O El Niño pode atingir intensidade sem precedentes e superar os padrões observados nas últimas quatro décadas, afirmou nesta quarta-feira (21) a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo. No mesmo dia, a ONU divulgou relatório que prevê aquecimento global maior do que o projetado anteriormente.
Segundo Celeste Saulo, o El Niño deve levar uma onda de calor para algumas regiões e alterar os padrões de chuva, com seca severa em parte do planeta. Em outras regiões, o fenômeno pode causar inundações.
Relatório da ONU prevê aquecimento maior
O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta que o aquecimento global deve ser mais intenso que nas projeções anteriores, mesmo no cenário mais otimista. As temperaturas médias devem subir de 1,7 °C a 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais até meados do século.
Com as políticas atuais, o Pnuma projeta aquecimento de 2,8 °C até 2100. Se os países cumprirem integralmente os compromissos climáticos existentes, a alta seria de 2,6 °C.
As duas estimativas superam as projeções do ano passado. Segundo o relatório, a diferença reflete a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e avaliações revisadas das emissões históricas.
Cortes de emissões ficam abaixo do necessário
O documento reconhece a expansão das energias renováveis e políticas climáticas que reduzem as emissões em muitos países. Mesmo assim, aponta que ainda são necessárias reduções “urgentes e rigorosas” para alcançar o melhor cenário possível.
Para isso, as emissões de gases de efeito estufa precisariam cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação aos níveis de 2025. Os planos nacionais atuais reduziriam as emissões em apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.
O relatório indica ainda que os planos climáticos apresentados desde o ano passado praticamente não mudaram as projeções de aquecimento futuro.
Meta de 1,5 °C depende de remoção de carbono
Pelo Acordo de Paris, de 2015, os países concordaram em tentar manter o aumento médio da temperatura bem abaixo de 2 °C e, preferencialmente, em 1,5 °C.
Segundo o Pnuma, limitar o aquecimento a 1,5 °C sem ultrapassar a meta, ou com ultrapassagem limitada, não é mais considerado possível. O novo cenário de ultrapassagem “mais baixo possível” do programa oferece cerca de 50% de chance de as temperaturas voltarem a 1,5 °C ou menos até 2100.
Esse retorno, de acordo com o relatório, dependeria da remoção de carbono em grande escala, cuja viabilidade é incerta.
Guterres pede que países não desistam
Os países se preparam para a próxima rodada de negociações climáticas, a COP31, na Turquia. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que é crucial não desistir dos esforços para conter as emissões que causam inundações, incêndios e outros desastres naturais.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível, e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, disse Guterres.

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