Mais de 100 produtores rurais, técnicos agrícolas e estudantes de colégios agrícolas e instituições de ensino superior participaram, no dia 5 de agosto, em Toledo, na região Oeste do Paraná, do primeiro de cinco Dias de Campo de Solos promovidos pelo Sistema FAEP em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná.
O encontro proporcionou capacitação técnica e difusão de práticas de conservação e manejo do solo, reunindo participantes dos municípios de Assis Chateaubriand, Bom Princípio, Cafelândia, Cascavel, Diamante do Sul, Marechal Cândido Rondon, Missal, Nova Santa Rosa e Toledo.
Megaparcela apresenta oito anos de estudos
O Dia de Campo em Toledo contou com a parceria do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Prosolo, da Rede Agropesquisa, que disponibilizou a megaparcela onde foram realizadas as atividades. A área é utilizada há oito anos para estudos que avaliam, em condições reais de produção, os efeitos de diferentes práticas de conservação.
Os palestrantes do Napi Prosolo apresentaram os resultados dos estudos relacionados a quatro estações técnicas, sobre o monitoramento da perda de solo e água em áreas com e sem terraceamento; a avaliação dessas perdas na microbacia e no rio; a análise de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos do solo; e o manejo de dejetos suínos para uso nas lavouras.
“A programação buscou aproximar os nossos produtores do conhecimento produzido pelas instituições de pesquisa e contribuir para a adoção de práticas adequadas às características de cada região. Conservar o solo é preservar o principal patrimônio do produtor rural e garante que a atividade agropecuária continue crescendo e sustentável ao longo das gerações”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Os participantes demonstraram bastante interesse. A repercussão foi positiva”, complementa a pesquisadora do Napi Prosolo Graziela de Cesare Barbosa.
Na ocasião, o segundo livro publicado pela Rede Agropesquisa foi entregue aos produtores como forma de reconhecimento pela colaboração com os estudos.

Resultados visíveis no campo
O produtor rural e vice-presidente do Sindicato Rural de Toledo, Edenilson Carlos Copini, acompanhou os resultados de uma área com terraços e outra na qual as estruturas foram retiradas, sem mudanças no restante do sistema produtivo.
“É possível perceber que, onde não havia terraceamento, ocorreu uma perda grande de água e de solo. Sem essa contenção, parte do solo foi para o rio, com uma perda significativa de fertilidade”, relata. “Para manter o potencial produtivo do solo e deixá-lo para as próximas gerações, precisamos cuidar. Não se trata somente do terraceamento, mas de um conjunto de práticas que, aplicadas de forma integrada, faz a diferença”, reforça.
Para a integrante da Comissão de Mulheres do Sindicato Rural de Toledo, Gladis Knebel Schneider, um dos motivos do retorno dos processos erosivos na região tem relação com a retirada das curvas de nível em propriedades. “O Dia de Campo retomou um tema que precisa ser debatido. Muitos produtores estão retirando as curvas de nível e a erosão está voltando às lavouras. Nas estações técnicas, pudemos verificar o que perdemos durante as chuvas fortes, com a microbiota e a fertilidade do solo sendo afetadas, enquanto a água e os sedimentos chegam aos rios”, observa.
Prejuízos vão além da área cultivada
Os prejuízos causados pela erosão não se limitam à área cultivada. O transporte de partículas de solo, nutrientes e matéria orgânica para cursos d’água favorece o assoreamento dos rios e reduz a capacidade produtiva das lavouras. Por isso, os pesquisadores destacam que práticas como terraceamento, plantio em curva de nível, plantas de cobertura e rotação de culturas devem ser utilizadas de maneira complementar.
Para o vice-presidente da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná, Elio Migliorança, de Nova Santa Rosa, as medições científicas ajudam os produtores a compreender as perdas, muitas impossíveis de perceber a olho nu. “As experiências permitem tomar consciência daquilo que visualmente é difícil quantificar: o que estamos perdendo ou deixando de ganhar. Ou conservamos o solo, que é o patrimônio de onde tiramos nossa sobrevivência, ou, em médio e longo prazos, teremos redução da produtividade e da lucratividade”, afirma. “O Dia de Campo comprova que é possível ganhar dinheiro preservando e, ao mesmo tempo, garantir a perenidade da propriedade”, conclui.
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Próximos Dias de Campo
A série continua em Umuarama, no dia 2 de setembro; Cruzeiro do Sul, em 16 de setembro; Irati, em 24 de setembro; e Cambará, em 30 de setembro. Ao longo dos encontros, também serão abordados temas como avaliação visual da qualidade do solo, plantas de cobertura, integração lavoura-pecuária, manejo de dejetos suínos, plantio em curva de nível e terraceamento. As inscrições podem ser feitas pelo link disponibilizado pelo Sistema FAEP.





















