Encontro reúne 1,6 mil produtoras rurais em Cascavel

Encontro reúne 1,6 mil produtoras rurais em Cascavel

Encontro promovido pelo Sindicato Rural de Cascavel e pelo Sistema FAEP discutiu o papel da mulher na gestão e na sucessão de propriedades rurais.

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Produtoras rurais lotam auditório durante o 14º Encontro Estadual de Produtoras Rurais, em Cascavel.
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O Sindicato Rural de Cascavel e o Sistema FAEP reuniram mais de 1,6 mil agricultoras e pecuaristas nesta quinta-feira (27), em Cascavel, no 14º Encontro Estadual de Produtoras Rurais, dedicado ao protagonismo feminino na gestão de propriedades e no processo de sucessão dentro da porteira.

Autoridades e lideranças rurais participaram da abertura, como o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, e o governador Carlos Massa Ratinho Junior. Meneguette destacou a importância da mulher na gestão da propriedade e no processo de sucessão, além da contribuição para o fortalecimento do sistema sindical paranaense. Desde 2016, o Sistema FAEP oferece o programa Herdeiros do Campo para auxiliar na transição entre gerações.

“Se pensarmos em sucessão, legado e crescimento, tudo isso passa pelo trabalho das mulheres. Desde 2021, com a criação da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP, há um trabalho específico de fomento do protagonismo feminino no meio rural. E os resultados estão aparecendo, tanto que já são quase 5 mil produtoras rurais mobilizadas”, destacou o presidente do Sistema FAEP.

Comissões de mulheres crescem nos sindicatos

A mobilização feminina no meio rural também fez parte da fala de Lisiane Czech, coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), presidente do Sindicato Rural de Teixeira Soares e vice-presidente do Sistema FAEP. A CEMF conta atualmente com 111 comissões locais de mulheres entre os 163 sindicatos rurais do Paraná.

“Além destas, já temos outras comissões em processo de criação. Nossa meta é que todo sindicato rural tenha uma comissão de mulheres, pois temos muito a contribuir para o desenvolvimento do setor”, destaca a coordenadora da CEMF.

Esse movimento de mobilização feminina no meio rural também acontece em todo o Brasil, segundo Simone Carvalho de Paula, integrante da CEMF e vice-presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro, ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Hoje temos comissão de mulheres em todos os Estados, para fazer a diferença dentro das propriedades e sindicatos rurais. A produtora rural tem direito de ocupar essa cadeira, por meio da capacitação”, disse.

Anfitriões destacam avanço das produtoras

Os anfitriões do encontro, Maria Beatriz Orso, coordenadora da Comissão de Mulheres de Cascavel, e Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural de Cascavel, também ressaltaram a importância da participação feminina no enfrentamento dos desafios do meio rural.

“Muitas oportunidades surgiram por conta das comissões de mulheres, que permitiram o crescimento rápido do protagonismo feminino na agropecuária”, reforça Maria Beatriz. “As mulheres são fundamentais para as famílias rurais, para o setor e para a comunidade. Esse processo já está consolidado e vai continuar crescendo”, complementa o presidente do Sindicato Rural de Cascavel.

Segundo o Censo Agropecuário de 2017, o mais recente realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40 mil fazendas no Paraná são conduzidas por mulheres. Na região Oeste, das 42,5 mil propriedades rurais, 5,2 mil contam com a participação de mulheres nas atividades agropecuárias.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior destacou o trabalho das agricultoras paranaenses, que contribui para que o Estado seja conhecido como o “mercado do mundo”. “Com a liderança da mulher paranaense nas propriedades rurais, o Paraná conquistou uma produção capaz de abastecer o mercado interno e também exportar. O governo do Estado sempre trabalhou para empoderar a mulher por meio do trabalho, permitindo ao Paraná prosperar”, destacou.

Programação reúne temas de gestão e bem-estar

A programação desta edição contemplou diferentes dimensões do cotidiano das produtoras rurais, com temas como legislação trabalhista, governança, sucessão familiar, saúde, comportamento, criatividade, cenário do agronegócio e bem-estar, aproximando os debates da realidade da gestão das propriedades e das decisões familiares.

Na palestra “Destaques da legislação trabalhista para a produtora rural”, Jéssica Nascimento abordou pontos comuns na realidade das propriedades rurais diante da crescente profissionalização do setor agropecuário. Alessandra Nishimura, do Grupo Jacto, discutiu a sucessão familiar e a continuidade dos negócios na palestra “Raízes invisíveis: a força feminina por trás dos grandes legados”, tratando da preservação dos vínculos familiares, da gestão, da liderança e da preparação das novas gerações.

Na área da saúde, o médico endoscopista Ivan Roberto Bonotto Orso apresentou avanços científicos e possibilidades terapêuticas para o tratamento do excesso de peso, enquanto a médica e psicóloga Paula Fabri abordou as mudanças comportamentais e emocionais do processo de emagrecimento e a relação entre hábitos e autonomia. Rodrigo de Barros e Sarah Golinhaki conduziram a palestra “Criatividade e vida”, sobre a presença da criatividade nas diferentes áreas da existência.

O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera discutiu o cenário e os caminhos da agropecuária brasileira na palestra “Desafios e perspectivas do agro nacional”. A psicanalista e terapeuta Andrea Vermont encerrou a programação com uma reflexão sobre a importância de olhar para o próprio bem-estar diante das responsabilidades assumidas diariamente.


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