O Sistema FAEP defende que o presidente da República sancione, sem vetos, o Projeto de Lei 2.951/2024, aprovado pelo Senado na quinta-feira (3), para reformular o seguro rural no Brasil, ampliar a proteção ao produtor e reduzir a instabilidade diante de perdas climáticas e cortes orçamentários.
De autoria da senadora Tereza Cristina, o projeto altera a Lei da Política Agrícola, a Lei da Subvenção ao Seguro Rural e a lei complementar que trata do Fundo de Estabilidade do Seguro. A construção da proposta teve participação do Sistema FAEP, da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Instituto Pensar Agro (IPA).
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que a modernização é aguardada pelo setor. “Esse projeto é aguardado há tempo pelo setor. Essa modernização é urgente, pois o produtor não pode depender de socorro emergencial depois que o prejuízo já aconteceu. Precisamos de um instrumento de proteção com regras claras e indenização ágil e garantida”, disse.
Projeto muda crédito, orçamento e prazo de indenização
O PL 2.951/2024 recebeu um texto substitutivo do deputado federal Pedro Lupion, relator da proposta na Câmara dos Deputados, durante a aprovação no fim de maio. Depois das alterações, o projeto seguiu para o Senado, onde foi aprovado na quinta-feira (3).
Entre as mudanças previstas está o detalhamento das condições para uso do seguro rural como garantia de operações de crédito rural. Na prática, o texto propõe juros menores em empréstimos de crédito rural para produtores que tenham seguro.
A proposta também transfere para as Operações Oficiais de Crédito as dotações orçamentárias anuais destinadas à subvenção do seguro rural. Com isso, a despesa com a subvenção passa a ter caráter obrigatório dentro do orçamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sem possibilidade de bloqueio ou contingenciamento.
Outra mudança prevê pagamento da indenização em até 15 dias após o aviso do produtor nos casos em que não seja necessária vistoria técnica.
O projeto ainda determina que o Poder Executivo estabeleça parâmetros mínimos de cobertura de riscos e as cláusulas que deverão constar obrigatoriamente nos contratos de seguro rural beneficiados pelo programa de subvenção ao prêmio.
Fundo Catástrofe ganha novas regras
O novo marco do seguro rural também amplia os objetivos do fundo destinado à cobertura suplementar do seguro rural e permite a criação de subfundos com patrimônios segregados para atender especificidades setoriais.
O chamado Fundo Catástrofe foi criado em 2010, mas, segundo o Sistema FAEP, nunca funcionou de fato por falta de recursos e de regras. O mecanismo poderá receber dinheiro de seguradoras, resseguradoras, empresas do agronegócio e cooperativas, além de utilizar instrumentos como o resseguro para proteção financeira.
A finalidade é criar uma cobertura adicional para situações de perdas significativas, como seca ou geada generalizada. O Sistema FAEP afirma que a medida amplia o acesso à proteção em situações de perdas extremas, nas quais as seguradoras enfrentam limites de concentração de área segurada e de cobertura.
Paraná perdeu mais da metade das apólices desde 2021
O Sistema FAEP cita a safra 2021/22 no Paraná como exemplo da necessidade de uma cobertura suplementar. Naquele ciclo, o Estado registrou quebra de produção superior a 40%, seguida por uma redução na disponibilidade e na contratação de seguro nos anos posteriores.
O Paraná tinha 82,19 mil apólices contratadas em 2021. O número caiu para 46,81 mil em 2022, redução de 43%, e para 36,17 mil em 2023, queda de 56% em comparação com 2021.
Em 2024, foram contratadas 44,8 mil apólices. O total caiu para 26,22 mil em 2025. Até maio deste ano, o Paraná contabilizava 9,24 mil apólices.
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Cortes reduziram orçamento do seguro rural em 2026
A defesa de uma sanção rápida ocorre após reduções e bloqueios no orçamento do seguro rural ao longo de 2026. Em maio, houve um primeiro corte de R$ 25,7 milhões.
No início de junho, o Mapa bloqueou quase R$ 461,7 milhões para cumprir metas fiscais. No fim do mesmo mês, houve novo cancelamento definitivo de cerca de R$ 56,3 milhões, direcionados a outras ações do setor agropecuário.
As movimentações reduziram pela metade o valor disponível no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em comparação com o R$ 1,01 bilhão aprovado originalmente na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O montante disponível está atualmente em torno de R$ 473 milhões.
“É justamente esse tipo de instabilidade orçamentária que a nova lei busca resolver ao tornar a despesa com subvenção obrigatória”, afirmou Meneguette.
O presidente do Sistema FAEP também pediu agilidade na decisão presidencial. “Por isso pedimos agilidade na sanção presidencial, sem veto, para que essa ferramenta esteja disponível o quanto antes, especialmente diante da sequência de eventos climáticos extremos que temos enfrentado”, disse.

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