O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) a destituição do presidente Santiago Peña, por sua ligação com a quebra do banco digital Ueno. O impeachment foi aprovado um dia depois de Peña renunciar. O colapso do banco congelou o acesso a milhões de contas.
Os 44 senadores presentes votaram pela destituição por mau desempenho de funções. A condenação exigia 30 votos entre os 45 integrantes da Casa. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados havia aprovado a abertura do processo por 78 votos a zero.
Peña não compareceu ao julgamento, apesar de ter dito que faria a defesa pessoalmente. No início da sessão, os senadores rejeitaram, por 39 votos a 3 e duas abstenções, o pedido do presidente para adiar a defesa por 72 horas.
Renúncia daria imunidade
A diferença entre renúncia e destituição tem efeito prático. A Constituição paraguaia garante aos ex-presidentes eleitos uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidade parlamentar, exceto quando são condenados em julgamento político.
Com a destituição, Peña perde esse direito. O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência, segundo a imprensa paraguaia.
As acusações
De acordo com a acusação, Peña cometeu conflito de interesses, manipulou a supervisão regulatória, desviou fundos de previdência e participou de um acobertamento institucional envolvendo o Banco Central do Paraguai.
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Os deputados também questionaram a nomeação de Carlos Carvallo, ex-dirigente do banco, para a presidência do Banco Central, e a concentração de recursos públicos e previdenciários na instituição.
A defesa negou que as acusações demonstrem participação direta de Peña nas decisões do banco. O Ministério Público já abriu investigações criminais que envolvem o ex-presidente.
Banco tinha cerca de 3 milhões de clientes
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno na madrugada de terça-feira (3), depois de identificar que o banco digital descumpria os requisitos mínimos de solvência. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes, quase metade da população do país.
A crise já levou à saída do presidente do Banco Central. O ex-CEO do Ueno, Miguel Vázquez, foi denunciado por crimes como abuso de confiança e tentativa de fraude, e a Justiça determinou a prisão preventiva de diretores do banco.
Protestos em Assunção
A crise chegou às ruas. Na noite de quinta-feira, manifestantes voltaram ao centro de Assunção para cobrar responsabilização pelo colapso do Ueno e uma indenização mais rápida aos correntistas, que seguem com as economias bloqueadas.
Segundo a agência Reuters, alguns correntistas começaram a recuperar o dinheiro na noite de quinta-feira.

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