O Paraná pode enfrentar um período de chuva extrema, temporais severos e risco elevado de enchentes nos próximos meses devido ao avanço de um possível super El Niño no Oceano Pacífico. O alerta foi feito nesta sexta-feira (15) pelos meteorologistas Ronaldo Coutinho e Piter Scheuer.
Segundo os meteorologistas, o fenômeno climático já começou a influenciar o clima de forma leve em maio, mas a tendência é de intensificação gradual ao longo de junho, julho e agosto, com impactos mais fortes no fim do inverno e durante a primavera.
De acordo com Coutinho e Scheuer, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial apresenta sinais considerados preocupantes, principalmente pela interação intensa entre oceano e atmosfera.
Águas do Pacífico apresentam aquecimento extremo
Os mapas climáticos analisados pelos meteorologistas indicam águas extremamente aquecidas em profundidades entre 150 e 200 metros, chegando próximo de 400 metros em algumas áreas do Pacífico Equatorial.
Esse aquecimento está associado a uma intensa onda de Kelvin, fenômeno oceânico que favorece o fortalecimento do El Niño.
Segundo Coutinho e Scheuer, as projeções indicam temperaturas próximas ou acima de 3°C da média histórica, patamar considerado muito elevado e associado aos episódios mais severos do fenômeno.
Os especialistas afirmam que o comportamento climático previsto lembra eventos históricos registrados em 1982, 1983 e 2015, anos marcados por enchentes e desastres climáticos no Sul do Brasil.
Paraná pode registrar chuva acima da média
O Paraná aparece entre os estados com maior risco de registrar volumes elevados de chuva durante o avanço do fenômeno climático.
Os modelos meteorológicos apontam períodos de precipitação muito acima da média principalmente entre agosto, setembro, outubro e novembro, além de temporais frequentes, rajadas de vento e possibilidade de granizo.
Segundo os meteorologistas, o comportamento inicial do El Niño pode ser irregular, com diferenças significativas entre municípios próximos.
Enquanto algumas cidades podem enfrentar temporais intensos e grandes acumulados de chuva, outras regiões poderão registrar volumes menores de precipitação.
Meteorologistas alertam para enchentes e deslizamentos
A expectativa é que os impactos mais severos ocorram no fim do inverno e durante toda a primavera.
“Depois que ele estiver com todo o vapor, com toda a energia, que é no final do inverno e durante a primavera como um todo, sai da frente, porque vem chumbo grosso: enchentes, alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e quedas de barreira”, alertou o Scheuer.
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Simepar e Defesa Civil acompanham cenário
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) acompanha semanalmente a evolução do El Niño e seus possíveis reflexos sobre o clima do Estado.
A Defesa Civil do Paraná também intensificou ações preventivas junto aos municípios, incluindo treinamentos, simulados e orientações para enfrentamento de eventos climáticos extremos.
Nos últimos meses, o Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) destinou R$ 16,2 milhões para obras preventivas em municípios paranaenses, incluindo drenagem urbana em Londrina e Guaratuba e construção de pontes rurais em Espigão Alto do Iguaçu.
Outra medida em andamento é a capacitação de voluntários. Neste mês, mais de 3 mil pessoas participam de treinamentos promovidos pela Defesa Civil para atuação em situações de emergência.





