Estado de Greve no Ciruspar continua após audiência no TRT

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Os médicos e médicas do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgência do Sudoeste do Paraná (Ciruspar) decidiram manter o estado de greve após a realização de audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na última sexta-feira (29). Segundo a categoria, a direção do consórcio não apresentou proposta capaz de atender às reivindicações dos profissionais, o que mantém o impasse iniciado em 9 de maio.

De acordo com o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), a paralisação ocorre após sucessivas tentativas frustradas de negociação. Os profissionais alegam que o Ciruspar pretende retirar direitos garantidos em acordos coletivos firmados anteriormente entre as partes.

Além disso, a direção do consórcio argumenta que não possui condições financeiras para atender às reivindicações sem um aporte maior de recursos por parte do Governo do Estado.

Audiência no TRT terminou sem acordo

O conflito trabalhista foi levado ao Tribunal Regional do Trabalho, que promoveu uma audiência de conciliação para buscar uma solução entre as partes. Durante a reunião, representantes do Ciruspar afirmaram que a limitação orçamentária impede a concessão do reajuste reivindicado pelos médicos.

Segundo o consórcio, um aumento no repasse de recursos estaduais seria necessário para viabilizar qualquer avanço nas negociações salariais.

Por outro lado, conforme informado pelo Simepar, a Secretaria de Estado da Saúde não compareceu à audiência, apesar de ter sido convocada pelo TRT para participar da discussão.

Atendimentos seguem mantidos em cerca de 40 municípios

Apesar da greve, os profissionais informam que os atendimentos prestados à população continuam sendo realizados normalmente. A paralisação ocorre na modalidade de greve administrativa, o que significa que os médicos deixaram de executar atividades burocráticas que não interferem diretamente nos serviços de urgência e emergência.

Neste sentido, o atendimento prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), administrado pelo Ciruspar, permanece em funcionamento para os cerca de 40 municípios atendidos pelo consórcio na região Sudoeste do Paraná.

Entretanto, a categoria alerta que o impasse pode gerar novos desdobramentos caso não haja avanço nas negociações.

Outras categorias podem aderir ao movimento

Segundo os representantes dos médicos, a continuidade da falta de acordo pode ampliar a mobilização dentro do Ciruspar. Isso porque outras categorias profissionais que atuam no serviço já teriam sinalizado a possibilidade de aderir ao movimento grevista.

Consequentemente, a pressão sobre a direção do consórcio e sobre os órgãos públicos envolvidos tende a aumentar caso as negociações permaneçam sem solução.

Categoria questiona proposta apresentada pelo consórcio

A data-base dos médicos do Ciruspar ocorre no mês de abril. Com isso, o último Acordo Coletivo de Trabalho teve vigência encerrada em 30 de abril deste ano.

Durante as negociações para renovação do acordo, a direção do consórcio apresentou uma proposta de reajuste que, segundo o Simepar, ficou abaixo da inflação acumulada no período.

Além disso, os médicos afirmam que o Ciruspar pretende retirar direitos já previstos em acordos anteriores. Entre os pontos citados pela categoria estão alterações no pagamento adicional pelos serviços prestados em feriados e a redução da indenização referente ao intervalo intrajornada.

Médicos defendem manutenção dos direitos trabalhistas

Os profissionais afirmam que a manutenção da greve busca chamar a atenção da população e das autoridades para a necessidade de valorização dos trabalhadores que atuam na linha de frente da assistência em saúde.

De acordo com o posicionamento divulgado pela categoria, a continuidade do movimento ocorre diante da ausência de reconhecimento da importância dos acordos coletivos e da falta de avanços concretos nas negociações.

Os médicos também defendem que a valorização profissional é fundamental para garantir a qualidade dos serviços prestados à população e o adequado funcionamento da rede de urgência e emergência da região.