A Itaipu Binacional apresentou no sábado (7) uma denúncia penal contra ex-diretores do Ueno Bank para tentar recuperar o dinheiro que mantinha no banco paraguaio, liquidado pelo Banco Central do Paraguai (BCP). Segundo a margem paraguaia da hidrelétrica, havia US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis depositados na instituição.
Os saldos são de 3 de novembro e foram divulgados em comunicado nas redes sociais da Itaipu paraguaia. Juntos, equivalem a 7,6% dos recursos recebidos pelo lado paraguaio em remessas do Brasil entre 2024 e 2026, período em que essas transferências passaram de US$ 2,4 bilhões, de acordo com a binacional.
A Itaipu começou a operar com o Ueno Bank em janeiro de 2025. Parte dos valores veio da Administração Nacional de Eletricidade (Ande), a estatal paraguaia de energia, e parte de transferências entre contas da própria entidade. A binacional afirma que a situação não afeta o andamento normal de suas atividades.
Acusação de estelionato
Apresentada pela diretoria jurídica da Itaipu e divulgada pelo jornal paraguaio ABC Color, a denúncia aponta os crimes de estelionato, lesão de confiança, conduta indevida em situação de crise e violação do dever de manter livros comerciais.
O documento é dirigido aos oito ex-diretores do banco que já foram imputados e estão em prisão preventiva ou domiciliar, entre eles Miguel Vázquez, maior acionista e um dos fundadores do Ueno. A Itaipu pede que o caso seja analisado junto com a investigação já aberta contra os dirigentes.
O BCP determinou em 2 de novembro o procedimento de resolução do Ueno Bank, equivalente a uma liquidação, depois de constatar que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo exigido. Mais de 3 milhões de contas foram paralisadas.
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Promotoria imputa Peña
No mesmo sábado, a Promotoria do Paraguai imputou ao ex-presidente Santiago Peña os crimes de lesão de confiança e administração em proveito próprio no caso Ueno e pediu a prisão preventiva dele. Peña foi destituído da Presidência pelo Senado na sexta-feira (6) e foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025.
Também foi imputado o ex-presidente do Banco Central do Paraguai Carlos Carvallo, por lesão de confiança, administração em proveito próprio e produção de documentos públicos de conteúdo falso. Os promotores pediram a prisão preventiva dele.
Carvallo comandou a antiga Financiera Ueno antes de assumir o Banco Central, em 2023. De acordo com o ABC Color, ele se entregou à polícia na noite de sexta-feira (6) e está detido desde então.
Ainda segundo o jornal, Peña e Carvallo prestaram depoimento no sábado e ficaram em silêncio. A Promotoria pediu à Justiça o bloqueio de bens e contas bancárias dos dois.

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