O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi colocado em prisão domiciliar na noite de sexta-feira (6), horas depois de ser destituído pelo Senado por sua ligação com a quebra do banco Ueno. No mesmo dia, o vice Pedro Alliana tomou posse e vai governar até agosto de 2028.
A prisão foi determinada pelo Ministério Público, sob suspeita de quebra de confiança e outros crimes. Segundo os promotores, Peña deve permanecer em casa até se apresentar à unidade de crimes econômicos e anticorrupção, em Assunção, o que estava previsto para a manhã deste sábado (7).
De acordo com os promotores, as acusações finais ainda estão sendo definidas e podem incluir tráfico de influência. O Ministério Público também pediu a prisão do ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo.
Segundo a CNN Brasil, Peña não usará tornozeleira eletrônica por enquanto, e o monitoramento será feito por policiais.
Protestos em frente à casa
Dezenas de manifestantes se reuniram em frente à residência de Peña, em Assunção, no momento da prisão. A polícia montou um cordão de segurança ao redor do imóvel.
Peña nega irregularidades e afirma que o caso é uma questão regulatória. Em mensagem de despedida nas redes sociais, ele disse que deixava o cargo com gratidão e reconheceu a angústia de quem aguarda respostas sobre as economias.
Alliana toma posse
Pedro Alliana, de 52 anos, foi empossado pelo presidente do Senado, Basilio Núñez, cerca de uma hora depois da votação que destituiu Peña. Ele era vice-presidente desde 2023 e já presidiu a Câmara dos Deputados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou Alliana nas redes sociais. “Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno sucesso nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa”, escreveu.
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Destituição foi unânime
O Senado aprovou a destituição de Peña na sexta-feira por 44 votos, em processo de impeachment por mau desempenho de funções. A votação ocorreu um dia depois de ele apresentar renúncia. Com a condenação, Peña perde a cadeira vitalícia no Senado e a imunidade parlamentar que teria como ex-presidente.
Segundo a acusação, Peña cometeu conflito de interesses, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência e participou de um acobertamento institucional envolvendo o Banco Central. Os parlamentares também apontam que o fundo previdenciário estatal depositou US$ 355 milhões no Ueno, acima dos limites legais.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. O Ueno sofreu intervenção do Banco Central na terça-feira (3) e tinha cerca de 3 milhões de clientes, quase metade da população paraguaia, que ficaram sem acesso ao dinheiro.

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