Um grupo de 40 líderes rurais do Paraná conheceu, durante viagem técnica à Califórnia, nos Estados Unidos, uma plataforma de inteligência artificial (IA) voltada à integração e análise de dados de propriedades rurais. A iniciativa faz parte de uma missão promovida pelo Sistema FAEP e busca ampliar o uso de tecnologia na gestão agropecuária.
A ferramenta apresentada foi desenvolvida pela startup Agro-AI e reúne informações provenientes de diferentes fontes, como máquinas agrícolas, anotações, documentos, imagens e áudios. A partir desses dados, o sistema busca gerar recomendações para apoiar decisões dentro das propriedades.
Segundo o fundador da Agro-AI, Lamine Dabo, a inteligência artificial pode reduzir tarefas manuais e ajudar produtores a interpretar melhor as informações geradas no dia a dia.
“A Inteligência Artificial pode melhorar a tomada de decisões na fazenda, reduzir trabalho manual e proporcionar uma execução mais precisa nas atividades rurais”, afirmou.
Desafio é integrar dados de diferentes fontes
A gestão de dados já faz parte da rotina de alguns produtores paranaenses, mas a integração das informações ainda aparece como um dos principais desafios.
O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, utiliza tecnologias embarcadas nas plantações de soja, milho, feijão e aveia.
As máquinas fornecem informações detalhadas sobre as atividades realizadas no campo. Segundo Ribas Netto, o desafio é identificar quais dados são realmente úteis para a tomada de decisão e para o aumento da produtividade.
“A gente tem a dificuldade de integração dos dados. Não há uma IA que vá lá no sistema da John Deere, por exemplo, e colete a informação do quanto uma determinada máquina colheu hoje e faça a conexão disso com outros dados da minha produção. Essas conexões são muito importantes”, afirmou.
IA pode reunir máquinas, fotos, documentos e áudios
De acordo com Lamine Dabo, ferramentas de inteligência artificial podem atuar justamente nessa integração.
“Ela precisa ler os dados, entender o que está acontecendo no campo e conectar as informações para dar uma recomendação melhor. O papel da IA é transformar toda essa informação em respostas úteis”, explicou.
Segundo ele, os dados podem ter diferentes origens dentro de uma propriedade.
“Tem informação que vem das máquinas, da observação das pessoas, de documentos, de fotos da lavoura e até de áudios de aplicativos de comunicação”, afirmou.
Dabo explicou que a inteligência artificial pode analisar esses conteúdos separadamente e depois apresentar uma visão integrada das informações para auxiliar na gestão.
Produtor já rastreia produção de ovos
O presidente do Sindicato Rural de Paranacity, Arnaldo Cortez, já utiliza tecnologia para registrar informações de diferentes etapas da atividade como avicultor.
O sistema empregado na propriedade armazena dados relativos à ração, permitindo o controle de estoque, e também registra o número de ovos coletados.
“Até mesmo na venda, temos um controle de rastreabilidade, para saber em qual supermercado aquele ovo, produzido naquele dia, será comercializado”, relatou.
A experiência demonstra como o registro das informações pode acompanhar o produto desde a propriedade até a comercialização.
- Prazo para declarar ITR 2026 começa nesta segunda-feira
- Sandro Alex defende continuidade das rodovias de concreto
Tecnologia acompanha plantio e colheita
O tesoureiro do Sindicato Rural de Sertanópolis, Milton Martinez, também utiliza tecnologia na propriedade.
Depois de anos fazendo anotações manuais sobre a produção de soja, milho, algodão e pecuária, o agricultor passou a usar uma plataforma que reúne informações das lavouras e fornece previsão meteorológica direcionada às coordenadas da propriedade.
“Desde o plantio é gravada a quantidade de semente que cai por metro. Depois, na colheita, a máquina tem um equipamento que anota a umidade e a quantidade colhida por metro quadrado”, explicou.
Segundo Martinez, o sistema também permite comparar resultados dentro de um mesmo talhão.
“Se tiver um talhão com duas variedades de soja, é possível analisar e ter a resposta do que deu certo ou errado”, afirmou.
Produtores buscam reduzir trabalho manual
Durante a viagem técnica, Martinez também demonstrou interesse em conhecer outras ferramentas capazes de apoiar o trabalho realizado na propriedade.
“Achei interessante a informação do que a IA pode fazer por nós, dentro da propriedade, ganhando horas de trabalho e facilidades no armazenamento das informações”, declarou.
A viagem técnica promovida pelo Sistema FAEP reúne 40 líderes rurais paranaenses na Califórnia e inclui atividades voltadas ao conhecimento de novas tecnologias e práticas aplicáveis ao agronegócio.




















