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IA e tecnologia dos EUA entram no radar do agro paranaense

Lideranças rurais avaliam parcerias e ações para aproximar produtores de ferramentas vistas durante missão técnica do Sistema FAEP

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Quarenta líderes rurais do Paraná participaram, em agosto, de uma viagem técnica aos Estados Unidos promovida pelo Sistema FAEP para conhecer tecnologias voltadas à gestão, análise de solo e inteligência artificial. O grupo passou por cinco Estados e pretende agora compartilhar os conhecimentos com produtores e sindicatos rurais paranaenses.

A delegação visitou polos produtivos e tecnológicos da Califórnia, Nebraska, Iowa, Illinois e Missouri. A viagem foi a terceira promovida pelo Sistema FAEP em 2026 e permitiu comparar práticas da agricultura norte-americana com os sistemas utilizados no Brasil.

De volta ao Paraná, os participantes pretendem transformar as experiências em ações locais, com reuniões, eventos, contatos com cooperativas e compartilhamento de informações sobre ferramentas que possam aumentar a eficiência e a rentabilidade das propriedades rurais.

Tecnologia de solo desperta interesse por parcerias

Em São Francisco, na Califórnia, os produtores conheceram os laboratórios da EarthOptics, que utiliza metodologias de análise biológica, física e química do solo.

A tecnologia consegue identificar deficiências nutricionais e a presença de microrganismos potencialmente prejudiciais às culturas antes que os sintomas apareçam nas plantas.

A visita levou alguns dos participantes a avaliar alternativas para aproximar esse tipo de solução dos agricultores paranaenses.

“Acredito que uma parceria entre laboratórios como esse e cooperativas seria uma colaboração frutífera. Vou entrar em contato com cooperativas no Paraná para ver se já existem iniciativas similares e incentivá-las a buscar um bom laboratório”, disse Amarildo Agnolin, presidente do Sindicato Rural de Nova Cantu.

Inteligência artificial pode apoiar gestão das propriedades

Ainda em São Francisco, o grupo participou de um encontro com Lamine Dabo, fundador da Agro-AI.

A plataforma apresentada aos líderes rurais reúne dados de diferentes fontes, como planilhas de estoque, telemetria de máquinas, fotografias e mensagens de áudio. As informações são processadas para gerar recomendações voltadas à tomada de decisão.

Para o presidente do Sindicato Rural de Carambeí, Ricardo Wolter, a inteligência artificial pode contribuir principalmente com a gestão dentro das propriedades.

“O que falta para produtor rural é a gestão. A IA pode ajudar nisso, com possibilidades ilimitadas. Isso vai desde controle financeiro e manutenção de equipamentos até a rotina de trabalho dos funcionários”, afirmou.

Wolter pretende levar o conteúdo aprendido a eventos do sindicato e desenvolver ações em parceria com a cooperativa local de Carambeí.

O presidente do Sindicato Rural de Campina da Lagoa, Rui Barbosa de Carvalho, também vê a inteligência artificial como uma ferramenta que deverá ganhar espaço no cotidiano dos produtores.

“A Inteligência Artificial é um caminho sem volta, por proporcionar facilidade de trabalho. Quero fazer uma reunião com os sócios e produtores da nossa região e passar um resumo do que vivenciamos nos Estados Unidos, de maneira simples, na nossa linguagem, ajudando a trazer essa realidade para perto deles”, disse.

Agricultura brasileira é comparada ao modelo dos EUA

Uma propriedade produtora de milho e soja em Des Moines, no Estado de Iowa, foi utilizada pelo grupo para comparar os sistemas agrícolas do Meio-Oeste dos Estados Unidos com os encontrados no Sul do Brasil.

Entre as diferenças observadas estão a produtividade do milho e a presença de estruturas próprias de secagem e armazenamento na propriedade norte-americana.

Os participantes também identificaram problemas comuns aos dois países, como pressão dos custos dos insumos, oscilação das commodities e desafios relacionados à sucessão familiar.

Para o vice-presidente do Sindicato Rural de Pitanga, Luiz Carlos Zampier, a comparação também mostrou pontos em que o Brasil apresenta desempenho tecnológico e produtivo competitivo.

“Percebi que, na soja, o Brasil está bem em tecnologia e produtividade”, afirmou.

Segundo Zampier, o avanço de imagens, conectividade de dados, drones e robótica deverá ganhar velocidade na agricultura brasileira, inclusive como resposta à falta de mão de obra.

“O ganho da viagem foi verificar para onde nossa agricultura vai. O uso de imagens, a conectividade de dados, os drones e a robótica para suprir a falta de mão de obra vão avançar rapidamente no Brasil”, disse.

O dirigente pretende apresentar as observações nas reuniões mensais de diretoria e nas assembleias do Sindicato Rural de Pitanga.

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Representação rural também entra no roteiro

Além das tecnologias utilizadas dentro das propriedades, a missão incluiu uma visita ao Madison County Farm Bureau, em Illinois.

A instituição representa produtores rurais diante do poder público e atua na defesa de pautas relacionadas ao setor agropecuário.

O Sistema FAEP identificou semelhanças entre o modelo norte-americano e o trabalho desenvolvido pela própria entidade e pelos sindicatos rurais no Paraná.

Entre as pautas defendidas pelo Sistema FAEP nos âmbitos estadual e nacional estão a renegociação de dívidas agrícolas e o fortalecimento das subvenções ao seguro rural.

A troca de experiências também reforçou, segundo a entidade, a necessidade de participação das bases e formação de novas lideranças para a representação política, jurídica e econômica da agropecuária paranaense.

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Paulo Felipe

Jornalista com 15 anos de experiência em redações de jornais impressos e portais de notícias. Há 4 anos se dedica exclusivamente a escrever para portais de notícias. Somou-se a equipe do Diário do Sudoeste

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