola.

Programa existe desde 2009

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do Paraná foi criado em 2009 pela Lei Estadual 16.166.

Inicialmente, a iniciativa buscava estimular a produção de trigo e reduzir a dependência de importações. Ao longo dos anos, o programa foi ampliado para outras culturas e atividades.

Atualmente, contempla abacaxi, algodão, ameixa, arroz, banana, batata, café, caqui, cebola, cevada, feijão, kiwi, laranja, maçã, mamão, maracujá, melancia, milho, nectarina, pera, pêssego, soja, sorgo, tangerina, tomate, uva, aquicultura e pecuária.

A gestão financeira é realizada pela Fomento Paraná, enquanto as seguradoras privadas participam de forma voluntária.

Estado já aportou R$ 112,7 milhões

Entre 2009 e 2026, o Paraná destinou R$ 112,7 milhões às subvenções do seguro rural estadual. Nesse período, aproximadamente 5,2 milhões de hectares foram segurados.

Somente em 2026, foram liberados R$ 22 milhões. Desse total, 99,18% foram aprovados em 7.769 apólices contratadas, cobrindo 341 mil hectares.

Meneguette defende mudanças operacionais e aumento do orçamento. “Diante das evoluções tecnológicas do mercado segurador, o programa precisa de um aperfeiçoamento operacional em relação aos processos. Além disso, no aspecto financeiro, o volume de recursos precisaria aumentar”, afirmou.

FAEP apresenta propostas a Sergio Moro

O Sistema FAEP apresentou ao governador eleito Sergio Moro uma série de propostas para fortalecer o programa a partir do próximo governo.

Entre as sugestões estão a ampliação progressiva do orçamento estadual para subvenção e a criação de uma meta plurianual para crescimento dos recursos.

A entidade também propõe estabelecer uma distribuição prévia por cultura, com percentuais ou limites financeiros específicos. Outra sugestão é criar mecanismos de priorização conforme o risco climático de cada cultura ou região.

O documento também defende o fortalecimento da participação das seguradoras e mudanças na gestão operacional do programa estadual.

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Gustavo Ferreira

Jornalista atuante em portais de notícias há 20 anos. Trabalhou como redator independente para diversas redações.

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