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Faggion rebate suspeitas levantadas na Operação Agregados

Ex-vereador afirma que nunca recebeu dinheiro de empresas, esclarece apreensões e diz que colaborará com investigação do MPPR

Coletiva Impresnsa romulo faggion

Romulo Faggion concedeu entrevista coletiva para apresentar sua versão sobre os fatos investigados na Operação Agregados.

O ex-vereador Romulo Faggion negou ter sido cooptado por empresas do setor de pavimentação e afirmou que colaborará com as investigações da Operação Agregados, em entrevista coletiva. Ele também declarou que cerca de R$ 80 mil divulgados após a operação foram apreendidos em outro endereço, e não em sua residência.

A Operação Agregados, conduzida pelo Gepatria e pela 1ª Promotoria de Justiça de Pato Branco, do Ministério Público do Paraná, apura possível conluio entre grupos empresariais para fraudar licitações em Pato Branco e região. Segundo a investigação, existem indícios de cartel, lavagem de ativos, associação criminosa e corrupção.

Uma das hipóteses apuradas é de que empresas teriam cooptado um ex-vereador do mandato 2021-2024 para atuar contra a instalação de uma usina de asfalto própria pelo Município. Faggion, que foi vereador nesse período, negou a acusação.

Faggion nega ter recebido dinheiro de empresas

Durante a coletiva, Romulo Faggion afirmou que nunca recebeu recursos de empresas para realizar fiscalizações ou denúncias.

“Eu nunca fui cooptado por empresa para fazer denúncia. Nunca recebi dinheiro de empresa para fiscalizar. Nunca fiz denúncia para beneficiar empresário”, declarou.

Segundo ele, os questionamentos relacionados à proposta de aquisição de uma pedreira e implantação de uma usina de asfalto faziam parte de sua atuação fiscalizatória na Câmara Municipal.

Faggion afirmou que uma Comissão Especial de Investigação foi formada com cinco vereadores para analisar o projeto. Durante os trabalhos, os parlamentares visitaram uma pedreira em Chapecó e uma usina de asfalto em Foz do Iguaçu.

“Não era o Romulo contra a pedreira. Eram cinco vereadores fiscalizando um projeto de interesse do município, que é dever do vereador fiscalizar”, afirmou.

Ex-vereador cita questionamentos sobre projeto

Faggion declarou que tinha dúvidas relacionadas à legalidade, economicidade e condução de decisões envolvendo a proposta.

Entre os pontos citados por ele está a aquisição de um terreno. Segundo Faggion, um laudo contratado pela Câmara apontaria uma diferença de aproximadamente R$ 300 mil entre o pagamento e o valor avaliado.

O ex-vereador afirmou que encaminhou informações sobre o assunto ao Ministério Público e ao Gaeco.

“Não fiz isso escondido. Não fiz isso para beneficiar a empresa. Fiz como vereador e como fiscalizador”, disse.

Na coletiva, Faggion também relembrou sua atuação desde 2012 na fiscalização da administração pública, inicialmente por meio da ONG Vigilantes da Gestão Pública e, posteriormente, durante o mandato de vereador entre 2021 e 2024.

Ele citou denúncias e questionamentos encaminhados ao Ministério Público, Gaeco, Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos, envolvendo contratos, licitações, patrimônio público e uso de recursos municipais.

Busca apreendeu celular e HDs

A residência de Romulo Faggion foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Agregados.

Segundo o próprio investigado, foram apreendidos um telefone celular e dois HDs externos, além da coleta de dados de seu notebook.

Faggion afirmou que pretende colaborar com todas as diligências.

“Quero que verifiquem, quero que investiguem, que encontrem aquilo que realmente existe”, declarou, acrescentando que também aceita a análise de suas movimentações financeiras e dos documentos relacionados às denúncias realizadas durante sua atuação pública.

Faggion esclarece apreensão de munições

Outro ponto abordado durante a coletiva foi a localização de quatro munições de uso restrito durante o cumprimento do mandado, situação que, segundo Faggion, resultou em prisão em flagrante.

Ele afirmou ser CAC, sigla para colecionador, atirador e caçador, além de atuar como instrutor de armamento e tiro desde dezembro de 2017.

De acordo com sua versão, as armas encontradas estavam regularizadas e tiveram a documentação conferida pelos policiais.

Faggion afirmou que as quatro munições eram mantidas como material de coleção e utilizadas para demonstração em cursos, com o objetivo de apresentar diferenças entre calibres, tamanhos e formatos.

A questão jurídica envolvendo as munições, segundo ele, será tratada por sua defesa.

Dinheiro foi apreendido em outro endereço, diz Faggion

O ex-vereador também contestou a associação de sua imagem à fotografia de aproximadamente R$ 80 mil em dinheiro e cheques divulgada após a operação.

“Esse dinheiro não foi encontrado na minha casa”, afirmou.

Segundo Faggion, os valores foram localizados em outro endereço e pertenciam a outro alvo da operação.

“Cada fato precisa ser atribuído à pessoa e ao endereço onde efetivamente aconteceu”, declarou.

Ele disse não questionar a necessidade de investigação dos valores, mas afirmou que a divulgação da imagem poderia levar parte do público a interpretar que o dinheiro havia sido encontrado em sua residência.

Investigação levou a afastamento cautelar

A Justiça determinou cautelarmente o afastamento do ex-parlamentar de seu cargo comissionado de direção na Prefeitura de Pato Branco.

Durante a coletiva, Faggion afirmou que o prefeito optou por sua exoneração. O ex-vereador ressaltou que o processo ainda está em fase de investigação e que não houve condenação.

“Não fui condenado por corrupção, não fui condenado por receber dinheiro de empresa, não fui condenado por favorecer empresário. Existe uma investigação, existem hipóteses sendo apuradas e vou exercer o meu direito de defesa”, afirmou.

Faggion encerrou dizendo que respeita a atuação das instituições e que pretende apresentar documentos e informações para sustentar sua versão dos fatos.

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Redação

Diário Sudoeste - Notícias de Pato Branco, Sudoeste do Paraná.

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